opiniões sobre tudo e sobre nada...

Sexta-feira, 4 de Abril de 2014
Dizer o que se pensa
Dizer o que se pensa é fácil se vai de encontro àquilo que o nosso interlocutor defende. Está tudo de acordo! É a felicidade! Mas nem sempre é assim. E neste caso, o que acontece?
Li, algures, uma frase atribuída a Martin Luther king que dizia (não me lembro das palavras exactas, só da ideia) que, para termos inimigos não precisamos de declarar guerra, basta dizermos o que pensamos. Esta frase aplicada ao quotidiano, faz todo o sentido. Vivemos numa sociedade hipócrita em que todos vivem da imagem que querem projectar – salvas as devidas excepções. Assim, e para evitar problemas, todos optam por dizer o que agrada evitando o que se pensa realmente. E isto acontece em todos os campos da sociedade. Todas as pessoas preferem a lisonja à verdade. O medo e o interesse, maior ou menor, acaba sempre por falar mais alto. Quase todos cedem. E o que acontece a quem não alinha?
Raros são os que se dão ao luxo de dizer o que pensam. Não querem problemas! Não concordam, mas não dizem nada, limitando-se a ir na onda. Não interessa a ninguém e só traz problemas para quem o faz. A verdade vive para se esconder. Numa sociedade onde a maioria se rege por padrões pouco aconselháveis, quem sou para ir contra eles? Este pensamento castra qualquer tipo de acção. Aliás, há muito boa gente que defende que a verdade não existe, só a interpretação da mesma! Esta posição serve de calmante aos mentirosos e aos transgressores. Assim, em vez de se ajudar as pessoas a crescer, deixamo-las ficar presas no mundo leve da sua consciência ou falta dela. Também sabemos que quem não tem valores, não pode transmiti-los. E vemos pessoas (sobretudo garotos) a agir mal e, quando alguém lhes chama a tenção e o educador se volta e diz: “Oh, então e os outros?” O que há a fazer? Quem não consegue ficar calado, diz que cada um deve olhar para si, melhorando a sua própria conduta! As consequências? A irritação do interlocutor que não teve a última palavra! E percebeu que foi apanhado! Se acrescentarmos, a esta irritação, o ódio, temos então o caminho aberto para a possível perseguição! Esta pode ter várias faces: passa a descreditar-se a pessoa de todas as formas possíveis e todas são boas desde que atinjam o objectivo! Há alguém que goste de estar na posição de vítima quando o desequilíbrio entre perseguidores e perseguido é grande?
Mesmo quando nos pedem a opinião, há que ter cuidado para não se ferir susceptibilidades! A verdade pode levar ao afastamento das pessoas centradas na nossa opinião. É claro que só acredito na crítica construtiva, mas, ainda assim, não estamos livres de ser criticados pelas costas. Isto acontece com pessoas com alta opinião sobre si, o que nem sempre corresponde à verdade, ou os inseguros.
Não consigo também perceber alguém que comete um erro e, com o pretexto de ser família, a família apoia-o a todo o custo, sem alertar a pessoa para o inexistente valor do acto ou actos cometidos. Por esta ordem de ideias, ninguém, salvas sempre as devidas excepções, é obrigado a olhar para as suas próprias acções sob a perspectiva da verdade, mas só pela interpretação das acções, crescendo numa verdade transvertida.
Todos sabemos que quem não tem valores, ou os tem distorcidos, vai passar para a geração seguinte o fraco legado. Talvez por isso seja tão difícil mudar mentalidades!
Ninguém se importa com o ser centrando-se sobretudo no parecer! Daí vem o medo do mundo!


publicado por fatimanascimento às 11:37
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Segunda-feira, 12 de Janeiro de 2009
Falar de outros

Dizer mal tornou-se algo banal e parece querer alastrar-se a todos os aspectos da vida e, o que é mais grave, fala-se abertamente mal do que os outros fazem. Todos nós somos leitores e temos a nossa opinião sobre determinado livro que lemos, e, basicamente, gostamos ou não, por este ou outro motivo, e comentamos com amigos. Nada mais. Outra coisa é falarmos de um colega de profissão, falando da sua obra em termos depreciativos, e para mais, dizê-lo durante uma entrevista sua, e perante uma plateia de admiradores seus, e na presença de órgãos da imprensa…

Refiro-me a uma entrevista, que li recentemente, de um escritor português, de reconhecido mérito, e que conta com a admiração de muitos leitores nacionais e estrangeiros, para já não falar dos prémios nacionais e internacionais com que já foi presenteado. Nada tenho a dizer das respostas da sua autoria, não fosse uma única nota que colocou mau tom naquela entrevista, quando se referia a um outro escritor, nomeadamente ao último livro deste. Fiquei chocada porque, sinceramente, não esperava. E não esperava dele. E como na minha profissão, a minha posição foi sempre ajudar os outros, (mesmo quando terceiros falavam mal), ajudando-os, mesmo às escondidas, e outras vezes, com a cumplicidade de outros colegas, não percebo esta atitude, que não destoa, do que vulgarmente se passa por aí. Mas dele… eu não esperava isto. Não é por ser o escritor que é, porque sei que antes de sermos escritores, pedreiros, professores, actores, etc, somos, antes de tudo, pessoas. Eu não o conheço como pessoa, talvez tenha dito aquilo que realmente pensava, pois nunca me passou pela cabeça, o contrário. Só que não foi o momento, nem o sítio mais adequado para o fazer… Poderia ter esperado por um momento mais oportuno, onde pudesse falar calmamente com o escritor em questão e explicar-lhe porque não gostara do livro. Teria sido mais proveitoso. Também não sei a que se refere exactamente, quando diz que aquele é uma “m…”, mas não gosto de pensar que as coisas só têm uma maneira de ser feita, gosto mais de pensar que há mais do que uma, e que a literatura não é excepção. Depois, é só a sua opinião… e pelo número de volumes vendidos, há muitos leitores, seguidores do escritor visado, que gostam e que também precisam de ser respeitados. Sempre defendi que, independentemente da obra e do escritor que lhe deu vida, está também o gosto de um leitor, que por ser anónimo, passa despercebido, mas existe. Não vamos criar questiúnculas à volta daquilo que o outro faz, respeitemo-lo, simplesmente, gostemos ou não do que faz. Pelo menos publicamente.

 



publicado por fatimanascimento às 17:23
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