opiniões sobre tudo e sobre nada...
Terça-feira, 6 de Maio de 2008
Ingrid Betancourt

                      

 

 

Há já um certo tempo que me interessei por esta mulher doente, um magro espectro daquela mulher que eu adivinho ter sido idealista, recta e determinada nas suas convicções políticas e sonhos. Ela sonhou com uma Colômbia diferente e, muito provavelmente, teria conseguido realizar o seu sonho, se lhe tivessem dado a oportunidade que merecia. Não conseguiu. Foi raptada, pelas FARC, em 23 de Fevereiro de 2002, exactamente numa região da Colômbia que nenhum candidato à presidência se lembraria de visitar, por medo. Ela foi. A coragem, até nesta decisão, é marcante na personalidade de Ingrid que, antes, já a mostrara, quando denunciou publicamente o mal que infestava o seu país, mesmo apesar das ameaças e da dor de se ver separada dos filhos, ela não desistiu da sua posição. Todo o seu comportamento mostra o bem que ela iria fazer por ele, se lhe tivesse sido dada uma hipótese. Passados seis anos de cativeiro, alguns reféns já foram libertados, ela não. Porquê? Olhando para o povo daquele país, facilmente se adivinha que ele só teria a ganhar com alguém como ela à frente do país. A quem é que ela não interessa então? As FARC, depois de tudo o que se sabe sobre elas, não estão propriamente nas boas graças da opinião pública, internacionalmente falando, pelo que a sua libertação só iria, forçosamente, melhorar a sua imagem. (De facto, as suspeitas de tráfico de droga, de roubo de gado, sequestro, a integração de adolescentes nas suas forças, entre outras acusações, não criará especial simpatia no povo colombiano, quanto fará na opinião pública internacional.) Incompreensivelmente, elas continuam ainda assim, a mantê-la em cativeiro… embora sabendo que ela está doente e que, a sua condição física pode, a qualquer momento, sofrer um fatal revés, perdendo elas, desta forma, a sua refém mais mediática. A partir desse momento, elas correrão o risco de ficarem entregues a elas mesmas, e a braços com a justiça internacional e com a má vontade ou indiferença dos outros povos, perante a sorte deles. Pelo que já ficou dito, as FARC nada ganham com a manutenção de Ingrid em cativeiro. . Então, volto a colocar a questão já antes formulada por mim – Quem é que poderá estar interessado na continuação do sequestro de Ingrid Betancourt? Para quem é que ela poderá ser ainda uma ameaça? Segundo um ex-refém das FARC, ela continua a sonhar com a presidência colombiana, apesar de tudo…



publicado por fatimanascimento às 10:19
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Domingo, 4 de Maio de 2008
Heróis

Todos nós tivemos os nossos heróis na infância que, na adolescência, foram substituídos pelos ídolos. (Julgo que muitos adultos ainda esperam um herói.) O que os diferencia uns dos outros é a sua natureza. Enquanto uns emergiram das páginas dos livros, dos desenhos-animados, sendo, sobretudo, fictícios, outros surgiram da obscuridade dos tempos, devido aos actos de valentia que os tornaram imortais. Eles foram muito além das normas que regulavam a vida dos povos, e que nem sempre eram justas, não perdendo eles, nunca, os ideais defensores da dignidade dos seres humanos, sobretudo dos mais desprotegidos. Depois, só surgiram os heróis porque havia vilões que eles combateram. Sempre foi assim e sempre assim será.

O que preocupa é que, quando há heróis, e estes destacam-se por ter a coragem de assumir atitudes que os outros, pelas mais diversas razões, não tomam, isso, geralmente, quer dizer que temos uma maioria, pelo menos aparentemente, amorfa. É sempre difícil ver alguém insurgir-se ou manifestar a sua opinião seja contra ou sobre o que for ou quem for individualmente… e, quando o fazem, as consequências são sempre as mesmas (ou raramente variam) – a perseguição pessoal, que pode ter as mais diversas facetas. Chegados a este ponto, poucos são aqueles que resistem, porque é sempre fácil esmagar uma só pessoa. E é o que acontece aos mais audaciosos que, individualmente, de alguma forma, tiveram a audácia de ir contra o sistema implantado. Se tivermos em mente o que aconteceu em países ditatoriais, onde pessoas desapareceram para sempre, sem deixar rasto… percebemos porque muitos deixam de lado os seus ideais. Nos países, ditos democráticos, o caso é mais complicado. As formas de perseguição ganham contornos nunca vistos, mas são, na sua maioria, mais discretos. Só as pessoas visadas sentem essa perseguição que, aparentemente, nada tem de mais e que, muitas vezes, implica mais do que uma pessoa a perseguir a mesma - sabemos (ou imaginamos) como os tentáculos do poder chegam a todo o lado. Por isso, nestes tempos, tudo parece desenrolar-se ao contrário, e é o herói que é perseguido e perde a batalha. Talvez lhe faltem os aliados com os mesmos ideais e a mesma coragem que o caracteriza, talvez seja o final desse herói que faz com que os outros escolham manifestar-se em grandes grupos, de modo a não serem identificados e a não terem a mesma sorte. Para isso, não é precisa muita coragem… só boa vontade e disponibilidade para defender os seus interesses, porque são, sobretudo, estes que levam as pessoas à rua. O resto, preferem fingir que não vêem… ou talvez pactuem com eles, mesmo silenciosamente.

 

Fátima Nascimento



publicado por fatimanascimento às 12:00
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Sábado, 3 de Maio de 2008
Objectivos ou pressão?

Não é sem um rasgo de espanto que ouvimos falar no que se passa em relação aos trabalhadores da ASAE, ou da PJ ou mesmo noutros serviços estatais. Os objectivos são bons para que não nos afastemos deles, seja em que trabalho for. O que me preocupa são os números tão claros, tão rigorosos… e, aparentemente, tão mal intencionados? Como é que se exige um determinado número de trabalhos a trabalhadores que têm uma responsabilidade muito grande, pois têm nas mãos o meio de subsistência de muitas pessoas, que realizem tais números de encerramentos, de coimas, etc.? Isto leva-nos a questionar a boa fé de quem decide tão claramente o que pretende de tais serviços. Objectivos ou pressão? Talvez os dois. Como objectivos sempre os houve, mesmo que não estivessem definidos no papel, esta súbita, e algo caricata, ordem parece ter mais a ver com pressão do que com os objectivos propriamente ditos. Para já, estes objectivos têm como consequência directa a pressão a que os funcionários públicos estão sujeitos. Um dia destes, uma pessoa, dentro de um dos muitos serviços estatais, sentada ao computador, desesperava, queixando-se que o sistema operativo informático não funcionava e, em voz alta, perguntava, algo irritada, como é que “eles” queriam que os objectivos fossem atingidos se o próprio sistema informático não funcionava? No que respeita ao serviço de investigação, estes têm de ser muito mais cautelosos para não cometerem erros, porque, e mais uma vez, está a vida das pessoas em risco. Por isso, esta ideia de impor um número determinado de serviços por pessoa foi feita por pessoas que não sabem o que é e como é trabalhar em determinados serviços com as condições que têm. Agora, há uma outra questão que me incomoda - Porquê esta súbita preocupação em apresentar serviço feito? Será que o governo pretende alimentar a sua máquina propagandística de forma a melhorar a sua imagem, tão desgastada, junto dos cidadãos, tendo em vista as próximas eleições? É que embora ainda falte algum tempo, o governo precisa desse mesmo tempo para reabilitar e não o vai conseguir fazer, pelo menos na totalidade. Uma das razões tem a ver com a falta de liberdade pessoal que essa pressão vem tirar junto de cada funcionário. Nota-se uma vontade muito forte por trás de cada decisão, uma pressão enorme da máquina governamental que faz lembrar outros tempos – os do medo.

 

Fátima Nascimento



publicado por fatimanascimento às 10:43
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