opiniões sobre tudo e sobre nada...

Quarta-feira, 21 de Abril de 2010
A ortopedia

É uma das especialidades da medicina tradicional. É a ela que recorrem milhares de pessoas com queixas das mais variadas espécies. No meu caso pouco ou nada me ajudaram a não ser a aliviara dor e a tentar travar a inflamação. Mas vamos à história. Há muitos anos atrás, tive uma ciática derivada de um esforço que fiz e que estava para além das possibilidades do meu corpo. Fiz exames que nada revelaram. Fiquei de cama imenso tempo destinada ao repouso e à medicação. Até que um amigo meu me falou de uma massagista que curava imensos problemas. Marquei consulta e lá fui. Devo dizer que levei o exame para o qual ele não olhou sequer. Olhando para mim, percebeu que tinha a bacia desnivelada e uma perna mais curta do que a outra, para além de estar torta. Usando só as mãos como terapia nivelou-me a bacia e saí de lá a andar pelo meu pé. Em Novembro, fiquei doente com o mesmo problema, mas recuperei só com a ajuda dos medicamentos. Levou uma semana. Regressei ao trabalho a coxear, mas passou. Quatro meses depois, devido a outros dois esforços e ao peso da minha pasta, o problema regressou agravado. Fui ao hospital. A dor insuportável ia da base da coluna até meio da nádega direita e daí escorria até ao pé. Perdi mesmo parcialmente a sensibilidade nessa perna. O mesmo velho procedimento. Estive imenso tempo de baixa até que encontrei outro massagista, com o curso também tirado na África do Sul, (o outro reformou-se) que, só com as mãos me está a ajudar. Já mexo o joelho direito e recuperei parte da sensibilidade da perna. Mais quinze dias e estarei boa.

A actividade destas pessoas e o reconhecido êxito que obtêm junto dos pacientes deve ser reconhecida. Para evitar que a ortopedia seja considerada, para muitos problemas, uma ciência obsoleta, deverão os médicos especializados fazer, em jeito de pós-graduação ou como disciplina integrada no curso dessa especialidade, este mesmo curso ou outro, uma vez que eles próprios reconhecem (não falo dos da especialidade para quem a operação ainda é a última mas única solução) a eficácia desta terapia. Há que pensar seriamente nisto, ou esta especialidade cai na descrença terminado mesmo por morrer. Cada vez mais estas terapias são procuradas pelo elevado nível de êxitos. Conheço mesmo médicos que, uma vez formados, optaram por fazer outros cursos. E o sucesso é garantido. Teremos perante o fim da medicina tal como a conhecemos?



publicado por fatimanascimento às 18:38
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Domingo, 29 de Novembro de 2009
Gripe A

Já li e ouvi muitas opiniões. Já percebi o medo nos olhos de certas pessoas, vi a serenidade e a determinação noutros. A verdade é que o medo só me invade quando assisto a toda a “pandemia” criada à volta desta gripe. De resto, nunca fui pessoa de me precipitar a tomar fármacos, talvez por me ter cansado de ter em casa alguém que era apologético dos mesmos e me obrigava a tomar medicamentos para as constipações (lembram-se do famoso “Melhoral”?) para evitar as faltas às aulas. Até que descobri, pode estar relacionado ou não, que me afectava os rins. A partir daí, preferi suportar a doença e suas consequências à medicação sem prescrição médica. Já deixara para trás a infância e a adolescência nessa altura. Com as gripes, o único cuidado tido, para além da medicação, era curar bem a doença para evitar as indesejadas complicações antes de voltar ao activo. Alguns anos depois, deparo-me com uma “pandemia”. Tenho três filhos, um dos quais com problemas de saúde. Pensei na afamada vacina para ele. No entanto, e depois de ter ouvido várias opiniões, a minha posição está definida: vou encará-la como uma outra gripe. Desconfio sempre das vacinas recentes e prefiro esperar mais tempo para verificar se são realmente inócuas no que respeita a efeitos secundários e/ou outros ainda não descobertos. Falava um dia destes com um colega meu, também ele com um problema cardio-vascular e perguntava-lhe se se iria vacinar. Respondeu-me que tanto o médico de família como o especialista lhe tinham desaconselhado a dita vacina. A classe médica parece dividida o que mostra que a dita vacina cria algumas (senão muitas) dúvidas junto de alguns médicos, talvez o mais informados. Não falo só da informação das farmacêuticas sobre a vacina falo de toda a problemática que gira à volta da própria vacina e que assume contornos verdadeiramente obscuros. Como em todos os produtos comerciais, os interesses económicos estão presentes, sendo o seu peso, por vezes, devastador. Com a vacina da gripe A, passa-se o mesmo. Assim, vou aguardar a doença e encará-la como qualquer outra doença infecciosa e tomar as devidas precauções. Todavia, sei que ela virá e que infectará muitas pessoas. Se tal acontecer, serei mais uma. Os meus filhos também. Tomaremos os medicamentos necessários e aguardaremos os necessários sete dias para a recuperação prevista da doença. Não arrisco a saúde dos meus filhos a longo prazo para colmatar o buraco do medo da doença ou das suas consequências. Depois, que espécie de vírus é a combinação de porco, ave e ser humano? Onde e como se deu esta mistura? Esquisito… Tudo é esquisito. E depois de ouvir a ex-Ministra da Saúde finladesa, a doutora Rauni Kilde, falar abertamente desta gripe, dando a sua cara e a sua voz a uma causa que vai contra todos os interesses das indústrias farmacêuticas, correndo todos os riscos inerentes a tal posição, creio que, se tinha ainda alguma dúvida, ela acabou de dissipar-se. Depois, na minha vida, aprendi a não confiar nas pessoas pela sua posição ou cultura, seja em que âmbito for, aprendi a confiar na natureza, aquela que não se percebe pela mente mas pelo instinto. Esta faz toda a diferença!



publicado por fatimanascimento às 08:12
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Quinta-feira, 5 de Março de 2009
Trabalhar até morrer!

Parece ser a sina dos professores! Não sei o que se passa nas outras profissões, mas nesta, o governo parece ter encontrado uma forma de diminuir a despesa pública, poupando na reforma destes. Depois de tudo o que já foi veiculado pelos diversos meios de comunicação social, a política seguida pelo governo parece não ter sofrido qualquer alteração, pelo que nada mais resta aos professores a não ser esperar que a morte os apanhe em pleno exercício das suas funções. Tenho uma colega que, depois de ter sido operada a um aneurisma, nunca mais ficou em condições de trabalhar. O ruído incomoda-a, sofre de fobia a multidões, demora imenso tempo a realizar um simples trabalho intelectual, que antes fazia com imensa facilidade, para já não falar no problema com a reacção adversa a certos medicamentos… Tem sido sempre seguida pela Junta Médica de Lisboa, que sempre atestou a sua incapacidade para o trabalho. Ora, vendo que o problema se mantém, e não havendo solução para o mesmo, ela solicitou a reforma por invalidez. Num contacto recente, havido com o M. E., foi informada de que a Caixa Nacional de Pensões está a dificultar a vida a quem pretende sair do ensino, por problemas de saúde. Foi também informada que terá de trabalhar, pelo menos 31 dias, (uma vez que está já há um ano com baixa médica), após a próxima avaliação médica, e independentemente da posição desta, ou entrará forçosamente em licença sem vencimento. A docente fez questão em explicar minuciosamente a gravidade da sua situação mas de lá foram categóricos quando afirmaram que não haveria volta a dar à sua situação. Não sei o que estarão a pensar os que assim decidiram a vida das pessoas, mas de certeza que não estão a tentar resolver o problema delas, estando antes a complicá-lo. Quando chegamos a este ponto, onde a sensibilidade falta e é substituída por um outro sentimento que nada tem a ver com a pessoa mas com interesses alheios a ela, percebemos que nada mais resta esperar de um organismo que, ao contrário do que haveria de fazer - proteger as pessoas – atira-as antes para um labirinto laboral do qual não sabem se sairão vivas. Uma das soluções que me ocorre, e que já defendi antes, é fazer-lhes o mesmo que eles nos fazem – dividi-los e perceber quem são os responsáveis pela tomada de tal decisão e mover-lhes um processo por ela. Não é o estado, são as pessoas que ignoram relatórios médicos sérios, em nome de políticas ditadas por mentes mesquinhas. Enviar pessoas doentes para o trabalho? Onde já se viu isto? Que espécie de governantes temos nós? Eu não me revejo neles… em nenhum deles!



publicado por fatimanascimento às 19:07
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Segunda-feira, 24 de Novembro de 2008
O direito a estar doente

Para os adultos é complicado, sempre foi. Estar doente implica faltar ao trabalho e isso, pelo menos nos tempos que vão correndo, tornou-se quase um crime. Tudo quanto envolva a criação de riqueza é encarada como prioridade na sociedade actual. Se calhar, e se pensarmos bem, sempre foi assim. Só que agora, e depois de se terem conquistado alguns direitos, parece que forças contrárias tendem a escolher paradigmas ultrapassados. O trabalho cria riqueza, é verdade, mas esta não é tudo. Não é sobrecarregando as pessoas com horas de trabalho, ou evitando que faltem ao trabalho, que se vai conseguir uma sociedade feliz. Uma sociedade que não é feliz é uma sociedade instável, ainda que, aparentemente, mostre o contrário. As democracias precisam de pessoas responsáveis, inteligentes e sérias à frente de um país, sob pena de que tudo descarrile. Estamos a chegar a um limite, e todos já sentiram isso. É que as realidades, mais do que pensadas, são sentidas. A inteligência não é algo que se espartilhe numa pessoa. Nada mata a inteligência, nem ninguém fica indiferente ao que se passa num país. Portanto, não é aumentando a carga horária de um trabalhador que este fica mais estúpido, quando nunca o foi. Os próprios empresários reconhecem que o aumento da carga horária não beneficia ninguém. O equilíbrio beneficia todos. Enquanto os pais trabalham, os filhos, quando não têm ninguém para tomar conta deles, ficam ao cuidado das escolas que aumentaram as cargas horárias. Os alunos não têm tempo para dedicarem a si próprios, o que não os beneficia também. Chegam a casa cansados e lançam as pastas para o chão, sem vontade de lhes tocar. Não os culpo. Eu não sei dar o valor, porque tive sempre tempo para tudo. Tinha uma carga horária que me permitia estudar e brincar. Agora, os alunos, para além da escola, pouco mais tempo têm. Ultimamente, até o direito a estarem doentes lhes parece ter sido retirado. A minha filha mais velha está no nono ano. Esteve doente da garganta, tomou antibiótico e voltou para a escola. Não podem dar mais do que x faltas, sob pena de terem de fazer um exame no final do ano. Eu fiz-lhe ver que a saúde vinha sempre primeiro. Não quis saber, o espectro do exame falou mais alto. O resultado foi péssimo. O tempo veio dar-me razão. Passados dias, ela piorou. Agora, vê-se obrigada a ficar mais tempo em casa, aquele tempo que não teve antes. Os estudantes estão revoltados e têm as suas razões. Acho que não é atirando ovos à ministra que se resolvem problemas, mas o acto em si revela algum desespero. Sentem-se espartilhados, sem espaço de manobra. E ainda não experimentaram no mundo do trabalho… Mas pode ser que, até lá, alguém com imaginação, para além da formação, e com algum bom senso, já tenha encontrado uma solução para o problema das faltas por motivos de saúde. Eu sempre enfrentei essas faltas com a coragem necessária: faltava quando tinha de faltar. Não estava a enganar ninguém. O direito à doença é algo que não pode ser contornado.



publicado por fatimanascimento às 11:02
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Quinta-feira, 2 de Agosto de 2007
Demissão

Hoje, dia 2 de Agosto de 2007, é um dia decisivo na minha carreira como professora – acabo de pedir a minha demissão. Entreguei, esta manhã, o requerimento que vai acabar com o que seriam quase vinte anos (faria 20 anos em Setembro de 2008) de carreira como professora do Ensino Básico e Secundário (é claro, que se forem a descontar os dias de baixa por doença, como o fazem para efeitos de concurso, são menos!). Mas, foi nos finais de Setembro de 1988, que me apresentei, pela primeira vez, numa escola. A experiência, no seu geral, salvas algumas excepções, foi positiva. O que me levou a tomar tal iniciativa? A desilusão. Eu conto. Este ano lectivo foi particularmente difícil para mim, muitos problemas pessoais, uma turma mais difícil que exigiu maior atenção, o cansaço acumulado de outros anos, a mudança de escola, constituíram um stress que me levou ao limite das minhas forças anímicas, isto é, cheguei ao final arrasada, e com todos os sintomas aliados: confusões, perda de memória, dores de cabeça, etc.. Dado o meu estado fisico, tinha intenções de marcar as minhas férias a partir de 16 de Julho. Ao que parece, só o poderia fazer a partir de 18 (lembro-me, agora que falei com o responsável) porque tinha exames até 16, inclusivé. Continuei a trabalhar, sabendo que não me sentia bem, mas tentando resistir. Até que um dia, ao retirar notas do placard onde se encontrava o serviço de exames, parecia que a mensagem não me entrava na cabeça, era como se um bloqueio invisível impedisse que a mensagem entrasse. Risquei algumas notas já rabiscadas e emendei-as. Tinha serviço de exames tal dia (já não me lembro qual!). Fui para casa descansada. Tudo parecia estar em ordem. Na véspera, consultei a minha agenda e a hora a que me devia apresentar na escola. E assim foi. Quando lá cheguei, o exame estava a terminar. Entrei em pânico. Não compreendia nada. Até que, depois de muito comparar as notas, cheguei à conclusão de que fizera confusão. Dirigi-me imediatamente ao Conselho Executivo da escola e expliquei o que se passava. Toda eu tremia. O pânico tomara conta de mim. Ao chegar à cidade onde moro, fui imediatamente ao Centro de Saúde, à consulta de recurso, (já não tenho médico de família, desde que a minha médica, se reformou). Expliquei a situação à médica e ela diagnosticou-me uma exaustão. Precisava de descansar. Ainda tinha alguns serviços de exame agendados e passaram-me os atestados sempre que tal acontecia. O meu maior receio, nos exames, era fazer confusão e que, para além de me prejudicar a mim, o meu pânico era prejudicar os alunos, que nada tinham a ver com os meus problemas de saúde. Acontece que, hoje de manhã, dia 02 de Agosto de 2007, recebi um telefonema da escola, dizendo que tinha uma falta injustificada do dia 16 de Julho e que, se não a justificasse, passaria a ter uma falta injustificada. As minhas confusões e perdas de memória haviam-me traído. Esquecera-me completamente desse serviço de exame. Agora, após 17 dias a contar do dia da falta, onde iria arranjar um atestado médico? Mesmo que, no processo, esteja tudo bem explicado, (não houve um médico que me seguisse, mas vários), como iria o médico fazer para me passar um atestado, com 17 dias de atraso em relação ao dia da falta? Foi a primeira vez na vida que tal me sucedeu. Nunca tive tais problemas, nem mesmo quando eu sofri uma outra exaustão aqui há uns anos. Ora, esta profissão exige muito não só física como também intelectualmente e, sobretudo, a nível psicológico. E isto acontece quando uma pessoa se dedica inteiramente ao que faz. Agora, eu pergunto, vale a pena continuar numa profissão onde só conta o trabalho e não as pessoas? Eu, decididamente, não quero. Já dei muito ao ensino, para levar uma bofetada destas... e, agora, vou descansar a minha cabeça, que me dói imenso.



publicado por fatimanascimento às 12:38
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