opiniões sobre tudo e sobre nada...

Segunda-feira, 28 de Setembro de 2009
Só acontece aos outros?

As aulas de Formação Cívica são, muitas vezes, encaradas pelos alunos como uma forma de passar o tempo e de sobrecarregar o seu horário já tão preenchido. Estamos no início do ano lectivo. A abordagem à disciplina tem de ser forte. Foi o que fiz. Começámos por fazer uma abordagem à designação, interrogando-nos sobre o seu significado, abordando mesmo singularmente cada palavra que a compõe. Depois, varremos a nossa sociedade e passámos a nossa vista sobre todos os acontecimentos nacionais e mundiais para chegarmos à conclusão de que vivemos numa sociedade onde a insegurança predomina. E esta insegurança não se combate com polícia! Descemos um pouco mais ao interior das questões para perceber que nem a polícia está acima de suspeitas! Tudo isto provado em casos do conhecimento geral. Do geral passámos às experiências pessoais também reveladoras da sociedade em que vivemos. Percebemos a nossa fragilidade perante as ameaças que infestam a nossa sociedade. Ninguém está livre de que lhe aconteça o mesmo que aos outros. Ninguém é mais esperto que ninguém. Todos estamos sujeitos ao mesmo. Procurámos encontrar soluções pessoais capazes de acautelar e evitar que problemas desses nos afectem. A resposta foi elucidativa, ninguém está preparado para enfrentar o mal que fustiga as sociedades humanas à escala mundial e que todos conhecemos. Pelo menos conhecemos alguns. (Haverá outros que desconhecemos?) E destes que conhecemos, há sempre métodos desconhecidos utilizados para apanhar a presa. A melhor é apanhá-la isolada. É a selva revivida na nossa sociedade. Nunca viram aqueles documentários sobre animais onde os predadores isolam a vítima para a caçarem, enquanto o resto da manada foge com medo e indiferente ao que acontece abandonando o seu membro à sua sorte? Aqui acontece o mesmo. Só com uma diferença – os animais matam para comer. Nas sociedades humanas vive-se à custa da escravidão e esta tem várias facetas! O objectivo? O dinheiro. Alguns sobrevivem também à custa do próximo. À questão sobre o que deveriam fazer, ficar fechados em casa sem poder sair? Nem pensar! Não nos é permitido! Temos de seguir vivendo olhando sempre por cima do ombro e com cautela redobrada porque os golpes vêm, muitas vezes, das pessoas de quem menos desconfiamos. Temos de continuar, sim, arriscando. Porque cada dia que passa é um risco que corremos. O que não lhes disse, porque já passava da hora e estavam já atrasados para a aula seguinte, é que a diferença está em nós. Naquilo que escolhemos fazer, nas atitudes a tomar…Nós podemos fazer a diferença. Mas também não é fácil, se olharmos ao destino trágico de todos aqueles que fizeram, de alguma forma a diferença. À questão sobre a necessidade deste espaço semanal, de quarenta e cinco minutos, responderam afirmativamente. Dá para pensar…



publicado por fatimanascimento às 20:55
link do post | comentar | favorito

Quinta-feira, 6 de Setembro de 2007
À coragem dos repórteres fotográficos....

 

Sempre que preciso de uma foto para ilustrar o tema sobre o qual escrevo, recorro ao trabalho de repórteres fotográficos que percorrem o mundo, mostrando dele o melhor e o pior que acontece um pouco por todo o lado. Para além do amor à fotografia, há também toda uma dedicação ao trabalho e à verdade, procurando registá-la em imagens que gravam para sempre, determinado momento desta longa e atormentada história humana. Estes homens chegam a arriscar a própria vida, entrando em determinados locais proibidos e perigosos só para captar imagens que testemunhem a veracidade das palavras daqueles sobreviventes corajosos que contam os horrores só registados pelos seus olhos. Só eles, com a sua coragem como arma, e a sua máquina fotográfica incansável marcadora de registos de horrores humanos, conseguem com poucas imagens o impacto que milhares de palavras não atingem. Nas palavras há sempre a dúvida, nas imagens há a verdade incontestável. Estes homens trocam a vida confortável e a segurança das suas vidas, e temporalmente, as suas famílias por outras que também precisam deles. E há cada registo que dói, fundo na alma, pela evidência do sofrimento e do desespero captados nos gestos, nos olhares, nos rostos de todos aqueles a quem tocou viver experiências que ultrapassam a capacidade de compreensão humana. A intenção destes homens é a de acordar os nossos espíritos adormecidos pela rotina da vida para o que se passa no mundo do qual nós também fazemos parte, e a intenção deles é a de acordar os povos de todo o mundo para a necessidade de se fazer ouvir no sentido de ajudar não só todos os seres afectados por esses horrores, criados pelos seus semelhantes, mas também para ajudar a modificar e até evitar estas situações no futuro. Mas a consciência humana parece ter arranjado mecanismos para ultrapassar estes choques originados pelas imagens e, após uma certo tempo, voltam a adormecer, como se nada se tivesse passado. Depois, há que contar também com o esquecimento que se segue sempre a esse estado de indiferença. Mesmo sabendo disto, estes homens continuam a sua incansável batalha de acordar as teimosas e indiferentes consciências tão fracas e manipuláveis. A minha admiração pelo seu arriscado trabalho que, muitas vezes, lhes custa não só a própria vida como também a vida das suas próprias imagens que não chegam aos olhos das adormecidas consciências.



publicado por fatimanascimento às 05:32
link do post | comentar | favorito


mais sobre mim
Julho 2018
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9
10
11
12
13
14

15
16
17
18
19
20
21

22
23
24
25
26
27
28

29
31


posts recentes

Só acontece aos outros?

À coragem dos repórteres ...

arquivos

Julho 2018

Outubro 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Agosto 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Novembro 2006

tags

todas as tags

favoritos

A manifestação de Braga

links
blogs SAPO
subscrever feeds