Conheço as preocupações dos israelitas no que respeita à segurança. Compreendo perfeitamente! Não é fácil viver numa zona rodeada de ódios. Compreendo também as ambições dos palestinianos sempre desejosos da cada vez mais distante independência. Só não compreendo os meios utilizados para conseguirem os seus fins. Não entendo como podem dois povos viver de candeias às avessas durante tantos anos, havendo terreno para todos. Quando poderão aquelas populações viver sem sobressaltos? Como podem viver no meio de tanta miséria e destruição? Como pode alguém habituar-se a este clima de insegurança? Como podem aqueles povos resistir a tanto contratempo nas suas vidas? Não sei o que os esperará, mas analisando bem a situação, parece não haver vontade de resolver a situação de modo satisfatório para as duas partes em conflito. Se há israelitas e palestinianos que se dão bem, por que não poderá isso acontecer com os restantes? Não estamos perante dois povos martirizados por tanta confusão que já perderam a noção do que é a vida sem tanto ódio e desconfiança? Será que a população se revê em representantes/facções que nada trazem de positivo às suas vidas? Não deveria a representação de ambos estar nas mãos de representantes idóneos e afastados de qualquer tipo de ambição pessoal só com o intuito de resolver o caso de forma definitiva para que os dois povos possam simplesmente seguir com as suas vidas sem qualquer tipo de temores? Será assim tão difícil encontrar pessoas assim? Alguém que pense apenas no povo e na sua vontade?
Vi e revi as imagens do assalto ao barco, vi as imagens das ruínas palestinianas, ouvi a resposta de um menino interrogado pelo jornalista e que dizia que só queria que tudo terminasse para poder voltar à escola? Quando darão ouvidos a pedidos tão simples como estes? Quando darão ouvidos àqueles que, ultrapassando ódios e outros sentimentos destrutivos, só pedem paz para poderem organizar uma vida sem sobressaltos? Não haverá também pessoas assim em ambos os lados do conflito? Afinal, a quem favorece a situação conflituosa? Que pessoas saem a ganhar com este clima? Não me parece que seja o cidadão comum… aquele que não protesta nas ruas. O que se limita a sair de casa cedo e a entrar à noite, depois de um dia de trabalho… aquele que pretende criar e manter uma família, aquele que tem sonhos desviados da violência vivida nas suas terras! É este clima de desconfiança e insegurança que leva a situações limites capazes de prejudicar quem nada tem a ver com o conflito armado. São as populações carenciadas que não vêem chegar a ajuda tão necessária interditada pelas forças armadas israelitas com medo que, atrás dessa ajuda, viesse um outro tipo de auxílio capaz de alimentar o conflito armado mantido pelo ódio. Não terá chegado a altura de dar voz aos que não estão familiarizados com o conflito? Não terá chegado o momento de educar para a paz e o respeito entre os dois povos e ignorar os que apelam à violência? Não existirão, entre os dois povos, pessoas de boa vontade?
Não é fácil educar. O que é bom para este filho, parece não ser a educação certa para aquele. O que se tem de fazer é olhar cada um, na sua individualidade, e tentar perceber o que é preciso fazer para o ajudar a crescer. O que temos obrigação de fazer, nós, os pais, é tentar chegar mais longe daquilo que nos foi legado, para não cristalizarmos, enquanto pessoas e seres humanos e não fazermos o mesmo com os nossos filhos. É preciso pensarmos, primeiro, naquilo que nos foi ensinado e vermos qual a necessidade, ou não, de transmitirmos isso aos nossos filhos. Para mim, o que devemos transmitir aos nossos filhos, é tudo aquilo que contribui para a felicidade deles e dos seus semelhantes e lhes permita, no futuro, criar uma sociedade mais justa e solidária. O que eu tento transmitir aos meus, através dos meus conselhos e exemplo é que devem sempre optar por aquilo que é melhor para eles e, simultaneamente, para os outros e que não vale a pena conseguir algo se, pelo caminho, vemos alguém deitado e não o levantamos e o ajudamos a caminhar. Que para ajudarmos é necessário conhecer bem a pessoa que se quer ajudar, sob pena de não conseguirmos ajudá-la. Que há pessoas cheias de dogmas que devemos respeitar, mas que temos obrigação, nós, que sabemos alargar os nossos horizontes, de sempre continuar a alargá-los, para nos ultrapassarmos a nós próprios e ajudar os outros. Que há outros com horizontes mais alargados que os nossos o que nos obriga sempre evoluir… é sempre no sentido da verdadeira evolução que devemos sempre seguir. De resto, não controlo nem procuro controlar a vida dos meus filhos. Sempre que eles têm um problema e não o conseguem resolver sozinhos, se me pedem ajuda, procuro estar sempre disponível. Basta-me saber que eles estão bem e, nesta fase da adolescência, onde estão, para o caso de haver algum problema. Tento educá-los na base da liberdade responsável que é a única em que eu acredito verdadeiramente. Não acredito na educação orientada. Acredito na abertura de caminhos e não no encerramento dos mesmos. Educar, para mim, não é evitar os erros, é prepará-los para eles. Todos nós errámos e eles também irão errar, (a única diferença é que uns progenitores sabem e outros não). Mas que saibam estar à altura das situações. Que no mundo há pessoas que escolheram ser más, embora escondam isso debaixo de máscaras simpáticas e ternas, e que não perdem uma oportunidade de prejudicar o próximo. E que há muitos que se movimentam no limiar entre o mal e o bem. E que é preciso discernimento e atenção para nos apercebermos disso. E isto só se consegue com muita informação e com muita inteligência. E, sobretudo, que é no amor (que acciona a boa vontade), que encontramos a felicidade. Não é só no sentido de procurar a alma gémea, mas também no de fundarmos a sociedade ideal onde todos gostaríamos de viver. Digo todos, porque mesmo aqueles que querem o mal, querem-no só para os outros e não para eles mesmos. E, sobretudo, lembro-lhes que os grandes pensadores foram sempre perseguidos ou olhados com desconfiança, uma vez que remavam no sentido inverso ao dos falsos valores.
Não é a primeira vez que oiço falar de um caso assim, num bairro com as mesmas características deste, edificado numa cidade do interior, e cuja construção se baseou na mesma filosofia… errada.
Há já muitos anos atrás, ainda andava eu a esquadrinhar o país, naquela vida ambulante que todos os professores têm, antes de se conseguirem efectivar, numa escola perto de casa, quando tomei conhecimento dos conflitos existentes entre habitantes de culturas diferentes, também eles engavetados num bairro com as característicasda Quinta da Fonte. Os habitantes, desconfiados, não conseguiam viver pacificamente uns com os outros, pelos mais diversos motivos e, por vezes, os problemas tornavam-se graves. Já lá vão… 18 anos! Os meus colegas, que se deslocavam para uma vila dos arredores, davam-nos conta dos conflitos graves que ali sucediam periodicamente, revelando todo o culminar de uma tensão que se adivinhava longa. Eles moravam lá perto e tinham de passar pelo foco de insegurança, sempre que se dirigiam para o emprego, e faziam-no debaixo de um medo constante de serem apanhados no meio das questiúnculas, às quais eram alheios. A insegurança era uma realidade dentro e fora do espaço do bairro.
Uma realidade saltava à vista: a mistura de culturas, raças, etc., no mesmo espaço, não funcionava. A desconfiança e o medo, aliados aos outros problemas sociais prementes, que afectam estas classes mais desfavorecidas, corroíam os corações dos moradores. Depois, não posso deixar de pensar que, embora na teoria, a ideia pudesse ter boas intenções, como afirmavam, ela não passou de uma decisão ingénua, própria de uma política de gabinete que sempre se fez, e ainda se faz, neste país. Para se tomar decisões destas ou outras quaisquer, tem se conhecer bem a realidade social e, para tal, há que efectuar um estudo de campo sério, para se poder tomar as decisões acertadas. Ou talvez a ideia não tivesse tão boas intenções assim, procurando só e rapidamente uma solução para um problema, esquecendo todas as implicações ligadas a tal decisão, e está explicada a existência destes bairros que mais se assemelham à nova versão dos antigos ghettos, onde se colocam os menos afortunados da nossa sociedade, deixando-os abandonados à sua sorte. (Haveria que conhecê-los, para criar condições necessárias ao bem-estar de todos, em vez de os engavetarem daquela maneira, o que não deixa de ser uma forma dos excluir…)
Agora, das duas uma, ou eles se dão conta disso mesmo e fazem um esforço para se entenderem e viverem o melhor possível juntos, ou então, terão eles mesmos de encontrar a solução ideal para eles, procurando novas paragens. Mas têm de se capacitar que nenhuma destas soluções é fácil…
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