opiniões sobre tudo e sobre nada...

Segunda-feira, 11 de Fevereiro de 2013
Medicina: um negócio lucrativo?

A medicina é um negócio lucrativo. Se assim não fosse, não haveria tantos interesses rodando a privatização de hospitais ou criando outros com este fim. Na localidade onde me encontro, não há hospital, só um centro de saúde sobrelotado. Há contudo um hospital, mas é privado. Só as pessoas utentes de cartões ligados a seguradoras poderão ter acesso a ele, mas pagando um custo bastante alto para ser consultado… e só. Quando lá fui, acompanhando um colega, percebi que tudo ali se pagava. É assustador, para quem não tem dinheiro. Na sala de espera, só umas inglesas idosas esperavam para ser consultadas. À saída só uma senhora portuguesa portadora da maior quantidade de cartões que alguma vez vi na vida, esperava impaciente. Sim, já se nota a diferença de cidadãos de primeira e de segunda. A saúde, ainda que privada, tem sempre clientes: os mais ricos. Uns quilómetros mais à frente, um centro de saúde com muitos clientes e pouco espaço para tanta gente e uma espera longa, com crianças misturadas com adultos. Uma senhora grávida, agitava-se aflita e quase desesperada com a espera a que estava destinada. Mas embora poucas e dadas as dificuldades, ainda temos uma forma de nos podermos socorrer em horas de aflição. Não podemos é deixar que acabe. Já que pagamos a saúde sob a forma de impostos, que tenhamos acesso a ela. Agora, temos é de exigir uma saúde proporcional ao que pagamos por ela. Sobretudo exigir transparência quando percebemos que a Segurança Social é alvo de buracos financeiros (e ao que parece não é só de agora) e exigir ser servidos como merecemos enquanto contribuintes. É para a saúde e bem-estar dos nossos compatriotas desempregados. E deve durar enquanto durar o desemprego. Não é culpa dos trabalhadores o desemprego, muitas vezes, é uma consequência da ganância de certos empresários que nada devem a este nome. A saúde e a segurança no desemprego é uma prioridade num país onde a pobreza grassa como uma doença contagiosa. Não nos podemos deixar iludir com cartões que não podemos pagar. A saúde, desde que descontamos para ela, é um direito que nos assiste. Deixar terminar a Segurança Social é terminar com o pouco que temos em troca do muito que damos. E nem sabemos para onde vai o nosso dinheiro descontado. Porque o dinheiro dos nossos descontos não é dos que o gerem, esses lidam com dinheiros que não lhes pertencem. Acho bem que não se esqueçam disso. Sempre podemos exigir prestação de contas. Uma que todos possamos compreender. E sempre há as queixas na polícia judiciária contra os “Toninhos”* deste país.

 

toninhos=vigaristas



publicado por fatimanascimento às 19:51
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Quarta-feira, 25 de Junho de 2008
Concorrência activa

 

Um dia destes, fui abordada, no parque de estacionamento de uma grande superfície, por um senhor, ao serviço da concorrência, que me pediu se poderia dar uma vista de olhos ao meu talão de compra. Ao princípio, fiquei um pouco indecisa, devido à inesperada, e algo insólita, situação. Foi-me explicado que o supermercado, de onde acabava de sair, não autorizava o acesso ao regime de preços praticado por ele, pelo que o senhor se via obrigado a deslocar-se nas imediações do mesmo, para realizar o trabalho encomendado por outra empresa do mesmo ramo. Compreendi a situação do homem, entalado entre duas empresas: uma que o incumbira de uma missão e esperava resultados, a outra, que não o autorizava a desenvolver o trabalho. Facultei-lhe o meu curto talão, da qual ele tomou algumas notas, numa folha A4, de onde sobressaía uma tabela desenhada a negro. Agradeceu e afastou-se, debaixo do sol escaldante, daquela tarde de Junho.

Arrumei os imensos litros de água que comprara, e que dava para encher uma banheira, e, durante a viagem de regresso a casa, pensei no que acontecera, naquele parque de estacionamento. Não está em causa a abordagem do senhor, que se limitou a cumprir ordens, mas a empresa que está por trás dele. Embora o país esteja a passar por uma crise enorme com todo o desemprego, salários em atraso, baixos vencimentos que não suplantam a subida do custo de vida, entre outros, e as empresas só se preocupam com os preços praticados pela concorrência. Todas as grandes superfícies, e não só, devem ter registado uma quebra de vendas, mais ou menos importante, e falo por mim, que me limito a comprar os produtos estritamente necessários. Agora o que eu penso, é que as grandes superfícies devem ajustar os preços à realidade social que temos, e não continuar na velha filosofia de tentar superar a concorrência em termos de preço, no sentido de lhe retirar clientela ou de evitar que a concorrência lhe tire clientes. Esta velha filosofia só tem, para mim, razão de existir, quando estamos perante uma sociedade sã, em termos financeiros, o que não é o caso…

As mentalidades custam mesmo a mudar, até no ramo comercial, onde o modo de operar, indiferente à dura realidade social, continua a ser o mesmo e com o mesmo  objectivo – o lucro.

 

Fátima Nascimento



publicado por fatimanascimento às 19:00
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