opiniões sobre tudo e sobre nada...

Quinta-feira, 2 de Julho de 2009
O problema dos políticos

Para além de serem sempre as mesmas caras, algumas das quais, e ao contrário do que muitos possam pensar não deixaram boa impressão. Talvez isto explique, em parte, a abstenção que continua a “ganhar” eleições. A indiferença perante um acto que elege pessoas que nada nos dizem, cada vez é maior. A surpresa veio do primeiro-ministro que, ao aceitar aparentemente, a derrota afirmou a sua determinação em lutar para as próximas eleições. Talvez fosse uma mensagem para as pessoas do seu partido ou para o eleitorado que ele julga estar insatisfeito. Uma questão, desde logo, me assaltou o espírito: Por que é que os políticos só se lembram de trabalhar durante as campanhas? Não é isso que os mantém no poder: é o seu desempenho como governantes. A ideia que as pessoas têm dos políticos é o de pessoas que querem um “tacho”, encontrando nesta ampla via um meio para o enriquecimento fácil. Não é de pessoas assim que o país precisa nem é de pessoas assim que o povo precisa. Precisa de pessoas que sabem o que fazem e não que entram no poder pela sua capacidade de convencer o próximo. Estas pessoas sabem convencer mas poucas vezes têm a razão do lado delas. Não podemos viver de aparências sem corrermos o risco de naufragar, até como país. O aparecimento de caras novas faz-nos também desconfiar que seguem o rasto do que lá passaram antes deles e aprenderam a pior lição. Estará a democracia em perigo? Se olharmos a indiferença dos cidadãos perante uma classe política amplamente desacreditada, em que tudo aquilo que parece dizer respeito ao povo é olhado com indiferença, não admira que os eleitores os olhem já também com descrédito. Mais do que nunca as pessoas perceberam que devemos olhar à pessoa que está por trás do político e não ao cargo que ocupa. Cada vez mais esta nos surpreende pela negativa. Logo, o risco é grande. Pergunto-me até que ponto a democracia não será uma fonte de cargos para uma clientela política e não passa disso mesmo. Talvez isto explique o marasmo em que o país caiu e que se reflecte no desânimo popular. O senhor primeiro-ministro vai-se voltar para aqueles que perderam tudo e, à semelhança de Obama, vai imitar o optimismo daquele, esquecendo-se de que não é ele. Vai também ele vomitar esperança, para as pessoas, depois das eleições, perceberem que elas não passaram de meios para ele atingir o poder e que tudo continua na mesma. Quem ocupa o poder não tem soluções. Como eu costumava dizer aos meus alunos que ficaram pelo caminho escolar, eles têm mais imaginação para resolverem problemas que aqueles que ocupam altos cargos. Porque não é só conhecer, é preciso imaginação. Depois, a posição dos políticos apontando o dedo aos aparentes responsáveis pela perda da maioria, indicando as classes profissionais responsáveis, segundo ele, pela perda de maioria, revelando despeito, não os fez cair nas boas graças de ninguém. Penso que ainda há liberdade para escolher as cores políticas sem que sejam apontadas armas… ou a liberdade não existe?

 

Fátima Nascimento

 



publicado por fatimanascimento às 21:01
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Sexta-feira, 20 de Fevereiro de 2009
A grande lição do pequeno

Aconteceu há muitos anos, mas ainda é actual. Ele entrou na sala, fixámo-nos. Foi instintivo. Uma antipatia natural surgiu no meu coração. No dele também. Ele pensou que iria ter problemas até ao final do ano. Eu ignorei esse sentimento, para continuar o meu trabalho. Como sempre, a massa de cabeças alinhada à minha frente, das quais sobressaíam inúmeros pares de olhos avaliativos, não tinha qualquer diferença. Eu tinha uma missão, e nessa missão não havia diferenças a realçar. Havia, sim, que respeitar as diferenças de cada um, nada mais. Recordo-me que foi um ano em que percorri inúmeras vezes aqueles corredores ladeados de carteiras. Sempre que um aluno, na resolução de um exercício, me pedia ajuda, lá ia eu, sempre pronta a ajudar. Esse aluno era um deles. Ele exigia a minha presença para que o pudesse ajudar a ultrapassar as suas dificuldades. Aproveitava também para colocar algumas questões que não estava à vontade para fazer diante dos colegas. Correu tudo bem. No final do ano lectivo, ele deixou a corrente dos colegas escoar-se pela porta da sala e aproximou-se de mim, para me agradecer. Eu fiquei admirada. Não havia nada a agradecer. Pagavam-me para estar ao serviço deles. Foi então que ele confessou, recordando aquele primeiro dia de aulas: sentiu que eu não simpatizara com ele. Pensara que teria de travar uma penosa guerra comigo até ao final do ano. Ficara admirado com o meu desempenho. Eu ultrapassara aquele sentimento que, pensara ele, iria dificultar a nossa convivência. Mas, percebera, com agrado, que aquele sentimento desaparecera logo a seguir ao momento em que nos havíamos descoberto pela primeira vez. Ele testara-me de todas as maneiras e eu havia ultrapassado com êxito todas as provas. Ele não percebera como é que eu conseguira. Naquele momento, e conhecendo-me melhor, ele compreendera tudo. Isso era natural em mim. Eu obrigava-me a gostar de todos os alunos por igual. Foi então que ele me deu um surpreendente conselho: deveria continuar a fazê-lo na escola, mas só com os alunos, mas que não fizesse o mesmo na vida, fora daquelas paredes. Aconselhou-me a estar atenta ao meu instinto, para evitar que os sofrimentos passados se repetissem no futuro. Ainda me lembro da forma como ele me fitava, como se os seus olhos pudessem ler as linhas do sofrimento que se enleavam na minha alma. Confessou que gostara de mim e de trabalhar comigo. Fiquei profundamente agradecida e emocionada àquele adolescente a quem a vida já ensinara tanto. Aqui está uma boa velha lição que não devo esquecer mais…



publicado por fatimanascimento às 20:38
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