opiniões sobre tudo e sobre nada...
Quinta-feira, 19 de Fevereiro de 2009
A imagem de Portugal no exterior

Li, há pouco, um artigo de opinião, onde um político conhecido dava conta da má impressão que os outros países da Europa têm do nosso país. Isto dá que pensar… Quem dá essa má impressão do nosso país?

A maior parte dos portugueses não tem dinheiro para se deslocar ao estrangeiro. Mas eles têm a possibilidade de se deslocarem cá… Tendo em conta que somos sempre, salvas as raras excepções, (que as há), muito acolhedores e simpáticos com os visitantes estrangeiros, não deve ser do pouco tempo que por cá passam que eles ficarão com essa má impressão. Os portugueses que abandonaram o nosso país, no intuito de encontrar, nos outros, uma vida melhor, estão, na sua maioria, bem vistos e perfeitamente integrados nas sociedades de acolhimento. Noutros campos, como o desporto, temos alguns desportistas que levaram o nome do nosso país aos quatro cantos do mundo (quem não conhece Cristiano Ronaldo ou o Figo?) Isto só para citar o futebol que continua a ser o líder dos desportos. Nas artes, também vamos conseguindo o espaço para levar até esses países o que por cá se faz… Não poderemos esquecer nomes que são já uma referência internacional (pelo menos na literatura, que são os mais conhecidos).

Resta-nos os campos da política, da justiça (que em certas esferas parece não funcionar) e da economia e finanças (casos BPN e BPP, os mais conhecidos). São estes campos que dão uma má imagem do nosso país ao resto do mundo, uma vez que o que se passa por cá também é notícia nos outros países… não admira! E como nada se prova nem se sabe nada em concreto, a não ser algumas declarações dos visados que parecem não ter outro fim que o de despistar quem ouve, e, quando ainda não se apuraram as responsabilidades do caso Freeport, já andam atrás dos responsáveis pelas fugas ao segredo de justiça… parece-me, no mínimo, estranho! Para já não falar do envolvimento de certas pessoas, ao que parece, já identificadas e ligadas à administração pública que, segundo declarações, estão envolvidos em negócios escuros não se fazendo nada para pôr cobro a tal situação. Isto não indicia nada de bom. É, no mínimo, assustador! Ora, constituindo estas notícias a maior parte do bolo informativo, (e as primeiras páginas dos jornais e a abertura dos noticiários), nos mais variados tipos de meios de comunicação no nosso país, sê-lo-ão também nos outros, não será difícil de perceber quem projectará tão má imagem do país no exterior. Às vezes, quando oiço notícias destas, tenho a sensação de que estão a falar, não do nosso país, mas de um país corrupto do terceiro mundo!

 



publicado por fatimanascimento às 21:22
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Domingo, 15 de Fevereiro de 2009
As palavras do cônsul

Já todos ouvimos falar das chamas que devoram o território australiano, e dos prejuízos que causaram a um grande número de pessoas, que perderam os seus bens e alguns, inclusive, o bem mais precioso - as suas vidas.

Esta manhã deparei-me, num dos noticiários da rádio, com as palavras indignadas de um nosso compatriota, que, muito revoltado, tecia elogios ao apoio australiano que lhe estava a ser prestado, e que em nada parecia diferenciado do que davam aos próprios australianos, mas indignava-se contra o pessoal do consulado, instalado na cidade, da qual mora a poucos quilómetros de distância. Contava o indignado cidadão português que, para além do apoio prestado pelas autoridades australianas, desse consulado, não havia nem notícias. Passado pouco tempo, ouvia-se um registo também ele gravado, com as palavras do próprio cônsul, que dizia que existiam na Austrália mais de 15 mil portugueses, pelo que ele não poderia adivinhar se algum dos portugueses, residentes naquele país, havia sido atingido pela catástrofe. Estas palavras criaram em mim uma estupefacção! Compreendi, naquele momento, o nosso compatriota! O pessoal dos consulados parece estar fechado no seu casulo, só se lembrando da sua tarefa, quando lhes chega alguma notícia, revelada pelos diferentes meios de comunicação social ou pelos outros meios: telefone, fax, etc.. É curiosa esta atitude! Espera-se das pessoas de um consulado que mostrem um mínimo de interesse pelo que se passa à sua volta. Como? Telefonando, elas próprias, para as autoridades australianas ou deslocando-se elas próprias aos serviços onde possam ser informadas se há portugueses atingidos pela calamidade. Era esta a atitude que eu também esperaria dos membros do consulado português, se estivesse na pele dos nossos compatriotas - que se interessem e procurem informar-se sobre o que se passa com a comunidade portuguesa ali residente. Se não for assim, para que serve a criação desses postos de trabalho em países estrangeiros? Só para dar empregos a amigos, que se comportam como se estivessem a passar umas férias no estrangeiro, bem pagas ainda por cima? Isso, qualquer pessoa pode fazer… mas num cargo destes, há que ser minimamente exigente com essas pessoas que representam o país. Concordo, absolutamente, com a indignação e as palavras do nosso artista plástico, residente naquele país. Depois de alguns casos isolados que chegaram ao nosso conhecimento, através da comunicação social, este é mais um que põe em causa a eficácia do trabalho dos nossos diplomatas no estrangeiro.

 



publicado por fatimanascimento às 11:25
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Sábado, 14 de Fevereiro de 2009
A esperança e os factos

O Natal é um período mágico. Nele se diluem todos os medos, todas as preocupações, todas as raivas, todos os ódios… Vive-se um clima de harmonia excepcional exclusiva desta época. A pessoa concentra-se exclusivamente nas festas que se avizinham, na comida, nas prendas, na família… mas há um sentimento morno no ar, que nada tem a ver com a coluna quente de fumo que se desprende da boca do assador das últimas castanhas da época. Os traços faciais estão mais diluídos e o rosto parece emitir uma luz que vem da alma. Há uma inevitável esperança que preenche os espíritos das pessoas com que nos cruzamos na rua. Mesmo vivendo momentos difíceis, que ameaçam prolongar-se por uns bons longos anos, as pessoas necessitam de viver este momento, que lhes dará o ânimo que irá sendo carcomido pelos bichos da incerteza e da instabilidade, ao longo do ano que se aproxima. Esse estado de espírito começa a desvanecer-se logo a seguir ao dia de Natal. As notícias, que preenchem os ecrãs, anunciam um ano problemático cheio de aumentos e desemprego, enfim… anunciam aquilo que todos já sabemos mas nos recusamos a encarar, porque não queremos perder esse estado de graça, com que somos agraciados nesta excepcional época – não existe abismo nenhum entre o novo ano e o precedente, mas uma simples continuação. As pessoas acordam do seu curto estado de graça, para enfrentarem novos e velhos problemas do país que não tem pessoas capazes de lidar com as situações criadas interna e externamente. As velhas soluções servem para tapar os velhos novos problemas existentes. Sim, porque dentro do sistema capitalista, os problemas repetem-se e, enquanto dermos mais importância ao dinheiro que às pessoas, menos soluções possíveis encontramos para ele. A dura realidade faz renascer os receios que ameaçam corroer o sentimento harmonioso que preenche as esfomeadas almas, desequilibrando-as e ameaçando-as novamente com o fosso do desânimo, para onde, invariavelmente, somos projectados, ano após ano. Sim, não se fecha nenhum ciclo (como gostamos de pensar) antes se continua o que estivemos durante um ano (e mais!) a percorrer. Somos, aliás, uma consequência dele.



publicado por fatimanascimento às 14:23
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Domingo, 8 de Fevereiro de 2009
A bela região do demo

Voltei à vida de nómada. Outra vez para longe e por umas poucas horas lectivas. Fui, há relativamente pouco tempo, apresentar-me na nova escola. Tentando economizar nas portagens, fiz um desvio, meu conhecido, e… perdi-me. Até Viseu, as estradas estão bem sinalizadas, sobretudo as auto-estradas (embora se esqueçam de sindicar o sentido a quem desconhece). Seguindo por estradas nacionais, o mesmo já não se poderá dizer. Sabia que, seguindo a estrada nacional escolhida, desembocaria algures numa estrada nacional que me levaria ao meu destino. Segui confiante o meu caminho até perceber que, através das indicações imprecisas, não conseguiria chegar fosse a que lugar fosse. Todas as pequenas terras beirãs estavam bem sinalizadas, o pior era perceber como conseguiria dirigir-me aos distritos mais a norte. Parecia, pela sinalização encontrada, que o país terminava por ali. Parei a carrinha e perguntei nalguns, (poucos), restaurantes que encontrei a direcção a seguir. Para além de vagas, elas eram também imprecisas. A sinalização indicando a auto-estrada 24, muitas vezes, indicava só a direcção de Vila Real, (quando indicava) ignorando o sentido Vila Real-Porto. Depois de andar às voltas, verifiquei que me afastara do destino (Guimarães) 98 quilómetros. Não fosse o dia da apresentação na escola, e o horário da secretaria, os problemas da carrinha (radiador roto) teria sido até uma viagem agradável, com a brancura dos campos estendendo-se a perder de vista, cobrindo a paisagem e dando-lhe aquele belíssimo toque especial que encanta todo o humilde ser humano. Como Portugal não são só as auto-estradas, e elas não são o caminho único para qualquer destino nacional, talvez fosse importante repensar toda a sinalização deste país, começando pelo distrito de Viseu, no sentido de deixar às pessoas a sensação de segurança que necessitam quando escolhem essas estradas para viajar, porque elas não servem só as populações locais, mas também todas aquelas que querem servir-se delas como alternativas às principais vias rodoviárias. Depois, dada a beleza da paisagem e a riqueza arquitectónica dos monumentos, e não só, daquela região a norte do distrito de Viseu, acho que as autoridades deveriam pensar bem na melhor maneira de tornar aquela região um ponto de passagem - ida e regresso. A região só teria a lucrar com isso. Eu, para já, e enquanto não souber que a sinalização rodoviária foi melhorada, não me atrevo mais por a passar por aquelas bandas. Não é que não goste, por acaso revi o que já conhecia e admirei o que ainda não conhecia, com muito agrado, mas não quero correr o risco de me perder outra vez.



publicado por fatimanascimento às 15:19
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Sexta-feira, 6 de Fevereiro de 2009
Peso do euro ou simples evolução dos tempos?

Lembram-se das manhãs em que nos levantávamos cedo para ir ao pão? Pegávamos no saco branco bordado e dirigíamo-nos à padaria do bairro, com o número das unidades bem memorizado ou com o papel riscado (ajuda aos mais distraídos) à pressa pelos pais que jazia perdido no fundo desse saco? Lembram-se das carcaças também conhecidas por papo-secos? Aquele pão ligeiramente esguio, leve e pequeno, com um vinco ao meio e terminado por duas pequenas pontas redondas, uma de cada lado, com uma côdea levemente dourada e estaladiça, do qual se desprendia um aroma delicioso a pão quente? Sim, esse mesmo. Voltávamos para casa, com o pão agasalhado dentro do saco, e aquele aroma acompanhava-nos, reconfortando-nos a alma. Esperávamos ansiosamente pelo momento de chegar a casa, para pegar numa faca, retirar a manteiga do frigorífico, abri-lo e barrá-lo… que delícia! Lembram-se como as carcaças eram acessíveis à maioria dos bolsos? Já não são mais…

  Estava, um dia destes, numa daquelas intermináveis filas, características das grandes superfícies, quando dei por mim a reflectir no preço do pão. Trazia quatro sacos de carcaças, dentro daquelas embalagens plásticas, com uns buracos minúsculos, cada uma com cinco, a 89 cêntimos cada saco… dá 3,56. Isto, na antiga moeda portuguesa, dá 712 escudos. Dei 712 escudos por 20 carcaças! Já o havia pago mais caro - a 98 cêntimos o saco de cinco! Ao que parece desceu. Não percebo muito da política de preços, mas, com a crise financeira instalada, o aumento dos preços e o desemprego são um sinal de fome nos tempos vindouros… se ela não existir já! E com ela o enfraquecimento do corpo e toda a espécie de doenças! Como todos nos cruzamos com todos, as doenças não irão conhecer fronteiras e, tal como na Idade Média, (nem sei porque me lembrei desta época), ela não distingue o pobre do rico. A peste pode ser outra, mas os contornos estão lá. Isto mostra que não evoluímos nada a nível das mentalidades desde os tempo mais remotos! Que rico mundo, estamos a construir! E que tal optar por um não aumento dos preços, este ano, para variar, e não piorar o problema social com que nos debatemos?

 



publicado por fatimanascimento às 08:27
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