Já não vêm muito longe! Não tarda nada, começa o mesmo frenesim da caça ao voto! Mais uma longa corrida às promessas para enredarem o povo nas suas teias da simpatia e das boas intenções esquecidas assim que vêem alcançados os seus objectivos! Mas evoluiu-se neste domínio. Em algumas das campanhas testemunhadas por mim, há já muitos anos atrás, valia tudo até o ataque pessoal! Conheciam-se factos da vida pessoal do candidato e atiravam-se deturpados à cara dos eleitores. Foi horrível! Refiro-me, neste caso particular, à campanha radiofónica embora aquilo que se revelou naquele meio de comunicação se traduziria decerto nos discursos das campanhas ao vivo! Lembro-me particularmente do caso do malogrado Sá Carneiro que viu exposta a sua vida privada, que nada tinha de escabroso, bem pelo contrário, na praça pública e lembro-me da dignidade com que reagiu mostrando que não tinha nada a esconder, que a vida que escolhera passar na companhia da mulher por quem se apaixonara, nada tinha de obscuro, que tinha sido uma escolha natural, da vida! Foi o descalabro para a oposição que foi castigada pelo público nas eleições pois percebeu naquelas palavras um esquema sujo para prejudicar o candidato do outro partido. Pelo menos, e sabendo da curiosidade das pessoas, muitas vezes doentia, pela vida privada dos conhecidos, julgo que mesmo vendo nos ataques pessoais, não se deixarão enganar. Sempre defendi que se deve conhecer as pessoas que são os políticos, que é mais importante conhecer as pessoas que são do que as ideologias que defendem. Não mudei a minha opinião. Acho que a política tem necessidade de pessoas honradas, capazes de realizar um bom trabalho não só a favor da nação como do povo dessa mesma nação. Afinal, a nação não é só o território. Mas é disso que se esquecem: do povo! Pode ser que as novas eleições nos tragam novas caras, mas mais do que isso, pessoas mais transparentes. Será que há disso no mundo imundo da política? Se se arranjarem as pessoas certas, decerto que teremos uma política dignificada. Mas como vamos conhecê-las? Conhecem os políticos eleitos pelos círculos regionais e que têm assento no parlamento? Já alguma vez, fora das campanhas eleitorais se interessaram em viajar até às regiões que representam para perceber a evolução dos problemas das mesmas? Neste momento, o que acontece é que a política está muito longe do povo e as pessoas escolhidas, a olharmos aos escândalos associados às pessoas escolhidas pelos eleitos, nada dignificam a política. As pessoas, são mais importantes do que as ideias. Escolham as pessoas certas. Sejam transparentes e nada terão a temer! Assim, já não precisarão de pessoas de “confiança” mas que geralmente não têm o perfil moral ou competência para desempenharem determinados cargos!
Um dia destes, à saída do supermercado, passei por uma banca com alguns bonecos. Percebi logo do que se tratava. Estavam a vendê-los no sentido de angariarem fundos para ajudarem uma boa causa. A banca estava abandonada. Ninguém nas imediações. Como também não estou em posição de ajudar, limitei-me a varrer com o olhar aquela mesita colorida, com um exército de bonecos perfilados, (entre outros objectos), esperando pacientemente o momento da sua remoção. Quando menos esperava, a responsável pela bancada, apareceu nas minhas costas, perguntando-me se estaria interessada em ajudar aquela causa. Recordei-me que é precisamente em Outubro que começam estas campanhas e que foi sempre nesta altura que eu fui metralhada com pedidos oriundos dos mais diversos quadrantes. Poder-se-ia dizer, sem exagero, que o país sai à rua neste mês para fazer o peditório. Enquanto trabalhei, e como todas as pessoas que sobrevivem com um magro salário mensal, sempre fui ajudando na medida das possibilidades. Agora, infelizmente, não posso. Até o direito à ajuda ao próximo me foi cortado. Ainda assim, consigo fazê-lo, algumas vezes. Nada de extraordinário. Ora, se havia meses mais problemáticos enquanto trabalhei, agora todos os meses são problemáticos. Este mês, por sinal, está a ser particularmente difícil, devido a problemas pessoais que estou a tentar resolver, e enquanto não se resolverem esses problemas, tenho de aguentar. A senhora virou-se para mim e perguntou-me se não queria contribuir. Eu expliquei-lhe a minha situação. Lá concordou comigo. Retomei a marcha rumo à porta automática. Mas, a determinada altura, não se dando por vencida, insistiu que a contribuição se resumia a um só euro. Voltei-me para ela e expliquei-lhe que, no meu caso, um euro era muito dinheiro neste momento… e é verdade! O que se passa é que as pessoas não fazem a mínima ideia do que é estar desempregado, sem ajudas de governamentais, e muitas nem querem saber sequer…
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