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Terça-feira, 16 de Setembro de 2014
Dizer o que se pensa…
Dizer o que se pensa é fácil se vai de encontro àquilo que o nosso interlocutor defende. Está tudo de acordo! É a felicidade! Mas nem sempre é assim. E neste caso, o que acontece?
Li, algures, uma frase atribuída a Martin Luther king que dizia (não me lembro das palavras exactas, só da ideia) que, para termos inimigos não precisamos de declarar guerra, basta dizermos o que pensamos. Esta frase aplicada ao quotidiano, faz todo o sentido. Vivemos numa sociedade hipócrita em que todos vivem da imagem que querem projectar – salvas as devidas excepções. Assim, e para evitar problemas, todos optam por dizer o que agrada evitando o que se pensa realmente. E isto acontece em todos os campos da sociedade. Todas as pessoas preferem a lisonja à verdade. O medo e o interesse, maior ou menor, acaba sempre por falar mais alto. Quase todos cedem. E o que acontece a quem não alinha?
Raros são os que se dão ao luxo de dizer o que pensam. Não querem problemas! Não concordam, mas não dizem nada, limitando-se a ir na onda. Não interessa a ninguém e só traz problemas para quem o faz. A verdade vive para se esconder. Numa sociedade onde a maioria se rege por padrões pouco aconselháveis, quem sou para ir contra eles? Este pensamento castra qualquer tipo de acção. Aliás, há muito boa gente que defende que a verdade não existe, só a interpretação da mesma! Esta posição serve de calmante aos mentirosos e aos transgressores. Assim, em vez de se ajudar as pessoas a crescer, deixamo-las ficar presas no mundo leve da sua consciência ou falta dela. Também sabemos que quem não tem valores, não pode transmiti-los. E vemos pessoas (sobretudo garotos) a agir mal e, quando alguém lhes chama a tenção e o educador se volta e diz: “Oh, então e os outros?” O que há a fazer? Quem não consegue ficar calado, diz que cada um deve olhar para si, melhorando a sua própria conduta! As consequências? A irritação do interlocutor que não teve a última palavra! E percebeu que foi apanhado! Se acrescentarmos, a esta irritação, o ódio, temos então o caminho aberto para a possível perseguição! Esta pode ter várias faces: passa a desacreditar-se a pessoa de todas as formas possíveis e todas são boas desde que atinjam o objectivo! Há alguém que goste de estar na posição de vítima quando o desequilíbrio entre perseguidores e perseguido é grande?
Mesmo quando nos pedem a opinião, há que ter cuidado para não se ferir susceptibilidades! A verdade pode levar ao afastamento das pessoas centradas na nossa opinião. É claro que só acredito na crítica construtiva, mas, ainda assim, não estamos livres de ser criticados pelas costas. Isto acontece com pessoas com alta opinião sobre si, o que nem sempre corresponde à verdade, ou os inseguros.
Não consigo também perceber alguém que comete um erro e, com o pretexto de ser família, a família apoia-o a todo o custo, sem alertar a pessoa para o inexistente valor do acto ou actos cometidos. Por esta ordem de ideias, ninguém, salvas sempre as devidas excepções, é obrigado a olhar para as suas próprias acções sob a perspectiva da verdade, mas só pela interpretação das acções, crescendo numa verdade transvertida.
Todos sabemos que quem não tem valores, ou os tem distorcidos, vai passar para a geração seguinte o fraco legado. Talvez por isso seja tão difícil mudar mentalidades!
Ninguém se importa com o ser centrando-se sobretudo no parecer! Daí vem o medo do mundo!


publicado por fatimanascimento às 19:51
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