Talvez o que nunca consegui fazer. Sempre senti um apelo muito forte e solidário capaz de me envolver em causas humanitárias. Desde pequena que esse apelo me persegue. Houve uma altura em que andei mesmo confusa, sem saber exactamente o que essa voz, dentro mim, queria. Era estranho. Queria ter filhos, logo, seguindo as normas sociais, teria de casar. Por outro lado, sentia a humanidade do planeta Terra como família. Apelaria essa voz para a vida religiosa? Mas não me encantava a ideia de ficar fechada num convento a rezar. A minha natureza pedia algo diferente. A voz chamava-me para a vida missionária. Ainda pensei na Congregação de São José de Cluny, em cujo colégio estudava. Conhecia a história da Congregação e coloquei essa hipótese aos meus pais, explicando-lhes a “voz” que me chamava dentro de mim. Entraram em pânico! Filha única freira era sinónimo de interrupção da linhagem. Melhor dizendo, não haveria descendência. A minha mãe culpou o meu pai por me colocar no Colégio… andaram uns tempos um pouco desorientados com a ideia. Já na faculdade, sempre instigada por essa incansável voz, procurei uma maneira de realizar esse sonho, dando cumprimento àquilo que eu sabia de antemão que me realizaria como pessoa. Ouvi falar do ensino no estrangeiro. O meu objectivo? Os países de língua oficial portuguesa. Não hesitei. Fui ao Instituto Camões inscrever-me acompanhada de uma colega, que não se sentindo nada inclinada para projectos como este, só me acompanhara para passar o tempo. Inscrevi-me mas, no acto da entrega do formulário, deparei-me com inúmeras dificuldades levantadas, (falava com fúria de depressões de que seria assolada) subitamente, por uma funcionária cuja função era a de recolher impressos preenchidos. Estava segundo ela, a fazer-me um favor, alertando-me para tudo aquilo. Não sei se o fez por mal ou por bem. Só sei que a minha colega que se atrevera também a preencher os formulários à semelhança do que eu fizera, ficou logo indecisa se os deveria entregar. Eu insisti. Por fim, percebi que havia duas resmas de impressos. Uns eram depositados numa, outros noutra Ela fazia ali, de imediato, a selecção. Mesmo antes da apreciação da candidatura. Percebi que os nossos impressos tinham sido afastados um do outro. Pela conversa, percebi que ficara automaticamente excluída. Assim foi. A minha colega foi chamada. Azar! Ela só iria na condição de eu ir também. Seria para ela impensável ir sem mim, explicara-me. Ela é que seria cometida por uma valente depressão, não eu, comentara referindo-se à conversa da senhora algumas semanas antes. Como é possível isto acontecer? Escusado será dizer que ficou adiada a realização desse projecto. Ainda não sei bem como funciona tudo isto. De facto, aplica-se aqui aquilo que estou farta de perceber ao longo dos anos: “Só consigo realizar, na minha vida, aquilo que depende só de mim, tudo o que passe pela vontade dos outros, é impossível.” Desisti. Não porque a “voz” se tenha silenciado, mas porque percebi que era difícil ou mesmo impossível… pelo menos no meu caso!
Já todos ouvimos falar das chamas que devoram o território australiano, e dos prejuízos que causaram a um grande número de pessoas, que perderam os seus bens e alguns, inclusive, o bem mais precioso - as suas vidas.
Esta manhã deparei-me, num dos noticiários da rádio, com as palavras indignadas de um nosso compatriota, que, muito revoltado, tecia elogios ao apoio australiano que lhe estava a ser prestado, e que em nada parecia diferenciado do que davam aos próprios australianos, mas indignava-se contra o pessoal do consulado, instalado na cidade, da qual mora a poucos quilómetros de distância. Contava o indignado cidadão português que, para além do apoio prestado pelas autoridades australianas, desse consulado, não havia nem notícias. Passado pouco tempo, ouvia-se um registo também ele gravado, com as palavras do próprio cônsul, que dizia que existiam na Austrália mais de 15 mil portugueses, pelo que ele não poderia adivinhar se algum dos portugueses, residentes naquele país, havia sido atingido pela catástrofe. Estas palavras criaram em mim uma estupefacção! Compreendi, naquele momento, o nosso compatriota! O pessoal dos consulados parece estar fechado no seu casulo, só se lembrando da sua tarefa, quando lhes chega alguma notícia, revelada pelos diferentes meios de comunicação social ou pelos outros meios: telefone, fax, etc.. É curiosa esta atitude! Espera-se das pessoas de um consulado que mostrem um mínimo de interesse pelo que se passa à sua volta. Como? Telefonando, elas próprias, para as autoridades australianas ou deslocando-se elas próprias aos serviços onde possam ser informadas se há portugueses atingidos pela calamidade. Era esta a atitude que eu também esperaria dos membros do consulado português, se estivesse na pele dos nossos compatriotas - que se interessem e procurem informar-se sobre o que se passa com a comunidade portuguesa ali residente. Se não for assim, para que serve a criação desses postos de trabalho em países estrangeiros? Só para dar empregos a amigos, que se comportam como se estivessem a passar umas férias no estrangeiro, bem pagas ainda por cima? Isso, qualquer pessoa pode fazer… mas num cargo destes, há que ser minimamente exigente com essas pessoas que representam o país. Concordo, absolutamente, com a indignação e as palavras do nosso artista plástico, residente naquele país. Depois de alguns casos isolados que chegaram ao nosso conhecimento, através da comunicação social, este é mais um que põe em causa a eficácia do trabalho dos nossos diplomatas no estrangeiro.
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