opiniões sobre tudo e sobre nada...

Sexta-feira, 29 de Maio de 2009
O real mérito de Susan Boyle!

Foi uma verdadeira explosão cujo eco se repetiu até aos confins do mundo! Eu, que vivo um pouco alheada destas questões sociais, fui alertada por uma amiga que me contou resumidamente o que se tinha passado. Se não ouvira falar de Susan Boyle? Não, não tinha. Enviou-me um link para que pudesse descobrir o vídeo que a popularizou na internet, mais concretamente no Youtube. Acompanhei o vídeo com interesse indignando-me com a atitude do público presente, até dos membros do júri, cujo choque, em pleno rosto, dificilmente conseguiam esconder… Os produtores do programa, que já conheciam Susan Boyle e a sua surpreendente voz, fizeram questão de evidenciar a sua imagem física e a sua presença tímida, preparando já toda uma situação que rumava àquilo que eles pretendiam – o choque do público. Ela parecia perdida no meio deles, enfrentando uma exposição a que não estava habituada, dir-se-ia mesmo com vontade de desaparecer. Eles, com as suas piadas, procurando aparentemente descontrair a concursante… Até que chegou o momento da entrada em palco e toda a reacção pública já descrita. Eu própria, devo confessar, não sabia muito bem o que poderia esperar dela. Rezei interiormente para que tivesse algum trunfo escondido na manga que a salvasse de uma humilhante passagem por aquele concurso. Mesmo já conhecendo a história! E realmente tinha! Toda a sua personalidade se modificou assim que soltou a sua voz. A mulher tímida e quase apagada, que parecia encolhida em cima do palco, transfigurou-se exibindo a sua verdadeira personalidade. Quando terminou, voltou à mulher tímida e aparentemente insignificante, desejosa de abandonar o palco, uma vez concluída a sua actuação.

Interrogo-me se o seu real mérito estará unicamente na sua extraordinária voz! Julgo que, com o aparecimento de Susan naquele espectáculo televisivo, todos aprendemos a velha lição que parece nunca mais encaixar nas cabeças – não devemos julgar as pessoas pela sua aparência. Ao observarem aquela senhora de aspecto humilde e tímido, que escandalizou todos ao querer comparar-se à celebérrima Elaine Paige, logo ela de quem ninguém esperava nada de bom… todos pudemos observar o ar dos espectadores e do júri e ler nas suas caras interrogações do género “De onde saiu este espécime?” Pareciam mesmo escandalizados com o atrevimento de tal criaturinha! A forte e má impressão manteve-se até ela surpreender tudo e todos quando colocou no ar a sua encantadora voz potente que ondulava no ar ao sabor da melodia. Pergunto-me quantas Susan Boyle haverá por esse mundo fora desperdiçando um talento que ninguém poderá, alguma vez, e infelizmente, apreciar… e o mundo precisa tanto de surpresas boas como esta, para evitar continuar moldado por inúteis ideias preconcebidas.

 



publicado por fatimanascimento às 11:42
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Quarta-feira, 1 de Abril de 2009
À primeira vista…

As pessoas não querem pensar. Não é que não tenham tempo, simplesmente não se querem dar ao trabalho. Não perguntam, nem colocam outras hipóteses explicativas a qualquer situação presenciada. É aquilo, tem de ser… depois arranjam toda uma estória e incomodam todas as pessoas com as suas teorias. Estas são o tipo de pessoas que vêem chifre em cabeça de cavalo. Eu diria que o bom juiz por si se julga…

Tenho uma vizinha de quem gosto muito, e é para mim como se fosse uma filha e uma irmã mais velha para os meus filhos. Ela entra em nossa casa e sente-se como se estivesse na sua. Há toda aquela familiaridade que só certas pessoas conseguem. Gosto, sempre gostei, da maneira descontraída como ela entra em nossa casa e se dirige ao frasco das bolachas e se põe a conversar enquanto vai dando pequenas dentadinhas. Acontece, geralmente, quando está preocupada.

Um dia destes, a mulher do meu ex-marido veio buscar o meu filho a nossa casa. (Eu não estou cá durante parte da semana, já que estou a trabalhar no Minho.) Aconteceu, nessa altura, que a miúda vinha a caminho de nossa casa. Enquanto o meu filho ouvia as admoestações gritadas pela madrasta, que tivera de vir buscá-lo propositadamente a casa, (quando ela pensava que ele estava na casa dos avós maternos), ela foi entrando em casa, algo incomodada com a situação a que acabava, sem querer, de presenciar, da mesma forma descontraída com que sempre nos habituou e que tanto nós apreciamos. A senhora, ao presenciar a entrada da miúda na nossa casa, e sabendo que só o meu rapaz cá estava, começou a fazer um filme. Preocupou-se desnecessariamente e preocupou todos aqueles com quem tem confiança. Ela pensou que a moça era alguma rapariga com quem o meu rapaz poderia dormir. É daquelas pessoas para quem não existe amizade entre um homem e uma mulher e, alargado o perímetro, os jovens também estão incluídos na sua filosofia. Até porque ele está numa fase perigosa, segundo ela afirmou à minha filha mais velha, uma das confidentes por ela escolhidas. É claro que a minha filha ficou boquiaberta perante tal julgamento. Ainda tentou rebater aquela ideia, mas não conseguiu. Também não queria entrar em muitas explicações sobre o que se passava em nossa casa. Quando regressei, ela contou-me tudo. Por pouco não desatei às gargalhadas. Como era possível? Mesmo não sabendo o que se passava, ela deveria saber que as pessoas não são animais, podem ser monstros, mas não são animais. Há pessoas cujos laços afectivos ultrapassam essas necessidades básicas. Para este tipo de pessoas não… Eu não perderia tempo a escrever sobre isto se não soubesse que há mais pessoas por aí iguais, sempre dispostas a julgar os outros por aquilo que são.

 



publicado por fatimanascimento às 11:23
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