opiniões sobre tudo e sobre nada...

Sábado, 28 de Junho de 2008
Há educação e...educação!

 

Há uns tempos atrás, na conversa com um adolescente de 14 anos, ele contava-me que encontrara uma carteira no chão, junto de um canteiro, com cerca de cem euros em notas, quando passeava com quatro amigos. A carteira voltou para o sítio onde a encontraram, juntamente com os documentos, o dinheiro foi repartido por ele e os amigos. Contou a história com a fanfarronice que o caracteriza, gabando-se dela, como se de um acto heróico se tratasse. Fizeram-no sem qualquer problema de consciência: encontraram o dinheiro, era deles. Discordei do seu ponto de vista. Se eles haviam encontrado a carteira, era porque alguém a perdera e o dinheiro pertencia, por direito, ao dono da carteira. Vi a sua atrapalhação. Nunca ninguém o fizera ver o outro lado da questão. Estivera sempre à espera que concordasse com ele, de alguma forma, ou nunca me teria contado nada. Pensara ele na pessoa que perdera a carteira? Na aflição dela? Pensara, por acaso, que ela poderia ter, naquela carteira, o dinheiro para o resto do mês? Pertenceria a carteira a algum reformado, que necessitaria daquele dinheiro para os medicamentos? Porque não a entregaram, ele e os colegas, numa esquadra da polícia, uma vez que a identificação do dono estava nos documentos da carteira? Enfim, criei-lhe uma quantidade de situações, falando-lhe calmamente, que o deixaram algo incomodado. Multipliquei este adolescente por alguns milhares ou mesmo milhões, e tive a percepção do que espera a sociedade daqui a una anos, com filosofias de vida iguais a esta, já que os adolescentes de hoje são o nosso futuro próximo. Ele, e outros adolescentes como ele, consciente ou inconscientemente, estão a ajudar na construção de uma sociedade que alimenta as filosofias do “salve-se quem puder” e da “lei do mais forte” que, aliadas à firme convicção de que os seus procedimentos estão correctos, vão moldar estes adolescentes para sempre.  Pede-se, urgentemente, a intervenção dos pais junto destes adolescentes. O pior, é quando os filhos são o retrato vivo dos pais e vice-versa. Neste caso, pouco ou nada se pode fazer. O pouco fiz eu… pelo menos tentei!

 

Fátima Nascimento



publicado por fatimanascimento às 10:17
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Segunda-feira, 19 de Maio de 2008
O perigo de certos ideais

 

Acabei de rever o filme de Claude Leclouch, Les uns et les autres, que, como tantos outros filmes sobre o mesmo tema, me marcou profundamente. Como todos sabem o filme roda à volta da Segunda Guerra Mundial, e de todos os contornos marginais à própria guerra, como a tentativa de extermínio de certas etnias. O filme, tal como todos os que se debruçam sobre o mesmo tema, revela bem o sofrimento provocado nas populações pela consequência desses ideais, sem excepção. Não vamos pensar que todos os alemães eram nazis. Muitos daqueles que se manifestaram de alguma forma contra o regime ditatorial, sofreram as consequências, chegando mesmo alguns a pagar com a própria vida a sua audácia. Depois, com as consecutivas invasões, esse extermínio estendeu-se a outros países. O mesmo ambiente de medo e desconfiança, as denúncias…

Uma das boas razões porque se estuda a História, é não só para aumentar a cultura dos alunos, ou chateá-los com datas, pessoas que já morreram e factos passados, mas é, sobretudo, para podermos reflectir, enquanto adolescentes, e aprender com os erros do passado de forma não contribuir, no futuro, para a realização da sua repetição. Sobretudo ter a sensibilidade e a inteligência de ler os sinais que poderão contribuir com um retrocesso na História da Humanidade. Mas, para além da História, os documentários com os testemunhos das pessoas que sofreram os horrores físicos e psicológicos (e psíquicos!) dessa época, debaixo do domínio do regime nazi, e das directivas que o orientavam. Talvez, estes testemunhos na primeira pessoa sejam os que melhor traduzem todo aquele horror. Não esquecer os diários que sobreviveram àquela época e que corroboram em tudo o que os documentários revelam. Isto, para já não falar dos próprios soldados russos e americanos que libertaram os prisioneiros dos campos de concentração e que observaram presencialmente, e em primeira mão, o estado das pobres pessoas aprisionadas.

O que me admira são os novos movimentos, que se regem pelos mesmos ideais e que parecem ganhar, cada vez mais, adeptos, apesar da informação toda que existe. A acrescentar a isto, o que chega a ser incrível é a audácia de rejeitarem a própria História, chegando ao ponto de negar certos factos por todos já aceites como uma verdade inequívoca. Depois, o ódio e a violência inerentes a estes grupos assusta qualquer um, quanto mais pactuar com eles… Há certos ideais que têm de ser submetidos a uma séria reflexão, e há que pensar nas consequências reais deles, antes de serem abraçados pelos adolescentes e jovens. Há que pensar seriamente, porque nem vale a pena imaginar o que será uma sociedade submetida a tais ideais, pois disso já temos, infelizmente, exemplos bastante concretos e elucidativos e ainda não muito distantes no tempo.

 

Fátima Nascimento.



publicado por fatimanascimento às 10:13
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Sábado, 5 de Abril de 2008
Violência nas escolas

A violência é um problema à escala mundial, e é nesta perspectiva que deve ser sempre encarada. Depois, todos nós temos essa violência dentro de nós que precisa só de um contexto favorável para se traduzir, então, numa atitude mais ou menos violenta. Todos os dias entram em nossa casa notícias que mais não são do que manifestações de violência; e, se olharmos atentamente, a nossa sociedade, ela própria é o palco da manifestação dessa mesma violência. Há violência um pouco por todo, começando no próprio ambiente familiar, muitas vezes, ele próprio palco de forte violência, logo, não é difícil que este ambiente tenha eco nas escolas. A solução, se é que a há, para a violência está, na minha opinião, na educação e não na repressão. As escolas têm um papel fundamental no diagnóstico dessa violência, mas há que saber fazer a distinção entre indisciplina e violência, o que nestas idades, nem sempre é fácil, já que eles sentem mais do que pensam, pelo que muitas vezes essa violência vem associada a um sentimento exacerbado que termina numa manifestação de violência espontânea, só contida ou apaziguada na presença de adultos, (nomeadamente de auxiliares que devem controlar melhor os espaços do recreio). O diagnóstico deverá ser feito num observatório e, sendo a escola o local onde os adolescentes passam a maior parte do seu tempo, é o ideal, pois é nela que, quase sempre, acontecem manifestações de violência, dentro ou fora dela. Agora a espécie de violência é que deverá de ser bem identificada, o que implica o envolvimento de um profissional habilitado para fazer esse diagnóstico. O que sempre mais me impressionou sempre foi a violência fria e calculista nalguns adolescentes. Nestes casos, a escola já não dispõe de mecanismos suficientes para levar a cabo tal tarefa e, como não é uma instituição isolada do resto da sociedade, terá de, em colaboração com outras instituições preparadas para tal, de encaminhar os adolescentes para elas. Ainda me lembro de um assalto de contornos violentos, que teve lugar algures no norte do nosso país, estava eu nessa altura a trabalhar numa região do interior do país, quando vários colegas e funcionários me contavam que tinha sido perpetrado por antigos alunos daquela escola, e que eles tinham sido devidamente referenciados mas que nada tinha sido feito por eles, quando, naquela altura, já apresentavam fortes indícios daquilo que se viriam a tornar um dia. Eles haviam-nos reconhecido pelas fotos apresentadas por um canal de televisão. A tristeza e a consternação eram gerais. Uma colega não cessava de repetir que ela se havia farto de avisar os órgãos escolares responsáveis, mas que a sua preocupação não tinha encontrado eco. Quantos mais alunos iremos nós perder com esta passividade? Há que agir, e, na minha opinião, quanto mais cedo melhor… Temos exemplos, vindos dos Estados Unidos, em que professores trabalham somente com alunos de risco, resgatando-os a um futuro cinzento ou mesmo negro, contribuindo, desta forma, para a criação de uma sociedade melhor, onde cada um encontre o seu lugar e possa ser feliz. Será isto uma utopia? Não se houver boa vontade da parte dos responsáveis no sentido de modificar esta situação. Seria, talvez, esta uma forma de diminuir este tipo de violência ou mesmo de o erradicar definitivamente da nossa sociedade.



publicado por fatimanascimento às 00:10
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