opiniões sobre tudo e sobre nada...

Segunda-feira, 17 de Março de 2008
O Tibete

Este pequeno minúsculo pacífico país, escondido no alto dos cumes enevoados e frios das montanhas mais altas do mundo, nunca foi, pela sua cultura, um país ameaçador ou em vias de o ser, convivendo sempre pacificamente com os outros estados vizinhos numa atitude de profundo respeito e humildade, atitude que caracteriza o seu representante legal, o Dalai Lama, agora exilado na Índia. Por alturas da Segunda Guerra Mundial, a China comunista invade e toma posse daquele território perante a incredulidade e a impassibilidade mundiais. Era o fim de um pequeno e recôndito estado, há cerca de meio século, inexplicavelmente, debaixo do domínio de sucessivos governos chineses que tentaram sufocar culturalmente o pequeno estado, ao que parece, ingloriamente. Embora casos de violência tivessem sido denunciados, ao longo daquele já longo período de domínio chinês, o mundo inteiro nada fez para ajudar a resolver o problema deste minúsculo estado, limitando-se a uma política hipócrita de ambivalência do - não concordo, mas também não me meto! Resta àquele povo a incansável acção do seu representante máximo, que nas suas deslocações constantes, leva a causa do seu povo aos outros países, na tentativa de não deixar esquecer o que por lá se passa (e o que aconteceu!). Embora os todos os governos chineses se tenham esforçado por integrar aquele povo na sua cultura, e apesar das sucessivas camadas de população chinesa que imigraram para lá, as recentes manifestações provam que eles não o conseguiram e que aquele pacífico povo continua fiel às suas raízes. Como toda a potência dominadora, a administração chinesa procura abafar toda e qualquer manifestação que relembre os tempos anteriores à anexação do território tibetano, mesmo recorrendo à força contra uma população indefesa cuja única arma são a vontade de inverter uma situação que já dura há demasiado tempo. Se o actual governo chinês acha que consegue lidar com esta determinação (esta resistência), então, ele não entende que a fé move montanhas. E se não consegue compreender algo tão simples, num país profundamente religioso, então, e tal como aconteceu já em muitos episódios da história mundial, o país dominador tem os dias contados lá. Nada demove um povo determinado, pode demorar, mas eles expulsam sempre os opressores, sejam eles quem forem. Quanto aos outros países do mundo, talvez se devessem questionar sobre o persistente interesse de um grande país como a China num estado tão pequeno, e, aparentemente, sem os grandes e tão cobiçados recursos primários que movem nações a dominar outras. Qual será o verdadeiro interesse da China por aquele estado, que se dá a tanto trabalho para integrar uma região dentro das suas fronteiras, sem querer saber da vontade do seu povo? Que interesse será esse que o leva a ser implacável com pessoas desarmadas cujo único intuito é a recuperar a independência e a dignidade perdidas? Depois, o que é mais importante do que a vontade de um povo?



publicado por fatimanascimento às 17:08
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Sexta-feira, 18 de Janeiro de 2008
Indemnizações?

O povo português já percebeu que, num estado de direito, pode castigar esse mesmo estado, quando este não cumpre com os seus deveres. Foi o que aconteceu recentemente aquando da morte de um paciente, já aconteceu outras vezes, e poderá continuar a acontecer… e, quando recebem o dinheiro, as pessoas sentem-se menos injustiçadas perante situações difíceis, (muitas destas irremediáveis!), com que se viram confrontadas em determinado momento das suas vidas. A solução geralmente encontrada é o pedido de indemnizações ao estado. Não discuto. Mas esta solução dá que pensar. O estado tem dinheiro, pelo que pode pagar essas indemnizações. Mas já pensaram de onde vem esse dinheiro utilizado para pagar aos lesados? Não será dos impostos que nós pagamos ao estado e que tão significativo é no corte que representam no salário do final de cada mês? Eu refiro-me sobretudo aos portugueses que trabalham por conta de outrem e que não têm hipótese alguma de fugir ao fisco. Não serão estes os verdadeiros lesados das indemnizações? Nós, por vezes, parecemos esquecer-nos desta realidade - somos nós que pagamos as indemnizações aos queixosos. Eu questiono-me se não haverá outra forma de o fazer… As políticas, nomeadamente a da saúde, que encontra uma maneira de poupar dinheiro encerrando, ao que parece um pouco descuidadamente, centros de saúde e hospitais, (ou alguns serviços destes!), por esse país fora, são feitas por homens que assinam documentos e outros que as aprovam, dando sinal verde para a sua execução. Não serão estes os verdadeiros responsáveis por essas perdas irreparáveis nas vidas das pessoas? Então, não será a esses que, depois de apuradas as responsabilidades, se devem pedir as indemnizações e não ao estado? Não é assim que sucede sempre que temos razão de queixa de alguém? Aquela médica, acusada de negligência, não está a ser julgada e a enfermeira, também acusada, não foi reformada compulsivamente? Não sofremos, todos nós, na pele, as consequências dos nossos actos? Então porque há-de ser diferente para aqueles que trabalham no estado, em esferas de grandes responsabilidades? Se assim acontecer, tenho a certeza que as pessoas envolvidas em projectos de natureza política, sejam eles quais forem, vão ter mais cuidado com as soluções apresentadas e com as decisões a tomar… vão, pelo menos, pesar mais as consequências dessas decisões políticas que tanto atrapalham a vida do cidadão comum. Sim, porque muitos destes encerramentos, dá-me a sensação de serem feitos por pessoas debruçadas sobre o mapa do nosso país, guiando-se pela distância no mapa, sem terem a noção real do espaço e do incómodo e perda de tempo que representa para o cidadão comum as deslocações para outras unidades hospitalares… em que planeta vivem essas pessoas, nossas conterrâneas, que fazem estes projectos e as que tomam tais decisões? Não deve ser no planeta Portugal, com certeza! Pelo menos, não é de certeza, o mesmo em que nós, os que sofremos na pele tais decisões, vivemos.



publicado por fatimanascimento às 10:19
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Segunda-feira, 1 de Outubro de 2007
A (in)segurança social

 

Desde que começamos a trabalhar, começamos a contribuir para os organismos do estado. O mesmo aconteceu comigo. O problema é que o estado tem vários organismos para os quais descontamos e não só um, como seria de esperar. E, depois, vêm as inesperadas consequências.

 Quando comecei a trabalhar, falaram-me dos descontos e perguntaram-me se queria ser sempre professora ou teria em mente uma futura mudança de emprego. Eu respondi, e bem, que o ensino era o meu caminho. Então, ficou resolvido que não seria necessário descontar para a segurança social. Eu fiquei indecisa… sabia, por experiência própria, que a vida dava muitas voltas. Mas, não havia necessidade… Aceitei, embora não muito convencida. Parecia eu que estava a adivinhar. Mas o que eu nunca poderia adivinhar, era que, um dia, muitos anos depois dessa conversa, e depois de uma luta enorme para conseguir a efectivação, e sobretudo uma perto de casa, eu escolheria, num malfadado destacamento, a escola errada, com as pessoas erradas (exceptuam-se aqui os alunos) que, à falta de maior interesse, resolveram embirrar comigo, desde o início, desenvolvendo uma perseguição implacável. Como não faço mal a ninguém, não me meto na vida de ninguém, não prejudico ninguém… nunca compreendi a sede de perseguição daquela gente. As pessoas com quem trabalhei, (e foram muitas, em quase vinte anos de carreira, uma vez que só repeti duas escolas), sabem perfeitamente como eu sou, e falo de colegas, empregados, alunos, pais… nunca prejudiquei ninguém. A minha posição foi sempre a de ajudar os outros. Este ano lectivo que findou, as situações tomaram tais proporções que eu sentia-me mal, desde que entrava naquela escola até que saía. Por fim, quando me confrontaram com uma falta injustificada, comunicada dezassete dias depois, entendi que já tinham ultrapassado todos os limites possíveis e as situações alcançado proporções nunca por mim imaginadas. Tudo isto aconteceu num ano, o que não aconteceria nos outros dois que se seguiriam… Sim, porque, logo neste ano lectivo passado, a senhora ministra lembrou-se de que os destacamentos teriam a duração de três anos. Ora, depois de um ano infernal, o que não aconteceria nos outros? Foi com muita mágoa que decidi pôr fim à minha carreira, recusando, desta forma, trabalhar com pessoas que não me deixaram saudades nenhumas: nem a nível profissional, nem a nível pessoal. Agora, corro o risco de não conseguir rendimento mínimo nacional, até conseguir um outro emprego. Porque os descontos todos que fiz, e pesaram no vencimento mensal, não incluíram a segurança social. Daí a minha questão anterior – porque não descontamos todos para mesmo organismo? Assim, este problema não se colocaria… Pensem nisto antes que mais alguém se veja na mesma situação!

 



publicado por fatimanascimento às 20:38
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