opiniões sobre tudo e sobre nada...

Terça-feira, 4 de Novembro de 2008
A importância da visão das pessoas que estão à frente de um município

Há pouco tempo, e sabendo que a Biblioteca Municipal de Torres Novas estava encerrada, e a outra ainda não abrira, dirigi-me à Câmara Municipal, para perceber a forma correcta de poder fazer chegar às mãos certas, o livro que decidira oferecer. Depois de alguns despistes, lá tive a sorte de encontrar uma senhora muito simpática que me indicou o caminho do novo edifício, junto das piscinas. Lá consegui entrar em contacto com eles, e realizar a tarefa que me levara até ali.

Olhando para Torres Novas, há muitos anos atrás, e olhando para esta localidade, agora, verificamos que muito se fez e que muito se faz. Sempre defendi que a evolução de uma localidade depende da visão da pessoa que está à frente do município e Torres Novas é a prova viva disso mesmo (independentemente da cor política dos autarcas!). Desde sempre me dei conta, e apesar de todos os problemas que pudessem existir, que esta localidade teve sempre as infra-estruturas necessárias que evitavam deslocações desnecessárias a outras. As piscinas, inauguradas em 1974, foram o local onde aprendi a nadar, (eu e as minha colegas fomos estreá-las) no seu estádio eu contactei com o desporto nas suas mais diversas modalidades, foi no seu hospital que eu fui operada às amígdalas, foi na sua biblioteca que eu procurei os livros que não encontrava, foi na garagem de autocarros que eu enfrentei as minhas primeiras viagens, foi no mercado que eu fiz as compras e foi nas suas escolas (e colégio!) que eu estudei… Não é por acaso que, já naquela altura, e ainda agora, Torres Novas se encontra muito bem apetrechada, assim haja vontade para aproveitar todos os recursos disponibilizados. Conversando com o director da nova biblioteca, e após uma visita guiada por ele, que muito agradeço, tive ocasião de me aperceber, uma vez mais, que se trata de um edifício criado com visão que vai valer de muito a esta localidade. Mais uma vez a visão que falta a muitos políticos com cargos altos dentro do aparelho do estado, encontra-se noutros: temos biblioteca que poderá satisfazer a população mesmo daqui a uns anos. E isto é importante, porque parece integrar-se dentro de um projecto global que é a meta que se pretende atingir para uma determinada localidade. É a isto que eu chamo visão. Não se pode pensar só nas necessidades actuais mas é também importante conseguir vislumbrar essas mesmas necessidades daqui a uns anos. É claro que também se encontram erros, e estou a lembrar-me de um crasso que é a localização dos novos campos de ténis. Entre outros problemas, esqueceram-se de um factor importante, e segundo um amigo meu, ligado ao mundo do ténis - o vento! Mas também isto tem resolução desde que haja vontade, uma vez que o sucesso de um projecto está intimamente ligado ao uso que a população faz dele. Depois, há muito que fazer para a promoção de um espaço, seja este ou qualquer outro. E o sucesso pode (e deve!) também passar por aqui - a animação dos espaços. E há muito a fazer: a realização (e até a criação) de campeonatos, a criação de escolas de desporto, etc., sempre devidamente publicitados, poderá ser um caminho certo para conseguir a afluência necessária à animação de todos os espaços. E não esquecer que a animação deve estar programada para todo o ano…

 



publicado por fatimanascimento às 20:17
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Sexta-feira, 19 de Setembro de 2008
Um país ingovernável?

Mais um ex-ministro a queixar-se do nosso país…

Pois é… ao que parece o problema parece incontornável. O poder e influência do dinheiro falam mais alto que as pessoas escolhidas pelo povo para o representarem e governarem o país. Neste caso, estão em causa não só as indústrias farmacêuticas como as próprias farmácias que ditam as leis que os governantes têm de cumprir, ao que parece, eles não têm outro remédio, ao que parece. Se olharmos para o lado, vemos o braço de ferro entre o governo e as gasolineiras no que respeita ao preço dos combustíveis… isto só para não irmos mais longe. Estes são só os casos mais recentes. Isto leva-nos a colocar uma questão pertinente: quem manda neste país? Onde está a autoridade? Já se sabe que governar não é fácil, e que se encontram muitos obstáculos pelo caminho que acabam por criar o desgaste que o ex-ministro da saúde se queixava. É de louvar a entrevista que deu, para além da coragem que teve, desmascarando o que se passa realmente neste país. O que esperam os denunciados? Que o povo esqueça e siga em frente como se nada acontecesse. O povo, por seu lado, não sabe o que fazer. Tendo grande parte da população uma idade avançada e sendo ela dependente de medicamentos para sobreviverem com alguma qualidade de vida, e vendo-se enfraquecidos por um poder de compra, muitos deles, quase nula, pode dizer-se que os fármacos levam-lhes o dinheiro senão todo, quase todo, pouco lhes restando para fazer face aos gastos inerentes à sua sobrevivência básica: alimentação, água, luz… Muitos deles privam-se mesmo de alguns medicamentos para não ficarem a dever às farmácias. Mas não são só os idosos. Temos de pensar em todas as camadas etárias onde existem pessoas atacadas pelos mais variados problemas físicos e psicológicos estando sempre dependentes de medicamentos para viverem com alguma qualidade… vemos como somos importantes para as indústrias farmacêuticas e para as farmácias, no sentido do lucro que lhes proporcionamos. O que fazer para alterar este tipo de situação e conseguir um equilíbrio desejado que não prejudique tanto o lado do consumidor? Tudo depende da sensatez e da boa vontade de que vende, que parecem não reunir estas duas qualidades. Eles parecem passar por cima dos consumidores para se concentrarem nos milhões (ou mais) de lucro que representamos para tais empresas. Muita gente queixa-se da falta de ajuda do estado, talvez agora fiquem a saber que há mais responsáveis pela miserável situação em que vivem… Outra questão pertinente que se pode colocar é como nos vamos poder defender de tais interesses intransigentes e egoístas, quando os próprios membros do governo não são capazes de lutar contra tal má vontade? Em princípio seriam eles que nos deveriam defender, mas não conseguindo, eu tenho algumas ideias…

 



publicado por fatimanascimento às 09:30
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Domingo, 27 de Julho de 2008
A hipocrisia política

 

Há uns anos atrás, presenciei um caso que me chocou, numa reportagem televisiva. Haviam chegado aos EUA, os corpos de não sei quantos jovens mortos, já não me lembro onde. Vi a dor profunda e avassaladora estampada no rosto daqueles pais, como se lhes tivessem arrancado um órgão vital do seu corpo. Nunca esqueci aquelas imagens. A revolta de alguns pais inconformados com a perda dos filhos e os comentários pertinentes que foram, na altura, realizados pelos manifestantes, que ocupavam as imediações da local da cerimónia, empunhando cartazes. A população americana é, ainda hoje, um dos principais alvos deste tipo de perdas, devido ainda à política externa dos EUA.

Hoje, tudo isto regressou de forma violenta ao meu espírito, devido ao anúncio do regresso a casa dos soldados mortos, durante uma batalha (das muitas que tiveram lugar na Guiné), há muitos anos atrás, e cuja vala comum foi descoberta há pouco tempo, por um grupo de portugueses que se deslocou àquele país. É com uma grande emoção que presto homenagem àqueles jovens que, ao serviço de um governo despótico e ganancioso, perderam a vida; quero manifestar também o meu repúdio por aquele governo, que enviou aqueles e outros jovens, numa tentativa de subjugar aquele povo africano, inculcando-lhes a ideia de estarem a servir a pátria. Todas as pessoas que saibam usar a cabeça, percebem que, toda a intervenção dos nossos soldados fora das nossas fronteiras, nada tem a ver com os interesses dos portugueses, talvez até lutem contra os interesses deles, se olharmos ao esforço financeiro que isso implica na vida de cada cidadão, que luta, no dia-a-dia, pela sua magra subsistência, e que, para além disso, paga os impostos que são gastos nelas. Foi o que aconteceu no passado, é o que acontece presentemente e o que acontecerá, provavelmente, no futuro, uma vez que isto é um problema a nível mundial e não local. A população dos EUA está, neste momento, a par com outros países que se aliaram à política externa deles, a pagar a alta factura em termos de perdas de vida, para já não falar do dinheiro dos contribuintes, pagando muitos destes duplamente esta factura. A questão é: vale a pena fazer a guerra em países distantes, sob que pretexto for?

Eu, particularmente, não quero o meu filho envolvido em guerras a defender interesses particulares… quem os quer defender, pegue em armas e vá defender aquilo que quer para si, e não transforme esses interesses pessoais em pretensos interesses nacionais! Mas estes sabem que, enquanto houver pessoas dispostas a pagar, há sempre outras dispostas a matar! Pelo menos, que não enganem os jovens… embrulhando as verdadeiras razões num papel bonito, como se de um presente se tratasse! Que digam aqueles que se bateram em guerras e, ainda hoje, sofrem as consequências delas… tanto físicas como psicológicas.

 



publicado por fatimanascimento às 14:58
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Sexta-feira, 13 de Junho de 2008
Onde está a autoridade?

 

A autoridade tem de ser muito bem doseada porque, qualquer tipo de excesso, pode cair em muitas formas de despotismo. Nunca acreditei na autoridade e sempre defendi que o ser humano só poderá ser feliz na liberdade responsável, onde cada um conhece os seus deveres e os seus direitos para com o próximo. Mas estamos longe disto… A sociedade, tal como a conhecemos, está hierarquizada e o poder político concentrado nas mãos dos que governam, suportados por uma máquina partidária, maioritária ou não, que os apoiam. Neste contexto, todo o governo tem deveres para com aqueles que governam e estes sabem onde se dirigir (falo dos organismos públicos dependentes da administração estatal) sempre que têm algum assunto a tratar, seja ele de que natureza for. É nesta interacção população-estado que se fundamenta qualquer país, sendo aquele a única autoridade máxima reconhecida, a nível político, cabendo-lhe a administração dos vários ministérios que dele dependem. O problema é quando aparece outro tipo de autoridade, dentro do próprio país, baseada em fortunas resultantes do tráfico de estupefacientes. Estas fortunas apoiam milícias que defendem os seus interesses frente a outras que actuam no mesmo ramo. Estas rivalidades levam, muitas vezes, à morte de pessoas influentes, pertencentes a estas famílias, abrindo caminho a vinganças sucessivas que poderão nunca mais acabar. É o que se passou recentemente no México, onde uma população aterrorizada assistiu a uma quantidade de mortes gratuitas, realizadas pelas supra mencionadas milícias, que abatem pessoas, sobretudo representantes da autoridade, conotados com alegados favorecimentos a um determinado cartel da droga, e aterrorizam outras numa cidade mexicana, junto à fronteira dos EUA. Fala-se de corrupção, desconhecendo-se a real dimensão desta. O terror espalhou-se entre os cidadãos e todos têm medo de falar, devido às possíveis retaliações. Mesmo os repórteres têm sérias dificuldades em obter informações, por mais inocentes que sejam, sempre encobrindo a identidade das fontes. A própria população olha-se com desconfiança temendo a presença de possíveis informadores/espiões… Ninguém tem dificuldade em imaginar esta situação se nos lembrarmos dos filmes que retratam as famílias mafiosas do princípio do século passado, só que, aqui, está a população de uma vila no meio da questiúncula. Enquanto o governo está a milhares de quilómetros da região, os cartéis são uma realidade que está bem perto daquela população. Não basta defender a população enviando um contingente de tropas, há que terminar com o poder dos cartéis, para evitar as retaliações à população. Agora, algumas questões se colocam: quem terá coragem para fazer frente a estas poderosas famílias ligadas ao narcotráfico? O governo?  Quem se candidata a ser um alvo das milícias desses cartéis ou de um atirador comprado? Onde está a autoridade capaz de combater o foco do problema e recuperar a segurança da população? Até onde grassa a corrupção? Esta situação não interessa a ninguém, nem ao governo, nem aos próprios narcotraficantes, que também perdem, mas quem mais sofre é a população indefesa, apanhada no meio… todas estas demonstrações de força não serão também uma forma de despotismo? O medo que se vive não é típico de uma sociedade despótica? O despotismo não existe só na sua forma política… e tem de ser combatido por todos.



publicado por fatimanascimento às 07:53
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