opiniões sobre tudo e sobre nada...

Sábado, 9 de Outubro de 2010
Revisão Constitucuional

Depois de 25 de Abril, lembro-me de ter ouvido dizer que ficámos com uma das constituições mais justa do mundo inteiro. Tinham-se ganho muitos direitos que, até então, tinham sido proibidos por lei. Houve quem dissesse até que tínhamos uma das mais avançadas da Europa em termos sociais. Por que é de sociedade que é feito um país, onde vive um povo, estratificado ou não, não deixamos de ser farinha do mesmo saco ou seja, ninguém é melhor do que ninguém. Todos nós nos reduzimos a dois actos que nos mostram isso mesmo: o acto do nascimento e o da morte. Podemos nascer numa clínica de grandes recursos tecnológicos ou podemos ser enterrados em túmulos que parecem casas minúsculas com prateleiras de arrumação, mas o fim é o mesmo – o pó. Só durante vida nos ensinam uma sociedade estruturada em que uns fingem ser mais do que os outros. E tudo não passa disso mesmo – fingimento. Todos nós que nos encontramos neste mundo temos de encontrar um caminho onde haja lugar para todos. Socialmente isso não é possível. Quem teve a sorte (porque é de sorte que se trata) de nascer numa família endinheirada tem mais ou menos a vida garantida no que diz respeito à sua sobrevivência carnal, os outros não. Ora, se querem continuar a ter esses privilégios têm de olhar pelos outros que, quando chegaram já viram esse lugar ocupado. Restou-lhes um humilde lugar. Não tem nada de mal esse lugar ainda que pobre. O pior é quando essa sociedade que lhes é imposta não lhes garante as condições mínimas de sobrevivência a si e aos seus. E estas pessoas, largamente favorecidas pela sorte, têm o dever de olhar pelos demais. Não estou a falar de caridade. Longe disso. Sou da opinião que se “deve ensinar a pescar” e não a “dar peixe”. A não ser em casos críticos, como por exemplo em casos de fome. Todos aqueles que detêm o poder económico não devem deixar de respeitar os mais pobres, acusando-os, muitas vezes, de tudo e mais alguma coisa. Fazendo comparações a nível de inteligência, responsabilizando esta pela desigualdade. Não é verdade. É a sociedade desigual que encontramos e dois ou três indivíduos sem escrúpulos que conseguem enriquecer às vezes à custa dos bens alheios. O que não está certo é que depois do passo dado após o 25 de Abril se queira retroceder com pretextos para levarem o povo a crer que é o melhor para todos. (E isto sem uma consulta popular!) Ora, isto foi decidido sem lugar para negociações. Sejamos justos. A quem é que esta revisão constitucional vai privilegiar? Não é muito difícil de ver. Os trabalhadores e a sociedade em geral, sobretudo os mais desfavorecidos e sobretudo a classe média, vai pagar caro esta proposta de revisão constitucional caso ela venha a vingar. Quem faz uma proposta destas não pode ter uma ideia do que é viver neste país. Não tem ideia das dificuldades, não tem ideia de nada. A única ideia é a do capitalismo ganancioso que não olha a meios para atingir os fins. É a estes que a revisão constitucional vai proteger. Uma ideia: há tanto para fazer neste país a nível social, porque não começar por uma reforma social e, quando o país estiver mais equilibrado financeiramente, quando houver mais igualdade, então aí talvez se possa falar disso. Mas nem assim deixa de ser injusta, desleal e provocadora para aqueles que dão o seu melhor vestindo a camisola da empresa para a qual trabalha e que os abandona quando vêem a oportunidade de explorarem outros trabalhadores que, perante a extrema pobreza, se vendem por uma ninharia. Tudo isto com a conivência dos políticos. O capitalismo já deu com os burros na água, mas parece não ter aprendido. Parece estar mais ganancioso ainda. Dá-me a sensação que ele vai acabar com ele próprio. É uma espécie de escorpião que acabará por tirar a própria vida. Só que ele não consegue ver isso nem a classe política que só tem a ganhar aliando-se a eles. Talvez o recém-chegado à política deva ficar uns anos no banco até perceber o que se passa no país. Ou então, se querem ganhar eleições, terão de escolher outro líder. Este não convém ao país que temos.



publicado por fatimanascimento às 16:33
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Terça-feira, 22 de Setembro de 2009
Criação e revisão

O acto criativo é imperfeito, devendo sempre ser objecto de várias revisões. No acto febril da escrita o escritor acompanha a velocidade da inspiração sacrificando-lhe tudo o mais. Só depois de este estar realizado, ele poderá inclinar-se sobre o texto para o melhorar, tendo em conta todos os aspectos antes forçosamente negligenciados. Para tal, é preciso um distanciamento em relação ao texto que nem todo o autor tem ou consegue por mais que se esforce. E mesmo quando, e se, consegue esse distanciamento, há sempre aspectos/pormenores lhe escapam, por mais revisões que faça. Desta forma, é imperioso que alguém para além dele, confira o texto. E há pessoas que são muito boas a realizar esta tarefa. Para se fazer uma revisão em condições, é necessário o autor conhecer alguém de confiança, o que é difícil e às vezes mesmo impossível, que se digne a fazer tal tarefa. O ideal seria a editoras terem ao seu serviço pessoas qualificadas para tal, isto é, capazes de apanhar todos os pormenores que escapam aos autores, respeitando sempre o texto inicial, porque, muitas vezes a criação afasta-se das regras, o que nem toda a gente entende. A criação não tem regras, embora muitos se adaptem a elas. O acto de criação é de pura liberdade. Não dá para ser entendido de outra forma. (Quantas vezes, os autores, ao escreverem, escolhem uma determinada palavra no ardor do momento da criação, depois, não realizados com a mesma, voltam atrás, substituem-na por outra esquecendo-se de fazer o acordo com a nova palavra escolhida. Este é um exemplo entre muitos.) Nos dois primeiros livros por mim editados, não tive a sorte de ter alguém de confiança que pudesse fazer a revisão ou ajudar na mesma. Não conhecia ninguém. (As circunstâncias também não ajudaram. O furto de um dos contos, constante do primeiro livro, levou à precipitação da publicação do mesmo, uma vez que não se sabia o que o furtador tinha em mente.) Quanto ao terceiro, foi diferente, já tive a oportunidade de ter a ajuda preciosa de uns colegas que ao lerem o meu manuscrito apontaram algumas gafes que não detectei na minha revisão. Neste último, procedi à correcção via e-mail, e entreguei à editora para que procedesse à revisão. Depois de muitos envios e reenvios, verifiquei se a revisão tinha sido feita. Não verifiquei o texto todo, só algumas partes. Quando, finalmente, tive a coragem de abrir um exemplar e de o ler, verifiquei, horrorizada, que muitas das correcções, realizadas pelos meus colegas e por mim, não haviam sido feitas. Já havia solicitado à editora que me enviasse o programa da paginação para proceder, eu mesma, à correcção textual. Não me foi dado por razões que me pareceram justificáveis, mas o que se pode esperar é que o pessoal da editora o faça, pelo menos quando solicitado para tal. Algum e-mail, com as correcções, se deve ter perdido. Só isto explica que umas tenham sido feitas e outras não. O que foi pena porque o produto final estava bom.

A revisão é um trabalho necessário embora, na minha opinião, aborrecido. Prefiro mil vezes escrever um texto novo do que andar à caça do erro, seja ele qual for. Depois a falta de distanciação do autor em relação ao texto criado não ajuda. Esta consiste em entendê-lo como um prolongamento de nós, e estamos tão apaixonados por ele, (pela estória, entenda-se), que não conseguimos detectar as gafes. Todo o acto de criação é um acto de paixão, ou não teria sentido de outra forma. Leva algum tempo a arranjar a objectividade necessária para procedermos à revisão. E tempo foi o que me faltou nos dois primeiros. No terceiro, terá sido a perda de um e-mail… Assim ter-se-á de arranjar uma solução. Talvez a editora faça a correcção na segunda edição. Assim o espero…

 

Fátima Nascimento

 



publicado por fatimanascimento às 14:48
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