opiniões sobre tudo e sobre nada...

Segunda-feira, 12 de Janeiro de 2009
Falar de outros

Dizer mal tornou-se algo banal e parece querer alastrar-se a todos os aspectos da vida e, o que é mais grave, fala-se abertamente mal do que os outros fazem. Todos nós somos leitores e temos a nossa opinião sobre determinado livro que lemos, e, basicamente, gostamos ou não, por este ou outro motivo, e comentamos com amigos. Nada mais. Outra coisa é falarmos de um colega de profissão, falando da sua obra em termos depreciativos, e para mais, dizê-lo durante uma entrevista sua, e perante uma plateia de admiradores seus, e na presença de órgãos da imprensa…

Refiro-me a uma entrevista, que li recentemente, de um escritor português, de reconhecido mérito, e que conta com a admiração de muitos leitores nacionais e estrangeiros, para já não falar dos prémios nacionais e internacionais com que já foi presenteado. Nada tenho a dizer das respostas da sua autoria, não fosse uma única nota que colocou mau tom naquela entrevista, quando se referia a um outro escritor, nomeadamente ao último livro deste. Fiquei chocada porque, sinceramente, não esperava. E não esperava dele. E como na minha profissão, a minha posição foi sempre ajudar os outros, (mesmo quando terceiros falavam mal), ajudando-os, mesmo às escondidas, e outras vezes, com a cumplicidade de outros colegas, não percebo esta atitude, que não destoa, do que vulgarmente se passa por aí. Mas dele… eu não esperava isto. Não é por ser o escritor que é, porque sei que antes de sermos escritores, pedreiros, professores, actores, etc, somos, antes de tudo, pessoas. Eu não o conheço como pessoa, talvez tenha dito aquilo que realmente pensava, pois nunca me passou pela cabeça, o contrário. Só que não foi o momento, nem o sítio mais adequado para o fazer… Poderia ter esperado por um momento mais oportuno, onde pudesse falar calmamente com o escritor em questão e explicar-lhe porque não gostara do livro. Teria sido mais proveitoso. Também não sei a que se refere exactamente, quando diz que aquele é uma “m…”, mas não gosto de pensar que as coisas só têm uma maneira de ser feita, gosto mais de pensar que há mais do que uma, e que a literatura não é excepção. Depois, é só a sua opinião… e pelo número de volumes vendidos, há muitos leitores, seguidores do escritor visado, que gostam e que também precisam de ser respeitados. Sempre defendi que, independentemente da obra e do escritor que lhe deu vida, está também o gosto de um leitor, que por ser anónimo, passa despercebido, mas existe. Não vamos criar questiúnculas à volta daquilo que o outro faz, respeitemo-lo, simplesmente, gostemos ou não do que faz. Pelo menos publicamente.

 



publicado por fatimanascimento às 17:23
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Quinta-feira, 16 de Outubro de 2008
A maneira errada de chamar a atenção...

Já todos fizemos isso… já todos fizemos asneira com isso e já metemos os outros em sarilhos por causa dessa necessidade que todos nós, especialmente na infância, de querer chamar a tenção dos crescidos. O que alguns talvez não soubessem, ou não quisessem saber, era das consequências que essa maneira errada de chamar a atenção pode trazer sobre alguém… O que nos leva a tomar tais atitudes? Não sei… jugo que cada um encontrará a resposta dentro de si, por mais complexa que ela possa ser. Mas que existe esta forma errada de chamar a atenção existe com consequências mais ou menos graves ninguém duvida. Também há excepções: aqueles que nunca tiveram muita atenção e já perderam essa esperança de alguma vez virem a tê-la e que se remetem ao seu lugar onde permanecem esperando, muitas vezes, que os deixem passar despercebidos, uma vez que a atenção que lhes era atribuída estava longe de ser a ambicionada. Passou-se um caso destes comigo. Havia uma vizinha e ex-colega minha que era nitidamente a preferida do pai (era a mais nova de dois filhos) que esperava grandes feitos daquela filha. Era a melhor aluna, para mim, embora houvesse outras também muito boas, que muitas vezes, a ultrapassavam nas notas. Aquando da realização do exame da quarta classe, ela ficou doente, e pediram-me que lhe desse um recado sobre o artefacto manual, que deveria vir quase feito de casa, uma vez que o tempo disponibilizado para a realização do mesmo era pouco. Era a última prova, uma vez que todas as outras já haviam sido realizadas. Eu era e sempre fui muito distraída, pelo que me esqueci de transmitir a mensagem. Na véspera do exame, à noite lembrei-me, já tarde, e pedi para ir a casa dela. A minha mãe não deixou. No dia seguinte, eu esqueci-me como que por magia, e só quando uma colega nossa se juntou ao grupo eu aterrei. A aflição tomou conta de mim. Essa colega resolveu prontamente o problema emprestando à lesada um artefacto que começara a fazer, mas que deixara a meio. Tinha um defeito mínimo. Uma das professoras que fazia parte do júri notou, mas a minha professora diminuiu o efeito da descoberta. Fui trucidada pelos pais dela, quando estes descobriram que eu tinha tido uma nota superior à da filha. Acusaram-me de a ter prejudicado intencionalmente. Eu e umas colegas tínhamos ido a casa dela levar a notícia da passagem. Fui escorraçada logo seguida das colegas impressionadas com a cena. Até a minha mãe se viu envolvida no escândalo! Mais tarde, quando falaram com a professora, ela explicou-lhes e mostrou-lhes como a filha falhara, ingloriamente, na prova escrita de matemática. Os pais, passados de alguns dias, perceberam o que se passara e falaram com ela. O pai, que sempre me odiara, inexplicavelmente, explicou à filha que embora ela estivesse a passar por uma fase que necessitava de mais atenção, não tivera razões para arranjar todo aquele problema, que até eu sabia que ela era a favorita do pai e mostrou-lhe como ela falhara no raciocínio devido à insegurança de não se ter preparado devidamente para ela. Ela aproveitara-se da situação e do ódio do pai por mim para armar aquela cilada. Fui ilibada das acusações, mas foi difícil. Não foi a primeira e não foi a última que sofri, mas tive a sorte de a verdade vir sempre ao cimo, graças a pessoas preocupadas com a injustiça dos acontecimentos. Tive sorte! Foi graças a essas pessoas atentas que eu saí menos traumatizada dessa e de outras situações, mas esta maneira errada de chamar a atenção continua ainda e continuará pelo que há que estar atento para evitar que tanto os ofensores como os surpreendidos ofendidos possam ultrapassar com o mínimo de sequelas essas situações. Afinal, são só crianças… e estão a aprender a viver! A preocupação deverá estar na prevenção e correcção deste tipo de situações, evitando que elas cheguem à vida adulta. Não preciso de explicar a razão…

A minha filha mais nova é que tem razão quando diz “Mãe, mimo!” quando precisa de carinho. É tão mais simples!

 



publicado por fatimanascimento às 11:59
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