opiniões sobre tudo e sobre nada...

Segunda-feira, 2 de Março de 2009
O preço do dinheiro

Há já alguns anos atrás, devido à minha vida nómada, tive de comprar um carro. Como nada é eterno, o outro já tinha dado a sua corajosa contribuição para ela. Como toda a gente que precisa de comprar qualquer coisa, e tem tempo, entrei em várias lojas de carros, não só para admirar os carros, mas, e sobretudo, para ver os preços. Estes, dentro da linha económica que procurava, não variavam muito. O que variava era o preço do dinheiro. Recordo o senhor, ainda novo, que suava para vender o carro que me agradou, mas a financeira à qual estava associada a marca, naquela cidade, jogava com uns juros muito altos. Alargou o nó da gravata, enquanto deixava escapar entre dentes, num sopro, a necessidade urgente de encontrar outra financeira. Em desespero de causa, o senhor chegou mesmo a aconselhar a procurar uma loja da capital, da mesma marca automóvel, cuja financeira, com quem trabalhava, praticava uns juros mais de acordo com a realidade social do país. Ali, num pedaço de tempo, e mesmo apesar de nunca me ter debruçado sobre este assunto, compreendi que eram as financeiras e não as marcas propriamente ditas, pelo menos naquele caso, que eram, em grande parte, as responsáveis pela crise na produção automobilística.

Ainda há pouco, passei por um quiosque onde estava anunciada uma marca automóvel, que anunciava um modelo e o preço a pagar pelos audaciosos, que, e apesar dos tempos difíceis que atravessamos, apresentava um preço que rondava os 400 euros, precedido pela já conhecida expressão a partir de. Não está, aqui, em causa a marca ou o valor do modelo, mas o preço exigido só pode ser pago por meia dúzia de pessoas e elas poderão ser ou não apreciadoras da marca. Se a indústria automóvel já está em crise, tendo já havido despedimentos na mesma, estes preços não vêm ajudar, em nada, a mesma. Só vem prejudicar ainda mais. O que eu não compreendo é a lógica do mercado. Em tempos de crise, como a que atravessamos, este tipo de publicidade dirige-se a que camada social? Como é possível que o dinheiro continue tão caro? Acho que toda agente já percebeu que os grandes ganhos só existem em tempos de vacas gordas. E não me parece que sejam os juros altos que ajudem aos ganhos. Será que eles nunca ouviram falar de concorrência? Ou passa-se nas financeiras

o mesmo que se desconfiou já passar-se com as gasolineiras? Será que combinam entre elas o preço do dinheiro? Se assim for, elas vivem num mundo muito diferente do resto do país. Nem percebo bem onde querem chegar…

 



publicado por fatimanascimento às 12:50
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Sexta-feira, 6 de Fevereiro de 2009
Peso do euro ou simples evolução dos tempos?

Lembram-se das manhãs em que nos levantávamos cedo para ir ao pão? Pegávamos no saco branco bordado e dirigíamo-nos à padaria do bairro, com o número das unidades bem memorizado ou com o papel riscado (ajuda aos mais distraídos) à pressa pelos pais que jazia perdido no fundo desse saco? Lembram-se das carcaças também conhecidas por papo-secos? Aquele pão ligeiramente esguio, leve e pequeno, com um vinco ao meio e terminado por duas pequenas pontas redondas, uma de cada lado, com uma côdea levemente dourada e estaladiça, do qual se desprendia um aroma delicioso a pão quente? Sim, esse mesmo. Voltávamos para casa, com o pão agasalhado dentro do saco, e aquele aroma acompanhava-nos, reconfortando-nos a alma. Esperávamos ansiosamente pelo momento de chegar a casa, para pegar numa faca, retirar a manteiga do frigorífico, abri-lo e barrá-lo… que delícia! Lembram-se como as carcaças eram acessíveis à maioria dos bolsos? Já não são mais…

  Estava, um dia destes, numa daquelas intermináveis filas, características das grandes superfícies, quando dei por mim a reflectir no preço do pão. Trazia quatro sacos de carcaças, dentro daquelas embalagens plásticas, com uns buracos minúsculos, cada uma com cinco, a 89 cêntimos cada saco… dá 3,56. Isto, na antiga moeda portuguesa, dá 712 escudos. Dei 712 escudos por 20 carcaças! Já o havia pago mais caro - a 98 cêntimos o saco de cinco! Ao que parece desceu. Não percebo muito da política de preços, mas, com a crise financeira instalada, o aumento dos preços e o desemprego são um sinal de fome nos tempos vindouros… se ela não existir já! E com ela o enfraquecimento do corpo e toda a espécie de doenças! Como todos nos cruzamos com todos, as doenças não irão conhecer fronteiras e, tal como na Idade Média, (nem sei porque me lembrei desta época), ela não distingue o pobre do rico. A peste pode ser outra, mas os contornos estão lá. Isto mostra que não evoluímos nada a nível das mentalidades desde os tempo mais remotos! Que rico mundo, estamos a construir! E que tal optar por um não aumento dos preços, este ano, para variar, e não piorar o problema social com que nos debatemos?

 



publicado por fatimanascimento às 08:27
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