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Sexta-feira, 17 de Abril de 2009
As palavras do Senhor Bispo de Viseu

Ouvi na rádio e quase não queria acreditar naquilo que ouvia! Pela primeira vez, e depois de muito batalhar na ideia de que a igreja tem de acompanhar a evolução dos tempos, socialmente falando, o Bispo de Viseu veio publicamente anunciar a sua determinação em conseguir isso mesmo. Confesso que já tinha perdido a esperança que, alguma vez, alguém dentro da igreja tivesse a coragem de tomar essa posição. A situação era tal que confesso que esperava mais uma espécie de fundamentalismo do que abertura, por parte da nossa igreja. Depois, os raros diálogos estabelecidos com alguém meu conhecido, ainda novo, também pertencente à igreja, deram-me também a impressão disso mesmo. Confesso que já perdera a esperança chegando mesmo a abandonar, de forma irreversível. A ideia que tenho é que há muito de igreja na filosofia da sua conduta e pouca mensagem de Jesus. E não sentindo Jesus nela, nada, para mim, faz sentido. Posso dar exemplos que confirmam isso mesmo, mas será necessário? Todos nós já conhecemos a posição discriminatória da igreja relativamente a alguns assuntos sociais. Eu questiono-me sobre o que Jesus faria se estivesse no lugar desta igreja tão alheada da realidade social e a perder o passo na marcha do tempo. É claro que a resposta que encontro, no meu coração, em nada favorece esta actual igreja na qual já pouco me revejo. Respeito-a, embora discordando com quase todas as posições sociais que ela vem defendendo. O que aconteceu, na evolução desta, para haver este fosso actual entre igreja e sociedade? À igreja cabe o papel de apoiar e não de julgar.

  Não sei o que o Bispo de Viseu tem em mente, (nunca o vi!) mas, para já, a sua posição é bastante inteligente e corajosa. Resta saber se a sua amplitude de visão dá para abarcar mesmo todos os aspectos sociais. Depois, olhando para uma igreja toda ela hierarquizada, (quando o maior papel, e único, deveria ser só o de padre!), pergunto-me até quando esta posição se conseguirá manter de pé, sem que alguma posição de força a venha subtilmente tentar subjugar. Vamos a ver se esta abertura não tem a mesma sorte da curta e célebre “Primavera de Praga”!

 



publicado por fatimanascimento às 09:39
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Quinta-feira, 13 de Novembro de 2008
A extraordinária evolução humana

Voltei agora mesmo do hospital com a minha filha do meio. Na semana anterior, já lá estivera com a minha mais nova. Provavelmente, na próxima terei de lá voltar com mais velho. O mesmo problema de saúde, originado pelo mesmo animal microscópico que o ser humano ainda não consegue combater eficazmente. Nem nos lembramos dele! Talvez devido ao tamanho – não se vê! As pessoas, habitualmente, não se incomodam com aquilo que não vêem ou não se apercebem. Também só quando são atacadas por ele é que lhe dão importância. Como é que seres vivos tão pequeninos conseguem fazer tanto mal? Chegam mesmo a matar! E quando não é o responsável directo pela morte, a sua forte contribuição está lá. Mais um batalhão de comprimidos, neles incluído o antibiótico, para ajudar o corpo a expulsar o dito ser que vive só para matar. É talvez o maior predador do ser humano, acarretando um palmarés de mortes que ainda não foi suplantado por nenhum outro. Ao passar um olhar histórico pelos séculos anteriores, damos conta disso mesmo. Para mim, o vírus é um animal esperto, para o mal, mas é. A prova está na sua capacidade de adaptação e de tomar várias formas para resistir e ultrapassar toda a forma de combate que o ser humano lhe faz, tentando escapar à morte que lhe está destinada e votando ele mesmo esse ser onde se hospeda a esse fim a que tenta safar-se. Houve alguém, no início do século anterior, que votou a sua vida à procura de um meio capaz de livrar muitas pessoas da morte provocada por ele. E o antibiótico é, sem dúvida, a grande descoberta de todos os séculos, a nível científico, que alguma vez foi feita pelo ser humano, embora não mate o vírus, só ajuda o corpo a expulsá-lo. É, pelo menos, aquela a que devemos estar mais gratos, pelas vidas que já salvou! O problema é que parece que nada evolui no sentido de se criarem novos meios de combater eficazmente este ser ou usá-lo no sentido de salvar vidas. Já se faz isso com as vacinas. Mas o maior problema está em não se ver nele a maior ameaça à vida humana. E se mudamos a página de um século em que o antibiótico já não é eficaz e não temos nada para o substituir? Temos armas capazes de destruir a vida humana em poucos minutos, mas não temos nada que mate um vírus, ainda. Talvez os cientistas precisem de autonomia para trabalhar, no sentido de dar azo a toda uma procura científica capaz de se centrar num problema urgente, em vez de endividarem esforços em campos que em nada ajudam ou dignificam a evolução humana.



publicado por fatimanascimento às 08:40
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Segunda-feira, 23 de Junho de 2008
Ainda aquele gesto...

 

Há poucos dias atrás, tive um problema com a minha impressora, pelo que tive de pedir a um amigo do meu filho que me imprimisse um documento. Trata-se de um rapaz de que gosto particularmente, pela sua maneira de ser. Sempre que pronto a ajudar, sempre que pode, para além de ser boa pessoa e um bom amigo. Tinha o documento na disquete e, como ele não tinha já dispositivo onde colocar a disquete, e tive de lhe emprestar a minha pen. (É o resultado de toda a evolução, e a informática não é excepção à regra.) Copiei o documento da disquete para a pen, com todo o cuidado, retirei-a e entreguei-a ao moço. Nesse exacto momento, lembrei-me imediatamente do problema que envolveu o meu filho. Olhei a minha mão, com tristeza. De certeza que todas as minhas palavras devem ter sido mal interpretadas! Devem ter ficado com a ideia que eu não quis pagar a pen. E não foi nada disso. Se o meu filho tivesse sido irresponsável, eu teria pago o objecto, mas não foi o caso. Mas não foi só disto que me lembrei… Eu dissera ao dono do utensílio informático que nunca a deveria ter emprestado a ninguém… e é verdade! Lembrei-me de tudo no exacto momento em que a estendia a este moço. Depois, pensei… como reagiria eu, se, por azar, acontecesse algo à minha? É a única que tenho e não tenho dinheiro para comprar outra, neste momento… Então, como reagiria eu, se o moço chegasse ao pé de mim e me dissesse que tinha estragado o pequeno utensílio de hardware? Não foi difícil para mim encontrar a resposta. Eu sentar-me-ia com ele e explicar-lhe-ia que lhe estava extremamente grata pelo favor que me tinha feito, e que o que acontecera com ele, poderia ter acontecido comigo. Era isto que eu faria e… aguardaria pacientemente a altura certa para comprar outra. Mas isto era o que EU faria, mas muitas pessoas não são iguais a mim. E há que respeitar a diferença. Só me custa compreender é o preço que as pessoas dão (e sempre deram!) aos objectos, que parecem estar acima de tudo o resto! Vejo pessoas por esse mundo fora a terminarem amizades por causa da importância que assumiu o aspecto material nas nossas vidas, como se este fosse o melhor da vida! Não se matam pessoas, na nossa sociedade, para outras apossarem dos bens materiais que lhe pertencem? É a isso que nós chamamos assaltos. Onde vamos parar, se continuarmos a seguir esta ordem de valores?



publicado por fatimanascimento às 22:57
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Quarta-feira, 14 de Maio de 2008
A engraçada evolução das palavras

A língua que falamos, actualmente, não foi sempre assim, como hoje a falamos e escrevemos. Sofreu modificações ao longo de muito tempo. Como todo o organismo vivo, ela “nasceu”, cresceu e, se não quiser morrer, tem de continuar a adaptar-se aos novos tempos e a modificar-se com eles. Uma das modificações mais engraçadas, a nível da língua, considero eu, são as modificações de sentido que as palavras assumiram ao longo do tempo. Algumas delas começaram por traduzir uma realidade, e, com a evolução dos tempos, o seu significado modificou-se para traduzir uma realidade que pouco ou nada tinha a ver já com a do início. A semântica sempre foi um campo que me fascinou. Acho também fascinante como uma língua, mesmo numa determinada época, começa a dar significados diferentes a determinadas palavras, ou a incluir, na mesma palavra, outro significado ou outros significados. Isto nota-se na linguagem oral e também, obviamente, na linguagem escrita, uma vez que a maioria das pessoas tem a tendência de escrever como fala. É precisamente esta característica da língua que me atrai. Não gosto de pensar na língua como um organismo estagnado mas em constante mutação, em constante evolução. E as evoluções têm custos. Muitas palavras perdem-se e ganham-se outras. (Tenho muita pena de uma palavra portuguesa, muito engraçada que parece ter sido, definitivamente, substituída pela inglesa, “clip”. Tenho perguntado a muita gente, muita da qual não tem ideia sequer de ter havido outra palavra para designar esse objecto. Eu acabei por me esquecer.) Paciência. Aliás, a língua que nós falamos foi o resultado da evolução da língua falada pelo povo (e é aqui que ela sofre mais modificações na semântica, sintaxe, no léxico, etc.); da língua erudita, só nos ficaram algumas palavras que chegaram até nós, quase intactas, a par com a sua homóloga popular, e pouco mais. O que, neste momento, é erro, será, daqui a uns tempos, a forma correcta de expressão e, daqui a uns bons tempos, alargar-se-á o campo de significados de uma mesma palavra ou modificar-se-á o seu significado. Ao conversar com algumas pessoas, sobretudo a nível popular, nota-se já que algumas palavras são usadas com outro significado, se estivermos atentos ao contexto em que foram aplicadas. Isto, é claro, deve-se a várias situações, sobre as quais não me vou debruçar aqui. Aquela palavra naquele contexto é considerada erro por alguém que, como eu, conhece a língua mas, entre os seus pares, as pessoas usam-na com aquele significado, sem se darem conta de que, actualmente, a palavra em questão tem um significado diferente que não traduz exactamente a ideia que tem em mente quando a utiliza. Agora, uma questão se levanta. Se assim é, vale a pena ensinar uma língua? Sim, vale a pena. O que não podemos é ter a veleidade de pensar é que ela, dessa forma, não sofre corrosão. Pela minha experiência, o ensino é só uma parte da vida do aluno. Ele é observado e corrigido nas salas de aula e, muitas vezes, em forma de brincadeira, fora delas, mas, quando o aluno regressa ao seu bairro e à sua casa, ele, mesmo esforçando-se por falar correctamente, como lhe foi ensinado, a tendência natural é a de voltar a repetir a língua, tal como ouve e ouviu durante tantos e importantes anos da sua vida… muitas vezes, eles mesmos, por timidez, e para não quererem destoar, acabam por se deixar influenciar de novo. Outra questão se pode colocar, é se uma criança, proveniente de classes desfavorecidas, poderá, alguma vez, falar correctamente a sua língua. É claro que sim, desde que a sua vontade seja mesmo essa. Mas nunca poderá, nem deverá esquecer é que a língua segue o seu processo de evolução, e nem sempre é aquele que esperamos ou desejamos. Cabe à linguística o trabalho de acompanhar e registar as novidades dessa evolução na gramática. Será talvez este o novo caminho da linguística, da nova linguística, daquela que se debruça sobre a nobre tarefa de estudar a língua falada e de registar as modificações que sofre. Já se faz…

 

Fátima Nascimento



publicado por fatimanascimento às 09:56
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