opiniões sobre tudo e sobre nada...

Sábado, 11 de Outubro de 2014
Lógica distorcida

Não é estranho que as pessoas se revoltem contra as pessoas roubadas apodando-as de ingénuas, estúpidas ou outro nome qualquer pejorativo? Já me aconteceu várias vezes. Em variadas conversas, muitas pessoas acabam sempre por culpar as pessoas roubadas, enganadas… pelos erros cometidos por outras. E são pessoas de todos os extractos sociais, culturais… parece ser quase uma regra!

Conheço uma moça bem formada cuja mãe passa o tempo a encontrar-lhe defeitos. Ora, sabemos que pais mal-formados acabam sempre por criar filhos iniciados nos exemplos dados. (Já me aconteceu, enquanto professora, perceber que os filhos são o espelho dos pais e vice-versa, salvas sempre a supostas excepções.) Ora, estes que provocam situações incómodas, seja qual for a sua natureza, nas vidas de outros, são geralmente vistos como eventualmente perigosos mas quase sempre espertos e os outros, da mesma formação, acabam invariavelmente por invejá-los. Sobretudo quando escapam de julgamentos sociais e judiciais depois do mal feito. E sabemos que quem prega qualquer tipo de vigarice, conhece as leis com que se cose ou melhor conhece os interstícios da lei que lhes permite fugir ao castigo merecido. E quando o fazem, infelizmente, conseguem, de alguma forma, a colaboração da boa-fé das pessoas vigarizadas. Afinal, quem mal não tem, mal não pensa. Isto não significa que sejam menos espertas que os outros. O que acontece frequentemente, é falta de avaliação rigorosa dos vigaristas porque estes são, geralmente, manipuladores exímios. Tentam conhecer as pessoas não para as ajudarem mas para as controlarem. Todos sabemos que isto está errado, é errado. Toda a gente sabe que estas acções são condenáveis. O que não se entende é a lógica distorcida que parece afectar grande parte da nossa sociedade aquando do julgamento moral das diversas situações de vigarice. E sempre que alguém leva a melhor sobre outra, no sentido de a prejudicar, não é esperteza e muito menos inteligência, é maldade. Então porque é a que a nossa sociedade continua a condenar as vítimas em vez dos prevaricadores levando inclusive aquelas a sentirem-se diminuídas e a esconder as falcatruas? É esta lógica distorcida! E não deve ser assim. Os ladrões têm de ser julgados e metidos na prisão e não os roubados! Onde está a moral? Onde estão os valores que alicerçaram a nossa sociedade e que, ainda assim, teve sempre quem a esquartejasse? Agora, estamos a viver um ambiente social onde o roubo é quase uma constante e que mais não é do que uma versão da exploração do homem pelo seu semelhante! É isto que está errado! É o roubo que tem de ser condenado e não as pessoas roubadas! Daqui a nada estamos a chamar branco ao azul e azul ou branco… Desculpem, isto já acontece. Então o que se deve fazer? Ter a coragem de defender que merece defesa e condenar publicamente quem prevaricou. Ou vamos cobardemente pactuar com a  mudança que se está a operar violentamente na nossa sociedade, calando-nos ou concordando com exteriormente com essas pessoas mal-intencionadas? Há que falar sem medos! Não nos vão odiar mais do que já acontece se manifestarmos a nossa opinião! Se calhar desprezam-nos mais pela cobardia demonstrada!

Agora, depende da leitura de cada um e cada um faz a leitura de acordo com a sua maneira de ser. Mas uma coisa julgo que ficou clara: o roubo, tenha ele a forma que tiver, é um acto condenável, desprezível e cobarde!



publicado por fatimanascimento às 12:09
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Sexta-feira, 16 de Março de 2012
Enquadramento legal

Um dia destes, recebi a notícia da apreensão da viatura que vendera, algum tempo atrás, a um vigarista. Não foi fácil. A GNR mandou-o parar durante uma operação stop, e ele fugiu, dando imediatamente início a uma perseguição policial. Só quando se viu encurralado, é que o indivíduo perseguido parou. Procederam às respectivas multas, algumas das quais em nome do proprietário da viatura, ou seja, em meu nome. Eu, que já via a viatura, há alguns anos! Ao contrário do que me haviam dito que o veículo apreendido seguiria imediatamente para o IMTT da capital do distrito, tive de ir buscá-la à localidade onde a apreenderam. Quando lá cheguei, para ir buscar o monovolume, sou deparada por um cenário de destruição que me chocou. A tinta da viatura estava quase totalmente carcomida, talvez pela influência da acção conjunta do mar e do sol. No interior, faltavam os bancos traseiros, a chapeleira do porta-bagagens desapareceu. O banco do condutor estava literalmente rasgado e todos os utensílios obrigatórios num veículo tinham sumido. Chocada com o espectáculo, fiz queixa à polícia. Não a pude fazer na localidade onde a viatura fora encontrada, pois, nesse dia, a esquadra estava a abarrotar de problemas e os poucos agentes não sabiam para onde se haviam de voltar. Combinei com eles que apresentaria queixa na esquadra onde resido. Tudo corria bem até o chefe da esquadra, levantar a questão do enquadramento jurídico. Perdi, por momentos, a esperança de poder coagir o vigarista a devolver-me as peças do carro. Percebi que tudo tem de ser bem visto de forma a que, e tal como a lei está redigida, não possa haver, da parte dos vigaristas, espaço de manobra para retaliarem. Eu explico. Isto é o mesmo que uma pessoa se queixar de uma dor no braço e ir ao hospital com essa queixa e lá dizerem-lhe que não pode ser. Que só pode sentir dor na cabeça, pescoço, no corpo, pernas e pés, porque tal não está previsto quadro medicinal, pelo que os médicos têm de procurar a parte do corpo localizada o mais perto possível do membro onde está localizada a dor. É isto que se passa, ao que parece, com o enquadramento jurídico. Não prevendo todas as situações, tem de se buscar aquela que mais se aproxima. Depois, e para meu maior espanto, fui deparada com outro problema. A declaração de intenção. Só há crime se se comprovar que houve intenção de crime. Ora, como devem perceber, tal é deveras difícil. Um indivíduo mal intencionado pode “brincar” à vontade com isto. Pode muito bem dizer (e sabemos que há gente para tudo) que estava a fazer apontaria a umas latas quando a arma, de repente, apanhou, inesperadamente, determinada vítima! Ou alguém está a atirar pedras a uma tábua e, subitamente, a pedra acerta num vidro, quando, na verdade, o alvo fora desde o início a vítima. Da maneira como as coisas estão, ao que parece, são os representantes da autoridade que têm medo de agir, sabendo que estão entalados entre a lei e os prevaricadores. Com a justiça a não conseguir agir nos quadros sociais e políticos mais elevados, o exemplo está a passar para o cidadão comum desonesto. Não sei se é só a lei ou se serão os “cunhacimentos” que parecem estar a privar ou dificultar as forças da autoridade a agir. Também poderá haver cumplicidade, (Eu ouvi o vigarista a dizer a um agente da autoridade que o avisasse caso houvesse “novidades”! O outro acenou afirmativamente.) É que alguns agentes agem e até mostram trabalho, o resto, ou seja, a própria justiça é que, em determinados estratos sociais (diria em todos) parece não conseguir apanhar os incumpridores que acabam sempre por fugir à justiça. Há desonestidade em todo o lado, ninguém nem nada tem o monopólio de seja o que for. Mas, convenhamos, há pessoas e pessoas! Mesmo dentro da desonestidade. Este que eu conheci, prefere ir preso, a pagar dinheiro seja a quem for ou a restituir seja o que for. Só se for coagido. E mesmo assim... É vigarista! E está tudo dito!



publicado por fatimanascimento às 10:37
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Quarta-feira, 3 de Agosto de 2011
A lei e a vida

Estou com um problema que não foi criado por mim. Um dos muitos que o encontro com um descontraído vigarista me criou ao entrar na minha vida. Aliás não me criou um só problema como me arranjou outros. Nunca, na minha vida, encontrara um, e logo me haveria de acontecer a mim! Para além de um monovolume cujas duas últimas prestações ficou de pagar, arranjou dívidas também em meu nome. A lei, como já ouvi muita gente protestar, acaba por favorecer a vítima acaba, muito simplesmente por atacar a vítima. Para além de outras qualidades, é também um falsificador de assinaturas algo de que se gabava imenso. Meti-o na rua. Tarde demais. À minha casa, chegavam telefonemas daquelas agências financeiras, gulosas por dinheiro, perguntando por ele e se o empréstimo era para seguir em frente. Como devem calcular, fiquei horrorizada porque não sabia o que se passava. Na altura estava até desempregada e disse-o a uma senhora muito simpática que me ligou. Contei-lhe que era o meu companheiro. Muito aflita e compreendendo a situação em que estava envolvida, deixou, simpaticamente, uma mensagem às outras colegas cujo conteúdo revelava a minha situação de desemprego para que não aceitassem tal pedido. Infelizmente, não recebi mais nenhum telefonema destes. E se houve algum de que não tenho memória, foi divulgada à instituição a mesma notícia. Ficava furioso sempre que conseguia anular-lhes estes empréstimos. Os telefonemas devem ter passado para o telemóvel dele. Teve acesso a toda a minha identificação e foi ele que fez o IRS desse ano, através da internet, usando o meu IRS de há dois anos. Na altura estava desempregada e o IRS não correspondia minimamente à situação, naquela altura.

Acontece que a lei é cega e por isso não vê mais do que a simplicidade quando a vida é complicada. Estando tudo em meu nome, terei de arrastar o vigarista comigo a tribunal e á sócia que julgo ser cúmplice deste golpe, para além de colocar a polícia à procura do monovolume que não pagou e que vou ter de pagar do meu bolso, só porque o empréstimo foi realizado no meu nome. A justiça não quer saber de mais nada, pelo que estamos completamente à mercê de indivíduos mal intencionados. Agora, tendo eu provas de tudo e testemunhas, não me vai ser difícil encurralar tal ser e fazê-lo pagar pelos crimes cometidos em nome de outrem. Quem sabe, poder ser que tenha uns anitos de prisão. A pessoas destas, só lhes faria bem. Nem sei. Acho que, mais uma vez, o povo tem razão “Quem torto nasce, tarde ou nunca se endireita. Poder-se-ia ainda pensar que não tem dinheiro, mas tem. Mas é um daqueles seres que prefere ir para a prisão do que afastar-se do seu amado dinheiro. Agora, a justiça, que é feita de leis, deve tirar a venda e perceber o que se passa em vez de olhar superficialmente para os casos e os julgar tão levianamente. Se queremos uma sociedade justa, tem de ser assim. Ou arriscamo-nos a cair na sociedade do salve-se quem puder ou da justiça executada pelas próprias vítimas. Haverá alguém que goste de passar por esta experiência?



publicado por fatimanascimento às 21:26
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