opiniões sobre tudo e sobre nada...
Quinta-feira, 15 de Janeiro de 2009
Será pedir demasiado?

Não sei o que se passa, mas é desmotivante. Já faz um ano, desde que me demiti, em 02 de Agosto de 2007, daquela escola, e, desde então, tenho procurado emprego. Consegui alguns, para ter a prova que o mau ambiente vivido naquela escola se pode multiplicar por mil ou mais, com a agravante de que aquelas são pessoas licenciadas, pelo menos a maioria delas, mas a formação moral e cívica não ultrapassa a daquelas que trabalham na cozinha, ou num lar de idosos, etc., com uma formação que não chega à escolaridade mínima obrigatória, salvo raríssimas excepções. Uma das minhas preocupações foi inscrever-me não só no Centro de Desemprego e Formação Profissional, assim como nos sites existentes e cuja função é a de recrutar pessoas para as propostas de trabalho oferecidas. Estas ideias são excelentes, mas o problema é que não funcionam. Pelo menos comigo! Recebi há pouco uma oferta que me interessou e candidatei-me. Preenchi o formulário até ao fim e carreguei no botão electrónico enviar. Foi aqui que começaram os problemas. Pediam-me que escolhesse uma língua, eu escolhi, pediam que escolhesse o nível da mesma, assim fiz, pediram-me a palavra passe, introduzi-a. Carreguei novamente no botão enviar. Mas o teimoso formulário recusou-se sempre a ser enviado, mantendo-se desafiadoradamente, diante dos meus olhos. E não foi mesmo. Passados minutos, voltei a tentar. O formulário embirrou com o nível de língua. Recusou-se a partir. Contactei a infoemprego.pt contando-lhes o que se havia passado. Esse formulário partiu! Mas posso ter já perdido uma boa ocasião de conseguir trabalho. Depende da brevidade com que me responderem. Mas não tenho ilusões. Um ano de desemprego fez-me a abrir os olhos para muitos problemas que eu sei que não terão resposta breve. Se juntarmos a este problema o outro site também referenciado pelos Centros de Desemprego e Formação Profissional, que eu sei que também apresenta falhas, eu própria já experimentei, os desempregados estão a braços com outro problema, para além da sua situação difícil de desemprego. Agora, resta-me esperar, para perceber o que se passa, e como posso resolver esse problema, que em tudo se assemelha a problema informático. Já que criaram estes sites, ao menos que funcionem convenientemente. Será pedir demasiado?



publicado por fatimanascimento às 20:39
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Segunda-feira, 12 de Janeiro de 2009
Falar de outros

Dizer mal tornou-se algo banal e parece querer alastrar-se a todos os aspectos da vida e, o que é mais grave, fala-se abertamente mal do que os outros fazem. Todos nós somos leitores e temos a nossa opinião sobre determinado livro que lemos, e, basicamente, gostamos ou não, por este ou outro motivo, e comentamos com amigos. Nada mais. Outra coisa é falarmos de um colega de profissão, falando da sua obra em termos depreciativos, e para mais, dizê-lo durante uma entrevista sua, e perante uma plateia de admiradores seus, e na presença de órgãos da imprensa…

Refiro-me a uma entrevista, que li recentemente, de um escritor português, de reconhecido mérito, e que conta com a admiração de muitos leitores nacionais e estrangeiros, para já não falar dos prémios nacionais e internacionais com que já foi presenteado. Nada tenho a dizer das respostas da sua autoria, não fosse uma única nota que colocou mau tom naquela entrevista, quando se referia a um outro escritor, nomeadamente ao último livro deste. Fiquei chocada porque, sinceramente, não esperava. E não esperava dele. E como na minha profissão, a minha posição foi sempre ajudar os outros, (mesmo quando terceiros falavam mal), ajudando-os, mesmo às escondidas, e outras vezes, com a cumplicidade de outros colegas, não percebo esta atitude, que não destoa, do que vulgarmente se passa por aí. Mas dele… eu não esperava isto. Não é por ser o escritor que é, porque sei que antes de sermos escritores, pedreiros, professores, actores, etc, somos, antes de tudo, pessoas. Eu não o conheço como pessoa, talvez tenha dito aquilo que realmente pensava, pois nunca me passou pela cabeça, o contrário. Só que não foi o momento, nem o sítio mais adequado para o fazer… Poderia ter esperado por um momento mais oportuno, onde pudesse falar calmamente com o escritor em questão e explicar-lhe porque não gostara do livro. Teria sido mais proveitoso. Também não sei a que se refere exactamente, quando diz que aquele é uma “m…”, mas não gosto de pensar que as coisas só têm uma maneira de ser feita, gosto mais de pensar que há mais do que uma, e que a literatura não é excepção. Depois, é só a sua opinião… e pelo número de volumes vendidos, há muitos leitores, seguidores do escritor visado, que gostam e que também precisam de ser respeitados. Sempre defendi que, independentemente da obra e do escritor que lhe deu vida, está também o gosto de um leitor, que por ser anónimo, passa despercebido, mas existe. Não vamos criar questiúnculas à volta daquilo que o outro faz, respeitemo-lo, simplesmente, gostemos ou não do que faz. Pelo menos publicamente.

 



publicado por fatimanascimento às 17:23
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Quarta-feira, 7 de Janeiro de 2009
O valor relativo dos prémios

Sempre afirmei que a importância que se dá a algo, independentemente do que seja, não vale por si própria, mas pelo valor que lhe é dado. Veja-se, por exemplo, o valor dos metais preciosos que, para a cultura ocidental, tem imensa importância, ou veja-se a importância que tem para um indígena de uma tribo brasileira, ainda não contagiada pela cultura dita mais desenvolvida. Tudo é relativo. Será esta uma verdade aplicável a tudo? Há, na nossa vida como seres humanos, certos aspectos vitais, sem os quais não poderemos viver e não precisamos muito de pensar para sabermos quais são. A importância deles é enorme, uma vez que são essenciais à nossa sobrevivência, enquanto espécie. O resto tudo é relativo e são as pessoas que lhes dão essa importância, ou não.

Para mim, a maior recompensa para quem escreve, é sem dúvida a atenção e o prazer que a sua obra pode suscitar no público leitor. É talvez o maior prémio – o reconhecimento público. Todo o autor tem um sonho – ser lido. E cada livro tem o seu perfil de leitor. Por isso, cada leitor aprecia mais umas obras do que outras. E todos somos, antes de mais, leitores. E ser-se leitor é apreciar-se aquilo que se lê e emitir uma opinião que pode ser mais ou menos profunda – pode ir de um simples “gosto” ou “não gosto” às considerações extensas tecidas sobre a obra que se leu. Mas a obra que não me convenceu, pode convencer outras pessoas. Já li obras premiadas que não me convenceram assim como li outras que me apaixonaram e vice-versa. Já me aconteceu também ler obras cujas críticas me chamaram a atenção, e cansar-me a meio. Poderemos daqui deduzir algo sobre o valor da obra? A meu ver não… Tem a ver, sobretudo, com o leitor. Então como poderemos encarar os prémios? Se pensarmos bem, qualquer prémio é atribuído por um júri, que conta, muitas vezes, com meia dúzia de pessoas “abalizadas” que, mediante certos critérios, se pronunciam pela escolha de um autor. Como leitores, têm a sua palavra a dar, e nada mais. Há que respeitar as suas escolhas, quer nós concordemos ou não com elas. O que é bom para eles, pode não ser para outros. Paciência. Se as pessoas que escolheram fossem outras, a escolha premiada seria a mesma? Isso não interessa. É a opinião deles. Há que respeitar. A literatura não pertence a meia dúzia de “entendidos” no assunto, mas também ao público em geral, que tem sempre a última palavra. Todos somos apreciadores, todos fazemos as nossas escolhas, com ou sem prémios. Não será a escolha anónima, que leva à compra de uma obra, um prémio já?

 

Fátima Nascimento

 



publicado por fatimanascimento às 19:18
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Segunda-feira, 5 de Janeiro de 2009
Caso surrealista

Pois é… parece ter sido retirado de um dos quadros de Salvador Dali. Não sei porque me lembrei dele ou da sua obra, que eu tanto admiro, mas agora que recordo aquela cena, acho que o genial pintor lhe daria as cores e os contornos certas para retratar, fielmente, aquele momento.

Contei-o, na privacidade das quatro paredes. Jamais o tinha feito publicamente. Não sei porquê. Talvez por considerar a situação demasiado insólita para ser compreendida ou aceite por quem quer que seja. Mas aconteceu. Numa tarde, procurei alguém que desse uma olhadela aos meus textos, que iriam ser publicados dali a pouco tempo. A minha insegurança fez-me seguir o conselho de um conhecido. Procurei um senhor que se prestou a reler os meus textos. Sim, havia ali muita matéria que indicava que um dia iria ser uma escritora. Entre os grandes entusiasmos dele, ele deixou sair uma frase, que me deixou intrigada. Pegou num dos meus contos, e, sujeitando as folhas impressas ao peito, disse-me que ele iria daquele seria um projecto a dois. Eu fiquei de pé atrás. Não me agradou a ideia. Ele percebeu. A sua atitude modificou-se lentamente, à medida que percebia que aquele projecto a dois, nunca iria ter lugar. Fez questão, ainda assim, e depois de algumas hesitações, de apresentar o meu livro. Sugeri que poderia levar alguns do dele, para as pessoas darem uma olhadela, pois iria falar do trabalho dele, quando o apresentasse ao público presente na sala. Ele falou logo em vender. Mais uma vez, fiquei de pé atrás. No dia da apresentação, trouxe um saco de livros seus, que pedira à editora. Na apresentação, ele começou a falar lentamente e, quando menos se esperava, disse que iria dizer algo que não pensara em dizer mas que fá-lo-ia ainda assim. De pé, a seu lado, eu esperei o que sairia dali. Fiquei em estado de choque. Como me diria alguém, mais tarde, ele tentara arrasar-me ali, enquanto enaltecia a sua obra. A sala silenciou-se. O choque não me atingira só a mim, mas a uma plateia considerável de rostos amigos e sorridentes, agora estupefactos. Ninguém sabia ao certo como contornar aquela situação insustentável. Uma nuvem negra encheu a sala, cobrindo toda luz que nela existira. Para evitar estragos maiores, um dos presentes, muito diplomaticamente, começou lentamente a bater palmas, dando ânimo a uma sala suspensa no tempo. As palmas alastraram pouco a pouco pela sala, aliviando a tensão, embora breves e nada entusiastas. O alívio foi geral. A figura sentada a meu lado remexeu-se na cadeira, levantando-se e saindo de cena, dando lugar às pessoas que se aproximavam para a cessão de autógrafos. Depois de tanto tempo passado, e revendo aquela situação, e depois de muito se falar do assunto, com algumas pessoas, cheguei à conclusão que pagara bastante caro a falta de entusiasmo pelo projecto a dois. Nunca mais acredito em alguém que se movimente no mesmo campo.

 



publicado por fatimanascimento às 12:50
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