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Sábado, 14 de Março de 2009
A leitura dos jornais

Há muito que deixei de ler a imprensa escrita, principalmente jornais. Não suportava as más notícias que abriam continuamente a primeira página, em letras garrafais, quanto mais as outras. Vivia numa espécie de reclusão voluntária, ouvindo somente, durante a longa viagem, ocasionalmente as notícias da rádio, que passam de hora a hora. Ficava satisfeita. Nada mais me interessava, só o essencial. Protegia-me, deste modo, da angústia que me causava a leitura, sempre com as notícias que denunciavam os graves problemas os humanos existentes no mundo, a todos os níveis. Há pouco, e devido aos incentivos criados pela mesma, (aquisição de livros a preço imbatível e oferta de dvd na compra dos jornais) recomecei a ler, devagar, escolhendo cautelosamente os artigos, entrevistas, reportagens… muitas delas com grande interesse, como não poderia deixar de ser, que levantavam questões sociais muito pertinentes. O entusiasmo regressou. (Os incentivos resultaram!) Sempre que leio é como se a simples leitura ajudasse a resolver positivamente esses problemas. Mas não é assim. O facto de a imprensa nos alertar para os factos, não faz de nós participantes directos na mudança, o que faz com que essas denúncias e o risco de vida que elas acarretam, para os jornalistas que as denunciam, um trabalho vão, uma vez que, dentro de pouco tempo, elas serão esquecidas. Será indiferença? Talvez… talvez as pessoas se estejam a defender como eu o fiz. Acho que existe aquele sentimento angustiante que leva a pensar que, apesar de todo o excelente trabalho realizado, o mundo continuará na mesma. É isto que angustia as pessoas e as faz desligar-se do que se passa à sua volta, não é a leitura dessas notícias (apesar de estarem fartas) é a sensação de que nada mudará e que tudo, de uma forma ou de outra, está perdido. Esta indiferença é uma forma de morte. É certo que as notícias se discutem nos cafés, nos cabeleireiros, mas raramente passam daí. Então o que se pode fazer? Exigir dos órgãos governamentais acção nesse sentido. Afinal, se eles foram eleitos, que se mostrem minimamente dignos do povo que representam e se esforcem por colocar em prática as suas aspirações mais legítimas. Sobretudo, as questões sociais têm de nos preocupar e devemos bater-nos por ajudar a encontrar soluções, que são o maior problema, uma vez que são estas que mais fazem falta e as que escasseiam. O aspecto social diz respeito a todos e não só a alguns. Talvez, como povo, precisemos de ser mais unidos para começar a actuar como tal. E se as notícias envolverem membros do governo ou outras personalidades directamente ligadas a cargos, aquelas que deveriam proteger os nossos interesses mais imediatos? (Estou a falar daqueles que deveriam, por exemplo, proteger o dinheiro dos depositantes que neles confiam, e que acabam por lesar, mostrando não ser dignos do cargo ocupado?) O que não podemos, nunca, sob pena de todos pagarmos por isso, é voltar as costas e mostrar indiferença, ainda que esta seja falsa. Há que lutar por um mundo melhor. Todos merecemos isso… E, depois, se alguns arriscam a vida, que direito temos nós de ignorar o seu esforço? Isto, partindo do princípio que as notícias chegam todas, sem excepção, até nós e não ficam retidas algures seja lá porque motivo for.



publicado por fatimanascimento às 08:13
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Domingo, 15 de Fevereiro de 2009
As palavras do cônsul

Já todos ouvimos falar das chamas que devoram o território australiano, e dos prejuízos que causaram a um grande número de pessoas, que perderam os seus bens e alguns, inclusive, o bem mais precioso - as suas vidas.

Esta manhã deparei-me, num dos noticiários da rádio, com as palavras indignadas de um nosso compatriota, que, muito revoltado, tecia elogios ao apoio australiano que lhe estava a ser prestado, e que em nada parecia diferenciado do que davam aos próprios australianos, mas indignava-se contra o pessoal do consulado, instalado na cidade, da qual mora a poucos quilómetros de distância. Contava o indignado cidadão português que, para além do apoio prestado pelas autoridades australianas, desse consulado, não havia nem notícias. Passado pouco tempo, ouvia-se um registo também ele gravado, com as palavras do próprio cônsul, que dizia que existiam na Austrália mais de 15 mil portugueses, pelo que ele não poderia adivinhar se algum dos portugueses, residentes naquele país, havia sido atingido pela catástrofe. Estas palavras criaram em mim uma estupefacção! Compreendi, naquele momento, o nosso compatriota! O pessoal dos consulados parece estar fechado no seu casulo, só se lembrando da sua tarefa, quando lhes chega alguma notícia, revelada pelos diferentes meios de comunicação social ou pelos outros meios: telefone, fax, etc.. É curiosa esta atitude! Espera-se das pessoas de um consulado que mostrem um mínimo de interesse pelo que se passa à sua volta. Como? Telefonando, elas próprias, para as autoridades australianas ou deslocando-se elas próprias aos serviços onde possam ser informadas se há portugueses atingidos pela calamidade. Era esta a atitude que eu também esperaria dos membros do consulado português, se estivesse na pele dos nossos compatriotas - que se interessem e procurem informar-se sobre o que se passa com a comunidade portuguesa ali residente. Se não for assim, para que serve a criação desses postos de trabalho em países estrangeiros? Só para dar empregos a amigos, que se comportam como se estivessem a passar umas férias no estrangeiro, bem pagas ainda por cima? Isso, qualquer pessoa pode fazer… mas num cargo destes, há que ser minimamente exigente com essas pessoas que representam o país. Concordo, absolutamente, com a indignação e as palavras do nosso artista plástico, residente naquele país. Depois de alguns casos isolados que chegaram ao nosso conhecimento, através da comunicação social, este é mais um que põe em causa a eficácia do trabalho dos nossos diplomatas no estrangeiro.

 



publicado por fatimanascimento às 11:25
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Terça-feira, 21 de Agosto de 2007
A cultura da indiferença ou… da cobardia!

Não sei o que mais me mete nojo, se a posição de certas pessoas que prejudicam as outras, se a daquelas que, ao testemunharem tudo, nada fazem ou ainda prestam vassalagem aos que fazem mal, como se lhes quisessem mostrar que nada têm a recear deles… Cada vez mais esta posição está espalhada na cultura desta sociedade ocidental, cada vez mais individualista, calculista e hipócrita. O que é mais grave, é que esta posição, muito confortável para quem pensa que não se quer envolver em assuntos que não lhes dizem directamente respeito, está a pactuar com uma sociedade que vive de plástica. Não interessa o que existe de mau dentro dela, toma-se conhecimento, ignora-se e anda-se para a frente. Não interessa, porque não traz prestígio, só vergonha. E ninguém gosta deste sentimento, pois quem tem vergonha, são só aqueles que fazem o mal e são apanhados. Os outros, mais cautelosos, vão medindo cautelosamente os seus actos, tentando deixar os outros na dúvida, quanto à sua verdadeira natureza. São aqueles que não são peixe nem carne – são aqueles que não pactuam com o mal, mas também não se lhe opõem. Compreende-se bem esta posição. Todas as pessoas procuram, nesta vida, ser felizes e não se querem envolver em nada que ponha em perigo essa mesma felicidade, nem que para isso tenha de fazer uma plástica à sua consciência. Então, sem querer, e em nome dessa mesma felicidade, pactuamos, com a nossa indiferença, em todo o mal que acontece no mundo, e do qual nos desresponsabilizamos completamente. Não fomos nós que o provocámos, é certo, mas também nada fazemos para melhorar, ou até modificar, o estado do mundo. Não me refiro a teias venenosas que envolvem de tal forma as pessoas, que elas não conseguem distinguir o bem do mal, mas se tivermos atenção, e se nos interessarmos minimamente, até estas sórdidas teias acabarão por ser descobertas e os culpados descobertos. Mas, para tal, é preciso interessarmo-nos pelos outros, desde que isso não me traga os tão indesejados problemas. Então como agir, se eu quero dar-me bem com gregos e troianos? Fugindo ou fingindo que aquele problema não existe. É uma posição confortável… para quem faz o mal aos outros. Estes estão descansados, porque se algo correr mal, estão a salvo, ninguém viu nem sabe de nada. Quanto aos esmagados, esses, olha, que se defendam! Eu não me vou prejudicar, juntos dos prepotentes, por causa de um indivíduo, de quem eu até já começo já a ter as minhas providenciais dúvidas para mostrar boa cara aos esmagadores. E o que acontece aos poucos que falam? A atitude que deveria ser comum na nossa sociedade, é encarada como a de um verdadeiro herói… que os esmagadores, claro, procurarão desacreditar aos olhos dos outros, de alguma forma, para se safarem, porque há sempre uma forma… assim, é melhor aplicar uma plástica à consciência. O mundo continua mal? Que culpa eu tenho disso? Quando nasci o mundo já era assim… e, depois, eu não sou Deus… Olha, deixa andar… Até que chega a nossa vez de nos vermos confrontados com tão indesejáveis problemas, e, agora, como me defendo? Não posso contar com os outros, uma vez que eles não puderam contar comigo, e estou só… e andamos infinitamente perdidos nesta espiral viciante, sem encontrarmos saída para ela. Então o que fazem as pessoas para se defenderem? Vão por afinidades e juntam-se em grupos… os meus interesses são os teus, por isso vamos juntar forças e lutar para alcançarmos esse fim, seja ele qual for, e só estes têm a força suficiente para atingirem os fins, mas nem sempre os fins são bons…e voltamos à eterna espiral.



publicado por fatimanascimento às 11:24
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Quinta-feira, 12 de Julho de 2007
O conceito português de esmola

    Há alguns dias atrás, voltava eu a casa depois de um dia de praia, com muito vento e um sol brando, quando parei propositadamente em Leiria, para tirar algumas fotos a uma igreja dessa cidade. Passei, olhei, gostei do ângulo, estacionei o carro, peguei na máquina digital e saí. Quando caminhava de olhos postos nela, procurando esse ângulo tão desejado, mal reparei num rapazinho magro e baixo, de olhar avaliador que me olhava de forma oblíqua. Pedia esmola. Eu respondi rapidamente que não tinha nada comigo. E era verdade. Ele repara nisso. Atrás dele, uma senhora ainda jovem, de cabelo desgrenhado, empurrava um carrinho de bebé, cheio de roupa enrolada e atada em trouxas e, no cimo daqueles rolos, uma criança chorava amargamente. Fiquei impressionadíssima, mas continuei o meu caminho seduzida por aquele ângulo. Quando regressei, que ficara para trás, falava com dois homens cuja estatura fazia três a quatro vezes a dele. Impressionou-me aquele menino-homem de olhar fixo e modos desembaraçados, sem medo, replicando, de forma inteligente, àqueles homens que o ouviam e o olhavam divertidos. A mãe parara o carrinho atafulhado e tentava acalmar a criança mais pequena, que parecia seriamente incomodada com algo. Tocou-me a ternura daquela mãe, que conseguia, por momentos, acalmá-lo. De repente, dando pela falta do mais velho, voltou a trás à procura do mais velho, que desaparecera do horizonte da sua vista. Chamou-o impacientemente. O rapaz largou lentamente a esquina, com os seus calções e a sua camisola de manga curta demasiado largos esvoaçavam ao vento daquele final da tarde, respondendo ao apelo maternal. Mas algo parecia prendê-lo àquela conversa e o fez voltar para trás… A criança mais pequena, retomara o choro convulsivo, o que fez a mãe recuar. Já dentro do carro, eu pedi à minha filha mais velha a minha mala, que se encontrava no banco traseiro, e que contasse o dinheiro da carteira, enquanto eu arrumava cuidadosamente a máquina nas duas bolsas protectoras. Olhei novamente em frente. A mãe esperava impacientemente o mais velho, que regressava no seu passo seguro e confiante. O rapaz, de olhar arguto, já pusera os olhos num casal ainda novo, que, ao dar-se conta dele, pôs os olhos no chão, ignorando-o. Saí do carro e dirigi-me com dois dos quatro euros que tinha na carteira, e dei à senhora um para o mais pequeno e o outro dei-o ao mais velho, cujos bolsos tilintavam de moedas de um, dois, cinco… Arrependi-me, pela primeira vez, do meu desprendimento ao dinheiro, que me fazia andar sempre com o essencial na carteira. Fiz-lhes algumas perguntas sobre a vida deles às quais a mãe respondia com um português distorcido próprio dos estrangeiros. Pouco entendi. Percebi que a criança mais pequena se queixava de dor de ouvidos e que viviam nas imediações do hospital daquela cidade. O rapazito, manejando muito melhor a nossa língua, tentava colmatar as falhas, que eram muitas, do discurso da mãe. Desejei-lhes felicidades, esperando que a sua situação possa melhorar o mais rapidamente possível. Antes de voltar costas, recomendei ao mais velho que continuasse a olhar pela mãe e o irmão. Os olhos fixos e destemidos prometeram-me isso. Eles agradeceram mais a atenção do que a parca esmola que lhes dera, e que deveria cobrir uma magra parcela das suas necessidades mais básicas. Fiz as contas de cabeça, pensando em voz alta. Daria, pelo menos, para dois litros de leite, do mais barato, e algum pão. Como eu gostaria de ter feito mais! Como eu gostaria de ter uma varinha de condão para modificar estas situações! De momento, dada a conjuntura económica que nos faz andar com a corda ao pescoço, não é possível… mas, quem sabe, talvez um dia! Por enquanto, vai-se tentando remediar uma situação ou outra, na medida do possível...



publicado por fatimanascimento às 20:07
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