opiniões sobre tudo e sobre nada...

Sexta-feira, 9 de Julho de 2010
O profissionalismo do trabalho amador

Nunca gostei do adjectivo profissional. Talvez por induzir, muitas vezes, as pessoas em erro. A palavra “amador” ao invés, e que designa “aquele que ama” é para mim a mais correcta. Só consegue êxito naquilo que faz aquele que ama. Conheço pessoas que fazem jus a este pensamento.

São poucos mas fazem o trabalho de muitos. E, o que é extraordinário, com poucos recursos. São modestos mas excelentes. É assim que se trabalha em Portugal. O bom trabalho mais não é do que o resultado da paixão que se vota àquilo que se realiza. Falo do teatro amador português. Tive oportunidade de acompanhar a actuação da Companhia de Teatro Pouca Terra em dois excelentes espectáculos distintos. Das duas vezes, tive oportunidade de apreciar a excelência que colocam em tudo quanto realizam. E nada é feito ao acaso. Tudo é levado com a máxima seriedade: a cenografia, a encenação, os efeitos sonoros, a actuação… Num cenário, das duas vezes, nada complicado, mas imaginativo, cria-se o ambiente necessário ao desenrolar da peça. Em palco sente-se a tensão textual transpirada na emoção de cada frase e traduzida na voz e nos gestos dos actores que incorporam as personagens. A cada momento, o espectador é arrancado da cadeira da sala ficando preso ao desenrolar da trama, num clima contínuo de tensão que nos faz encarar uma realidade transportada para o palco que nós - espectadores - fazemos por ignorar, talvez por ser demasiado dolorosa, na vida. É confrontando-nos com os nossos receios mais íntimos e expondo-nos perante a escondida verdade dolorosa de situações marginais da nossa sociedade, despindo a cruel realidade de preconceitos, e mostrando-nos o seu lado humano mais íntimo que esta encerra, que Companhia Teatro, através de excelentes desempenhos, nos abre as portas para uma real reforma das mentalidades. E nada melhor do que a arte para nos fazer abrir os horizontes fortemente cerrados à maioria das pessoas da nossa sociedade. A realidade não passa disso mesmo: de uma maneira diferente de encarar as situações que nós teimamos em considerar marginais mas que são tão-somente humanas. Mas só evolui quem tem boa vontade, que verdadeiramente quer… e nada podemos fazer por aqueles que não querem ou não conseguem evoluir. Pelas fantásticas tentativas, está de parabéns todo o elenco desta Companhia de Teatro e passo a citar: Rute Lourenço (excelente actriz, duplamente presenteada com um prémio nacional de teatro), a e as excelentes Goretti Meca (actriz), Catarina Pinto (actriz) e Rafael Vergamota (actor) e, no excelente trabalho de bastidores, Rafael Vergamota (encenador), Tiago Reis (sonoplastia) Josué Domingos (carpintaria).

Vale a pena ir ao teatro e constatar como é bom o trabalho que se realiza em Portugal e que tanto contribui para nos engrandecer enquanto nação!



publicado por fatimanascimento às 14:17
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Domingo, 6 de Dezembro de 2009
Uma simples peçazinha de teatro

  Uma pequenina peça de teatro foi escrita por mim, no primeiro Natal que passámos sozinhos, os quatro - eu, e os meus três rebentos de onze, oito e alguns meses apenas - pelo menos para os mais velhos. Foi há oito anos atrás. Lembrei-me de a escrever para eles, a fim de a representarem na noite de Natal, para a família que mais não era do que os meus pais. Eles não andavam nada animados, e pensei que a peça lhes desse algum alento. Nada complicado para eles que não eram muito bons leitores e para quem a ideia de memorizar um texto não agradava nada. As ideias para o cenário começaram logo a surgir, numa torrente ininterrupta de ideias que se entrechocavam entre os dois mais velhos. Eu observava aqueles olhos retomarem o brilho que haviam perdido, por algum tempo. Ensaiaram algumas vezes, excitados por representarem essa peça para os avós. A sala era o nosso espaço. Depois de a mobília ter saído, ocupámo-la com as nossas imaginações, decorando-a ao nosso gosto. Como nos sentíamos bem ali, observando na escuridão, os  efeitos intermitentes das vivas luzes amarelas da árvore de Natal ... as nossas mentes voando acima de tudo o que era matéria... mas depressa algo os empurrava para a terra. Os olhos infantis murchavam, por alguns momentos, para logo retomarem a luz que deles se perdera. Durante um desses  ensaios, apareceu o Luís, amigo dos meus filhos e companheiro de aventuras do Bruno e da Maria, que agarrou a ideia de participar na peça. Criei mais uma personagem... Inês, na sua cadeirinha, seguia os seus movimentos com os olhos atentos. O cenário continuava a ser o motivo da disputa dos mais velhos que o imaginavam, cada um, à sua maneira. Eu olhava-os divertida. Não é preciso muito para colocar luz nos olhos das crianças... Mas a peça nunca foi representada. Desavenças entre os três por motivo da distribuição dos papéis, fizera com que o teatrinho morresse nas páginas de um ficheiro do computador.

  Um dia, lembrei-me que esta minúscula peça poderia servir a alguém interessado. Poderia ser utilizada por infantários, escolas primárias, lares de idosos… uma vez que o pequeno texto não seria de difícil memorização. Depois, os cenários poderiam existir ou não, enfim, era uma pequenina peça mas com muitas potencialidades. Qual não foi o meu espanto, quando percebi que dois meses antes da época de Natal, a partir mais ou menos de Outubro as visitas ao blog aumentavam consideravelmente chegando a ultrapassar a centena de visitas diárias (119 visitas hoje!). O que mais me espantou é que, embora a maioria dos visitantes seja proveniente dos mais diversos pontos do país, continental e insular, e do Brasil, também há alguns das ex-colónias africanas, de alguns países da Europa e da América do Norte! E ainda não estamos na época natalícia! Depois dela, a procura adormece para acordar novamente, sobretudo a partir do mês de Outubro!

  Fico contente por esta procura. Fico sobretudo contente por poder ser útil!

 

 

Para os interessados fica aqui o link: http://teatrinho.blogs.sapo.pt e para os menos entendidos basta irem ao google e escrever a palavra “teatrinho”. Ele leva-os lá.

 

 

Fátima Nascimento


publicado por fatimanascimento às 09:44
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Sexta-feira, 24 de Outubro de 2008
O desempenho dos nossos actores

A nova maneira de representar

 

 

Sempre adorei os filmes portugueses onde actores inesquecíveis desempenham brilhantemente papéis fulcrais nos filmes que ainda se revêem com prazer. Lembro-me de seguir o fio do enredo com tanto prazer quanto se pode tirar de um filme. Eles encantavam com a sua interpretação tão viva e natural. Os actores vestiam a pele da personagem como se da sua própria se tratasse não se conseguindo distinguir a fronteira entre o actor e a personagem. Porém, e alguns anos após tão fantásticas interpretações/ representações, parecíamos haver caído num espécie de representação que em nada se assemelhava àquilo que havíamos conseguido fazer com aqueles maravilhosos actores que todos conhecemos e adoramos ou à vida real. Parecia querer-se fundar uma nova escola e tentar uma nova espécie de interpretação que nada tinha de natural ou espontâneo. Foi aí que eu me desliguei das artes dramáticas. Nada me diziam. Ainda me lembro do furor das telenovelas brasileiras que vieram, de certa forma, colmatar a sede e a fome de boas representações que havia naquela época. Eu não me revia, em nada, naquela forma portuguesa de representar e quando falavam das diferenças entre a brasileira e a portuguesa, era sempre esta que perdia no que à minha bitola dizia respeito. Desde pequena que devorei sempre os filmes norte americanos com a sua forma brilhante de representar e sempre estranhei esta forma portuguesa de representar. Mas havia quem a justificasse e até a defendesse quando trocava ideias com pessoas mais ligadas às artes. Eu, na minha simplicidade, não compreendia como, e após se ter atingido um memorável apogeu de boas representações, havíamos caído numa forma tão particular de representar que nada me dizia. Sempre fui e sou da opinião que há que melhorar tudo quanto fazemos mas para tentar uma nova via na representação é preciso estar certo de que é essa a melhor forma de representar. Para mim, uma boa representação/interpretação é aquela que se parece à vida real, confundindo-se com ela. Lembro-me de uma célebre actriz portuguesa, numa entrevista ter manifestado a sua opinião tão parecida à minha, também ela não aceitava uma representação que se desmarcasse da vida real mas como em tudo neste país, também ela dizia que iria levar algum tempo até se perceber ou aceitar que a representação não poderia ir nesse sentido. E tanto que não podia que faliu. Agora, temos umas produções que, juntamente com umas interpretações brilhantes pregam pessoas às televisões que seguem a ficção portuguesa com muito interesse. Esta forma de representar natural, que se assemelhe à vida real, não só válida para os filmes ou para as telenovelas, é também válida para o teatro. Para mim toda e qualquer forma de representação tem de ser dotada da naturalidade e espontaneidade capaz de se confundir com a vida real. Só assim ela será credível.

 



publicado por fatimanascimento às 20:27
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