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Domingo, 6 de Abril de 2014
o outro rosto da espiritualidade (À minha amiga, a médium Rosa Carreira, falecida em Agosto de 2013)
Era tarde. A noite adormecera há muito, quando me despedi da sala. Não me lembro do filme. Lembro-me de uma sensação indefinida. Hesitei. Desligaria a televisão? Iria primeiro premir o interruptor da sala da entrada e iluminar a passagem para a casa de banho e o quarto? Decidi-me por esta. Um frio inexplicável colava-se-me à pele fazendo erguer os pelos dos meus braços. As minhas costas provavam uma corrente fria de um ar invisível. Olhei em redor. A janela da varanda estava fechada. O mesmo acontecia com a do quarto. Estranha sensação, pensei. Enchi-me de coragem. Voltei à sala. Apaguei a imagem do televisor, a luz da sala. A mesma sensação. Um bloco de gelo invisível parecia colar-se à minha pele ignorando o pijama leve. Acendi a luz da casa de banho. Esfreguei os dentes. Expulsei a espuma da boca com água. Sequei-a à toalha. Voltei-me para a porta da entrada do apartamento ao lado da qual estava o interruptor. Senti a coragem invadir-me. Antes de apagar a luz tinha de acender a do candeeiro da mesa-de-cabeceira. Assim fiz. O emplastro gelado acompanhou-me. Sentei-me na cama aberta. A coragem parecia escapulir-se por um buraco imaginário. Respirei fundo. Encarei a última etapa. E parti. A divisão da entrada sucumbiu à escuridão. Refugiei-me na luz terna do pequeno candeeiro de latão. Encostei as costas à cabeceira da cama. Tapei o corpo até à cintura. Na contra-luz desenhou-se um holograma colorido. Uma mulher de camisola verde e curto xaile lilás sobre os ombros. A familiar cara esguia com o cabelo crespo revirado na nuca. As mesmas ancas largas, o peito saliente. A minha estupefacção. A voz esganiçada gritando para o vazio “Tire-me daqui! Tire-me daqui que ela está a ver-me!” A resposta numa voz grossa. “Tenha calma. Tenha calma, que isso não é possível!” O holograma vira o rosto e observa a incredulidade cavada na minha face. O controlo do pânico ameaçador. A oração desfiada no meu coração. A mesma reacção. A voz esganiçada. O mesmo grito. A mesma resposta calma mas de tom incerto. O desaparecimento. Contemplei o vazio da presença. Na minha mente a questão. Estarei a enlouquecer? Vi mesmo aquele esguio rosto familiar distorcido num esgar de ódio malicioso? Teria sido vítima de um truque do meu próprio cérebro? Senti que não. Uma médium minha amiga espantou-me as dúvidas com um rotundo não, esclarecendo ter sido vítima de uma “tentativa de encosto”.
Anos mais tarde. Vivenda do Casal do Vaz. Estou na minha cama. Acordo a meio da noite. Nova sensação esquisita. O meu corpo levitou. Ficou parado cerca de um metro acima dos lençóis. É sacudido violentamente por uma força oculta. Sou uma múmia. Rodopio como caça no espeto. Os meus órgãos ressentem-se do tornado. O meu cérebro perde-se na violência da agitação. Não sei de que lado está o armário. A desorientação é total. O pânico começa a invadir-me como uma serpente. Tento desesperadamente reorganizar as ideias. Evoco Deus. A espiral de violência decresce. Pai nosso… começa o coro do meu coração e do meu cérebro. Rezo com toda a fé. A monstruosa força gerada no ódio, desaparece. Sinto o meu corpo poisar suavemente sobre o colchão macio. Os meus membros descongelam pouco a pouco. Retomei o controlo do meu corpo. Sinto o meu sistema nervoso alterado. O que acontecera? Tento relembrar os acontecimentos. Terá o meu corpo levitado? Terá tudo acontecido mesmo ou terá tudo sido mais um golpe da minha mente? Recorro à minha amiga médium. A mesma resposta. Tudo o que sentiste aconteceu mesmo. Mas o teu corpo não levitou. Só a energia. Foi uma réplica do que te aconteceu há uns anos atrás. Só que foi mais forte desta vez. A tua sorte? A intervenção do espírito que te acompanha e a do teu Anjo da Guarda e a força da oração. Salvaram-te das garras dos inimigos! A última questão. Foi a mesma pessoa? Resposta afirmativa.

Fátima Nascimento


publicado por fatimanascimento às 12:44
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