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Quarta-feira, 15 de Outubro de 2014
Fome

O meu pai costumava contar uma história que dava que pensar. Contava que um trabalhador andava à procura de trabalho. Como era bom trabalhador, não tinha dificuldade em obter a confiança dos patrões. Um dia, à hora do almoço, recebeu uma taça de sopa muito quente. Como era esperto, e procurando uma resposta à sua questão de forma a que ela revelasse o caráter do patrão, queixou-se da sopa que estava quente! A resposta seca não se fez esperar, que soprasse o líquido! Bastante introvertido, pensou para ela, não, este patrão não me convém. Passado um dia, foi bater a outra porta. Rapidamente esta se abriu para o acolher. À hora da refeição, na pausa do trabalho, ele voltou a queixar-se da temperatura da taça da sopa. A resposta também não se fez esperar. “Sopra!” Desanimado, deixou aquela casa, nesse mesmo dia com o intuito de encontrar um outro emprego. Uma terceira porta se abriu, e ele foi recebido por um senhor que lhe perguntou se comera. Ao ouvir a resposta afirmativa, ele dispôs-se a trabalhar. Ao almoço, ele recebeu a tradicional taça de sopa. Voltou a queixar-se e a resposta, desta vez, surpreendeu-o: “Bota migas na sopa!” O trabalhador sorriu. Encontrara o patrão ideal para ele.

O meu pai, à semelhança do que acontecia com muitos dos seus conterrâneos, quando as circunstâncias financeiras ainda pioravam mais, ele foi obrigado a abandonar a escola para ir trabalhar. Na altura, nem a idade nem as localidades pequenas podiam dar-lhe o patrão que tanto desejaria. Era um homem mau. Tratava-o mal fisicamente e a comida era racionada. Segundo ele, enquanto a mulher permaneceu em casa, a pouca comida nunca lhe falhara. Quando esta abandonou o marido, tudo piorou para aquela criança magra e ansiosa. Trabalhava de sol a sol e a comida, quando a havia, era um pedaço de pão seco e um pouco de água. Para cúmulo, quando o tempo não permitia, ele ficava fechado no curral, junto aos animais. Longe da luz e da comida saudável, ele começou a definhar. “Quando as portas se abriram, fechou os olhos à claridade que o ofuscava. Saiu para o campo com os animais e, no caminho, e por pura casualidade, cruzou-se com caras conhecidas. Afinal, as pequenas aldeias estavam muito juntas geograficamente e as populações conheciam-se bastante bem. Foram estas caras sorridentes que alertaram o meu avô para os maus tratos de que era alvo. Assim que pode, o homem subiu o carreiro inundado de um sol divertido e quente e bateu à porta do homem estranho, reclamando o filho. O homem, admirado, não disse nada, assim que o meu avô lhe explicou ao que ia. Pegou na mão do filho e, voltando-se para aquele monstro humano, não se conteve e, antes de rodar os calcanhares, disse-lhe que lhe confiara i filo para trabalhar, não para o mal tratar e exigiu ali mesmo o pagamento.

Esta história serve bem os tempos que vivemos atualmente e os de tantos outros que não tiveram a sorte de nascerem ricos ou mesmo remediados. Tratando-se de crianças ou adultos, a verdade é que a sorte em encontrar um patrão cumpridor é a riqueza de cada empregado/trabalhador. Aquela narrativa mostra isso mesmo! Assim houvesse possibilidade de escolha e o problema de muitas pessoas terminaria. Todos sabemos que os patrões, antes de o serem são pessoas com defeitos e qualidades que são sempre aguçadas pela educação. Mesmo em tempos de crise, é necessário perceber com quem lidamos.



publicado por fatimanascimento às 12:17
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Domingo, 24 de Outubro de 2010
A República, essa desconhecida

Um dia destes, tive a oportunidade de ver, nas notícias, a celebração dos 100 anos da implantação da República. Os discursos, mais virados para os problemas actuais do que para a importância da data em comemoração, não deu uma grande celebração. As questões postas aos populares sobre esta viragem na História do país, revelou que, mesmo os mais idosos, não sabem nada sobre esta época histórica. Todas as pessoas confessaram sinceramente a sua ignorância. Alguns falavam mesmo da mudança para a monarquia constitucional que tem vindo a ganhar tanta popularidade na Europa, a começar pela vizinha Espanha. Pergunto-me o que terá a ver uma com a outra. A verdade é que esta época histórica é muito mal conhecida dos portugueses, quando não é confundida com a ditadura.

Não sei como está a disciplina de História relativamente ao programa escolar, agora. Sei que, quando estudei, o programa era longo e nunca cheguei à implantação da República. Fiquei mesmo longe. Portanto, salvo as leituras realizadas fora do contexto escolar, nada sei. O que não deixa de ser estranho. Estamos numa República e, ainda assim, nada sabemos sobre ela. Bem, não é bem assim… Muitos de nós pensamos que é bastante enfadonha (depende das perspectivas) sempre com governos que se sucedem, sobretudo depois da instauração da democracia. Parece que ninguém se entendia ou queria entender. Eu vivi essa época. Não guardo muito boas recordações. Tudo parecia mais importante do que o interesse do país. Culpa dos políticos. Ainda hoje não ficam bem na fotografia. Ninguém parece acreditar neles. E não podemos culpar o povo, por tal saturação. As alternativas não são melhores. Ninguém parece saber fazer melhor do que os anteriores.

Agora, a culpa não é da República. Nem se pense que se mudarmos para uma monarquia constitucional os tempos melhorarão. Os políticos continuam os mesmos. Afinal, a vizinha Espanha não está melhor do que nós. Por tal, deixemo-nos de pretensiosismo e aproveitamentos políticos da crise. Afinal, se mergulharmos na nossa própria História, esta não passa de uma sequência de crises. Nunca estivemos bem. Nem quando éramos aparentemente ricos. E estávamos em plena época monárquica. É a mentalidade dos políticos que tem de mudar, são as pessoas que têm de mudar. É que antes de serem políticos são pessoas bem ou mal formadas. Ter um Presidente da República ou um rei, desde que sejam honestos, não vejo grande diferença. Salvo os economicistas que vêem aí uma oportunidade de poderem as economias do país poupar nas reformas dos Presidentes da República. Sim, porque os primeiros-ministros continuarão a existir... Agora, prefiro um bom Presidente da República a um mau rei e vice-versa. O Presidente sai ao fim de quatro anos e o rei… teremos de aguentar com ele até ao fim da sua vida?

Agora, se querem que as pessoas, sobretudo os mais novos, conheçam a História do século XX, não esperem que elas vão procurar informação. Salvas raras excepções, não o fazem. O melhor é começar mesmo pelas escolas. Se continuamos com programas extensos como aqueles que existiam, nunca chegaremos à República e, muito menos, ao nosso 25 de Abril. E, quando chegam, é já no final do ano, sem tempo seja para o que for. No que me diz respeito, julgo que teria sido interessante estudar essa época.



publicado por fatimanascimento às 18:03
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Sábado, 20 de Fevereiro de 2010
A estória das duas cegonhas

Estava a trabalhar em casa, num daqueles dias livres de componente lectiva mas dedicado à elaboração de materiais didácticos, quando ouvi uma estória extraordinária para crianças. A minha filha mais nova, aproveitando este dia em que fico em casa a trabalhar, quis também ficar comigo, mesmo sabendo que não lhe poderia dispensar muita atenção. Ligou a televisão da cozinha, preparou o pequeno-almoço (que raramente tomo) para ela e para mim e, terminada a refeição, deslizou para outros horizontes deixando a pequena televisão da cozinha ligada. A indolência, aliada ao entusiasmo com que trabalhava no computador, fez com que o aparelho continuasse ligado. A certa altura, quando procurava resolver um problema inesperado da impressora, ouvi uma voz que contava uma estória de duas cegonhas, mães de um rapazinho. À medida que o enredo se desenrolava, ia ficando cada vez mais fascinada. O que mais me encantou foi a ideia e a sensibilidade com que foi desenvolvida. A mensagem social não me passou despercebida. A minha posição sobre ela também é conhecida. Sempre defendi e defendo a ideia da estória. O que interessa é o amor e não interessa quem ama. O que interessa é a natureza da pessoa e não quem é. O problema, como não poderia deixar de ser são os outros, mas o que se estranha hoje, amanhã é encarado com naturalidade. Tudo tem o seu momento. O que está errado, na minha opinião, é que encarar-se mais o amor no aspecto físico do que espiritual. Quando encontro algumas pessoas, tenho a nítida sensação que nada me dizem ou então, pelo contrário, que me dizem algo. E quando nada me dizem, nem vale a pena forçar, respeito-as, nada mais. O que quero defender aqui é que todos têm a liberdade de escolherem o seu parceiro. Que o amor, antes de ser físico é espiritual. E sei a força arrebatadora que ele tem. Que todos temos necessidade de amor, não importando de onde ele vem. Deve-se realçar que é estúpido pensar que a adopção por casais homossexuais pode trazer problemas à criança. Problemas têm aquelas que não sabem o que é o amor da parte daqueles que as deviam amar e proteger, ainda que venham de famílias ditas normais. O que interessa, repito, é o amor e este está acima do sexo, religião, política… A criança antes de tudo precisa de se sentir amada e só no amor ela pode encontrar-se e crescer equilibrada e feliz. E é disto que precisamos: de crianças felizes e equilibradas que possam construir um futuro melhor e mais tolerante. Ah, já agora, o livro, cujo título desconheço, é um dos que vou comprar para juntar à minha colecção infantil, que não é grande e que, com muita honra, irei ler aos meus filhos. Faço questão disso. A autora é a excelente Ana Zanatti. Muito obrigado por esse maravilhoso livro! É desta forma que se combatem preconceitos mesquinhos que se debatem na escura lama da ignorância e da má vontade.



publicado por fatimanascimento às 16:22
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Quinta-feira, 23 de Julho de 2009
Allgarve?

A primeira vez que ouvi falar disto confesso que fiquei espantada. Pensei que não tinha percebido bem. Mudar o nobre nome de Algarve por Allgarve? Até que este ano voltei a ouvir este nome na rádio e até escrito num ecrã luminoso nos CTT. Um nome com um nobre passado histórico virou deturpação inglesa. Não há qualquer problema, os ingleses acabam por inglesar todos os nomes em que tocam e não conseguem pronunciar correctamente como O’Porto em vez de Porto. Há outros que eles não conseguem pronunciar ao contrário de nós que conseguimos ler e adaptar a nossa capacidade vocálica a qualquer nome, por mais estranho e difícil que nos pareça, com mais ou menos esforço. Da experiência que tenho, na visita a outros países, nunca vi ninguém preocupado com a minha (ou de outros) dificuldade em pronunciar esta ou aquela palavra, por muitos turistas que fôssemos. Toda as dificuldades eram encaradas com absoluta naturalidade, achando graça eles ao esforço que eu fazia para pronunciar correctamente um nome local. O esforço era geralmente acolhido com admiração e gentileza e com as espontâneas gargalhadas que acompanhavam o esforço evolutivo. Nunca a nomenclatura foi posta em causa por esta ou aquela razão. Era assim, nada mais. Nunca, nos mais variados sítios por onde passei, percebi que havia pessoas preocupadas com determinados turistas que, ao pronunciarem mal determinado nome, o tivessem baptizado a nível do próprio país. A província do Algarve, melhor do Allgarve, foi a primeira. Pôs de lado anos de história que caracterizam aquela região e o seu nome para lhe darem uma forma inglesada. Até porque, ao que se disse, esta região é assim conhecida no estrangeiro. Não sei. O que eu sei é que se vamos por esta ordem de ideias, deixamos a nossa identidade nacional e assumimos as mais variadas máscaras desde que se tire proveito económico disso. O que está mal. O Algarve, perdão, o Allgarve, é mais do que praias, sol e descanso. Há toda uma história que os turistas aprendem nas escolas e que mexe com a sua imaginação e que deve ser promovida junto deles. Até o nome tem uma razão histórica que teria todo interesse que se conhecesse, pese ou não a dificuldade da sua pronúncia. Já ouvi o nome pronunciado de muitas maneiras, mas nunca me passou pela cabeça apresentar-me pronunciando-o de outra forma que não aquela que sempre conheci. Ajudo as pessoas a pronunciá-lo correctamente, quando revelam alguma dificuldade, por outro lado é engraçado quando, em terras estrangeiras, alguns o reconhecem… sim, informo, têm razão, é de origem árabe! Tenho dois nomes: um deles de origem hebraica que convive pacificamente com outro de origem árabe! Aliás, como acontecia com estes povos, há muito tempo atrás. Todo o nome tem a sua legitimidade. Porquê adulterá-lo?



publicado por fatimanascimento às 21:52
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Segunda-feira, 19 de Maio de 2008
O perigo de certos ideais

 

Acabei de rever o filme de Claude Leclouch, Les uns et les autres, que, como tantos outros filmes sobre o mesmo tema, me marcou profundamente. Como todos sabem o filme roda à volta da Segunda Guerra Mundial, e de todos os contornos marginais à própria guerra, como a tentativa de extermínio de certas etnias. O filme, tal como todos os que se debruçam sobre o mesmo tema, revela bem o sofrimento provocado nas populações pela consequência desses ideais, sem excepção. Não vamos pensar que todos os alemães eram nazis. Muitos daqueles que se manifestaram de alguma forma contra o regime ditatorial, sofreram as consequências, chegando mesmo alguns a pagar com a própria vida a sua audácia. Depois, com as consecutivas invasões, esse extermínio estendeu-se a outros países. O mesmo ambiente de medo e desconfiança, as denúncias…

Uma das boas razões porque se estuda a História, é não só para aumentar a cultura dos alunos, ou chateá-los com datas, pessoas que já morreram e factos passados, mas é, sobretudo, para podermos reflectir, enquanto adolescentes, e aprender com os erros do passado de forma não contribuir, no futuro, para a realização da sua repetição. Sobretudo ter a sensibilidade e a inteligência de ler os sinais que poderão contribuir com um retrocesso na História da Humanidade. Mas, para além da História, os documentários com os testemunhos das pessoas que sofreram os horrores físicos e psicológicos (e psíquicos!) dessa época, debaixo do domínio do regime nazi, e das directivas que o orientavam. Talvez, estes testemunhos na primeira pessoa sejam os que melhor traduzem todo aquele horror. Não esquecer os diários que sobreviveram àquela época e que corroboram em tudo o que os documentários revelam. Isto, para já não falar dos próprios soldados russos e americanos que libertaram os prisioneiros dos campos de concentração e que observaram presencialmente, e em primeira mão, o estado das pobres pessoas aprisionadas.

O que me admira são os novos movimentos, que se regem pelos mesmos ideais e que parecem ganhar, cada vez mais, adeptos, apesar da informação toda que existe. A acrescentar a isto, o que chega a ser incrível é a audácia de rejeitarem a própria História, chegando ao ponto de negar certos factos por todos já aceites como uma verdade inequívoca. Depois, o ódio e a violência inerentes a estes grupos assusta qualquer um, quanto mais pactuar com eles… Há certos ideais que têm de ser submetidos a uma séria reflexão, e há que pensar nas consequências reais deles, antes de serem abraçados pelos adolescentes e jovens. Há que pensar seriamente, porque nem vale a pena imaginar o que será uma sociedade submetida a tais ideais, pois disso já temos, infelizmente, exemplos bastante concretos e elucidativos e ainda não muito distantes no tempo.

 

Fátima Nascimento.



publicado por fatimanascimento às 10:13
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