opiniões sobre tudo e sobre nada...

Quarta-feira, 24 de Abril de 2013
Profissão e trabalho

Toda a profissão requer trabalho. Todo o trabalho tem horário. Só há uma enorme diferença entre os empregos: enquanto uns fazem horas a mais e são pagos pelas mesmas, o que é ótimo e continuam, e há outros cujo trabalho se estende para além do horário normal e não é recompensado. Já houve uma época em que não era assim. Havia horas extraordinárias que poderiam ser ou não aceites pelo trabalhador. Agora, de repente, tudo se tornou obrigação. Mais trabalho sem respeito pelas horas mais dispendidas a mais para além do horário normal. Mas tal só acontece em certas classes. Vejamos. Os médicos negociaram mais horas extraordinárias em troca de um aumento de quinhentos euros. Os enfermeiros têm horas extraordinárias. Os professores universitários foram aumentados. Mas estes privilégios parecem só acontecer a certos profissionais. Há outros a quem isso é negado. O trabalho aumenta e a responsabilidade mas nada vem em troca a não ser exigência. Podemos dizer que a motivação sã os miúdos para os quais trabalha a classe mas as outras também têm a sua motivação – os doentes – e, ainda assim, são recompensados pelo excesso de trabalho sempre há necessidade para tal. Um colega meu retrocou que não lhe conseguiriam pagar todas as horas dispensadas à preparação de toda a atividade relacionada com o ensino. Talvez seja por isso que não lhe pagam. Não tem horários. Se se não contabilizam as horas não se pagam. Não se paga o que não se contabiliza. Mas o problema não reside só aí.        É a falta de respeito que existe pela classe que não vai desaparecer tão cedo. quando a classe se volta contra ela própria, não está a colocar em cheque este ou aquele profissional, todos os outros estão sujeitos ao mesmo tratamento, ainda que nada tenham a ver com o assunto, são todos tratados de igual forma. Assim, esta classe é responsável pela imagem que cria de si própria. Não sou das que acha que se deve esconder seja o que for, mas todos somos humanos e todos cometemos erros. Ninguém é perfeito, mesmo aqueles que se fazem passar por tal. O que se passa é que todas as classes profissionais cometem erros, o que acontece é que se protegem uns os outros. Conheço casos desses, Houve maus desempenhos. Um advogado percebeu isso num caso que se passou, percebi isso também, mas jamais admitiu isso na minha presença. Tem a ver com a imagem da classe. Só imagem… Outros casos com outros profissionais também são abafados em nome da classe. E, no entanto, as suas posições estão mais protegidas uma vez que metem mais respeito, pelo poder que detêm…

Nesta profissão ninguém consegue qualquer tipo de destaque pois é um trabalho de equipa. Quem quer ou deseja notoriedade terá de escolher outra profissão. Distinção, nesta profissão, só pela negativa.



publicado por fatimanascimento às 08:19
link do post | comentar | favorito

Domingo, 13 de Dezembro de 2009
Profissão e vocação

Ouvi há dias na rádio. A viva voz. Duas pessoas falavam do Rendimento de Inserção Social. Eram dois testemunhos. O primeiro falava da ajuda e da gratidão para com todas as pessoas que haviam ajudado no momento certo. Todo o bem que viera dessa ajuda e o sucesso garantido por ela. Não me escapou a gratidão demonstrada por aqueles que haviam sido essenciais na conseguida ajuda. Era, sem dúvida, uma história de sucesso, a todos os níveis. Não era só no aspecto financeiro mas também nas relações interpessoais estabelecidas entre ajudantes e necessitados. A voz, mais do que as palavras, testemunhava isso mesmo. O segundo testemunho falava de dois aspectos muito importantes não só da ajuda como das já referidas relações interpessoais. Falava da ajuda preciosa que, apesar de pouca, fazia toda a diferença na qualidade de vida da sua família. Este rendimento havia feito toda a diferença! As palavras utilizadas nesse testemunho revelava uma pessoa com uma certa cultura que traduziam também uma certa revolta – todo o triunfo conseguido pela obtenção do R. I. S. havia sido manchado nas relações interpessoais – mostrando o lado mais escuro do mesmo. Revelava a irritada voz que estava sujeita a uma espécie de fiscalização. As pessoas encarregadas desta, entravam em casa da pessoa interrogando-a sobre aspectos relacionados com as tarefas caseiras. E ela tinha de responder a questões como por exemplo “por que é que não tinha lavado a loiça ou o chão ou não tinha limpo o pó”, o que a irritava sobremaneira, pois via-se que, para ela, as “fiscalizadoras” nada tinham a ver com o assunto que ultrapassava claramente o seu foro. Pensando um pouco, e pondo-me na posição daquela voz, compreendo-a perfeitamente. O que não compreendo é o comportamento dessas pessoas. Não entendo como pessoas de formação académica, partindo do princípio que deverão ser assistentes sociais, não mostram um pingo de sensibilidade para com estas questões! Como se estas pessoas não tivessem já problemas que chegassem e alguns deles bem graves! Isto mostra que o curso não faz as pessoas! Elas não têm nada que se meter na vida das pessoas e tratá-las indirectamente como seres inferiores! Foi assim que se sentiu a pessoa entrevistada! Daí a sua queixa! Ou não teria abordado sequer a questão! E é preciso coragem para denunciar estes casos! Podemos mesmo interrogar-nos se tais pessoas terão de facto vocação para a profissão. E se compararmos o primeiro testemunho com o segundo, poder-se-á concluir que o sucesso daquele, se deve não só ao dinheiro, ficando também a dever-se à acção e sensibilidade dos intervenientes. Estes estão de parabéns! Aos outros intervenientes, esperemos que aprendam com a experiência. Se é que aprendem! Há coisas que nascem com as pessoas ou se adquirem com vivência. E, aparentemente, não foi o caso. Que este testemunho sirva de exemplo para que revelem mais tacto futuramente quando abordarem as pessoas mais desfavorecidas! Ou as denúncias aumentarão! Eu, pessoalmente, espero que sim!



publicado por fatimanascimento às 07:30
link do post | comentar | favorito

Quinta-feira, 15 de Outubro de 2009
A perigosa procura do vedetismo...

Toda a gente sabe que o vedetismo é efémero, mas não é por isso que as pessoas deixam de o procurar. É como se vivessem para esse momento. Como se não houvesse mais nada importante na vida. Só que, e como tudo, este desejo de vedetismo pode ser usado para o bem como para o mal. Há pessoas que tentam atingir esse objectivo com trabalho e algum talento. Contudo, outras há que o procuram com uma espécie de desespero tudo valendo para atingir o ambicionado fim – quantas vezes não vemos pessoas a acenar por trás dos repórteres! Este é um caso sem consequências. Depois, há outras que utilizam os meios de comunicação, também eles ávidos de sensacionalismo, (não todos, só alguns!) e notícias capazes de preencher as páginas ou alguns minutos de televisão. Há problemas que, antes mesmo de serem comunicados às entidades competentes, para possíveis e necessárias averiguações, são denunciados na televisão ou nos jornais. Embora aquela seja a preferida. Nestes casos, penso sempre no sentimento por trás de tal denúncia/atitude. Não estou a referir-me ao jornalismo de investigação por quem nutro um grande respeito, desde que seja realizado de forma séria. E não tenho razões para pensar o contrário. Este é mesmo necessário sendo só temido por pessoas que têm algo a esconder. O que não se compreende é como é que chegam primeiro aos meios de comunicação do que às autoridades competentes. Às vezes, há casos graves que, por falta de ouvidos, são expostos perante a opinião pública, porém outros há que não são mais do que má vontade contra a pessoa perseguida, e, perante o amorfismo dos companheiros, tudo manobram para conseguirem o desejado protagonismo. Não excluo os possíveis casos graves que devem ser denunciados. Só que devem fazê-lo às autoridades capazes de abrir um inquérito para averiguar a verdade dos factos. Numa classe como é a dos professores, não há ninguém que consiga destacar-se. É um trabalho de equipa e, para todos que vivem em função do vedetismo, saem forçosamente frustrados. E há muitos! Costumo defender que os doentes de vedetismo devem procurar um outro emprego capaz de lhes dar o realce pretendido. Então, por que escolheram o ensino? Não vamos pensar que todos os professores são assim! Não é verdade. Há os que têm um verdadeiro espírito de equipa e uma noção de solidariedade para com os colegas que é louvável, nos dias que correm e depois do que ficou atrás dito. São estes os professores não só do ano mas de todos os anos. Aqueles que ajudam a criar o bom ambiente capaz de transformar o trabalho em prazer. O primeiro levou-me à demissão forçada (desencadearam a caça à minha pessoa porque meteram na cabeça que eu era melhor do que eles!), o outro deu-me grandes alegrias e realizações profissionais. Já passei por ambos. De qual gostei mais? Adivinhem…



publicado por fatimanascimento às 09:59
link do post | comentar | favorito

Sexta-feira, 26 de Dezembro de 2008
Perseguição

Falando há um dia atrás com uma pessoa conhecida, de há muito tempo, e que insinuava que a minha saída do ensino poderia ter tido outros motivos que não os verdadeiros, resolvi, de uma vez por todas, esclarecer totalmente a situação.

Não vou contar tudo, porque seria impossível, mas algumas situações bastante elucidativas de situações impensáveis, pelas quais eu passei. Ao princípio, os colegas da nova escola, onde fui colocada, por destacamento, mostraram-se simpáticas. Pareciam uma família. Depois, à medida que o tempo foi passando, o cerco foi-se apertando à minha volta, buscando incessantemente um mínimo deslize para me prejudicarem. Nessa escola, eu tive uma turma de CEF, onde havia miúdos referenciados por vários problemas: roubos, droga, etc.. Como desde que entrei para o ensino tive sempre as piores turmas, expliquei que teríamos de agarrar a turma para bem deles e nossa. Não seria possível. As turmas de CEF eram olhos do Ministério da Educação, pelo que não se tocaria nos meninos. Quando diziam alguma coisa no sentido de os intimidar, logo desdiziam porque afinal, as coisas até não se passavam assim. Vi o Director da turma atrapalhado, dizendo que daria o dito por não dito, e que seria comunicado aos miúdos que tudo não tinha passado de uma brincadeira. Isto durou até ao meio do ano lectivo, quando começaram a chegar notícias de suspensões e até de expulsões de outras escolas, relacionadas com as turmas de CEF. Foi aí que começaram, então, a ser severos com os alunos. Numa actividade organizada por mim e por outra colega, eu levei essa turma de CEF, ocupando lá a nossa hora e meia lectiva. Um cesteiro dava-lhes uma ideia de como se fazia as mais diversas peças em verga. Um deles brincava, de vez em quando, com uma verga, fazendo cócegas na cara ao senhor. Quando o chamava à atenção, ele parava, para continuar assim que me distraía. Perguntei ao cesteiro se ele o estava a incomodar. Respondeu-me que não, que eram miúdos… Passado pouco tempo, realizou-se um conselho disciplinar, e do relatório constava essa situação supracitada. Fiquei estupefacta. Perguntei ao conselho de turma, ali reunido, como era possível constar tal situação, se eu não havia feito participação disciplinar da ocorrência. Um membro do conselho executivo respondeu que alguém assistira e resolvera incluí-la no relatório. Haviam passado por cima de mim para atingirem o aluno! Em quase vinte anos de ensino, nunca experimentara nada assim. Ainda durante essa actividade, eu levei outra turma de oitavo ano. Os miúdos adoraram. Uma das miúdas disse-me que iria pedir à professora de inglês para continuar lá. Qual não foi o meu espanto, quando vejo entrar a professora dessa disciplina pela biblioteca dentro, (estávamos em pleno mês de Junho) gritando com os miúdos e questionando o que faziam eles na biblioteca àquela hora. Tinham falta colectiva e rematou com uma pergunta que não passou despercebida "Quem os trouxe para aqui?” Percebi que ela chegara finalmente ao ponto que a levara até ali. Voltei-me para os miúdos e disse-lhes que não temessem porque eu, como responsável, assumiria essa hora, colocando um artigo 102. Alguns alunos recusaram a minha proposta. Alguém me dizia “Deixe lá, professora, nós já não gostávamos nada dela, e agora é que ela não tem mesmo hipótese!” Finalmente, a Directora da Turma resolveu o problema ignorando o sumário onde constava a informação da falta colectiva dizendo, muito diplomaticamente, e a medo, que não lia sumários só tirava faltas, dando assim por terminado um escândalo que ameaçava galgar os muros da escola. Finalmente, arranjaram-me uma falta injustificada, que me foi comunicada dezassete dias depois. Por tudo isto, e não é tudo, e apercebendo-me do tipo de inimigo que tinha pela frente, achei que, por muito que me custasse, tinha de sair dali, porque a perseguição assumira proporções que há muito ultrapassara aquilo que seria razoável. Percebi que nem tudo depende só de nós. Não há nada a fazer, quando as pessoas colocam na cabeça que alguém é melhor do que elas, podendo mesmo até nem ser verdade, mas quando isso acontece, a inveja faz despoletar todos os mecanismos, capazes de prejudicar seja quem for. Aos miúdos fica o meu abraço, aos colegas daquela escola, o meu esquecimento.

 



publicado por fatimanascimento às 12:46
link do post | comentar | favorito


mais sobre mim
Julho 2018
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9
10
11
12
13
14

15
16
17
18
19
20
21

22
23
24
25
26
27
28

29
31


posts recentes

Profissão e trabalho

Profissão e vocação

A perigosa procura do ved...

Perseguição

arquivos

Julho 2018

Outubro 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Agosto 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Novembro 2006

tags

todas as tags

favoritos

A manifestação de Braga

links
blogs SAPO
subscrever feeds