Sempre defendi que se pode fazer tudo, mas que nada se pode fazer contra a má vontade. E, como não poderia deixar de ser, é verdade. E esta realidade aplica-se a tudo. Para quem trabalha directamente com material humano sabe disso. As escolas não são excepção. Sobretudo nas substituições. Ninguém é insubstituível? Algumas pessoas são, outras não? O que sei é que as pessoas de que realmente gostamos são insubstituíveis. Esta é uma realidade universal. Não quer isto dizer que algumas pessoas são melhores naquilo que fazem do que outras, o que acontece é que todos somos diferentes e sentimos mais inclinação para umas pessoas do que outras. Estou a lembrar-me de uma colega que me contou um caso passado indirectamente com ela. Ela estava, há já alguns anos, a leccionar numa escola situada a mais de cem quilómetros da sua residência e teve oportunidade de, a meio do ano, conseguir emprego num hospital, substituindo outra colega. Ainda lá se encontra. Como se foi embora, outra colega veio, por sua vez, substituí-la. A relação entre os alunos e a nova professora estava longe de ser boa. Esta esforçava-se ao máximo, mas não parecia ser suficiente. Cansada de tanto dar, sem nada conseguir receber em troca, ela dispôs-se a falar com os alunos, numa desesperada tentativa de conseguir perceber qual era o problema. As comparações com a antiga professora foram inevitáveis. Não, não, reconheciam os alunos, a outra professora até nem fazia metade do trabalho que ela fazia, mas tinha aquela coisinha… Tratava-se do aspecto afectivo. Eles estavam muito ligados à outra professora e não se conseguiam despegar desse sentimento. Habituados, há muito, ao seu método de ensino e à sua maneira de ser, eles estranhavam, agora, aquela estranha que nada tinha a ver com a outra. Tratando-se de adolescentes, e sendo bastante levados pelo sentimento, eles têm dificuldade em entender que, independentemente do sentimento que os ligam aos docentes, eles estão na escola para aprenderem e que se derem uma oportunidade aos novos, a afeição que havia antes, poderá ser reabilitada e o trabalho bem mais agradável e com maior sucesso. E, sobretudo, eles precisam de compreender que ninguém quer substituir ou deve substituir alguém nos corações deles. O que têm é de respeitar o docente que têm à frente quer gostem ou não dele. Ninguém criou aquela situação por prazer mas já que ela surgiu, terão de lidar com ela da melhor maneira. E fazer-lhes compreender isso?
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