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Domingo, 20 de Maio de 2012
A doença chamada competência

Vivemos a época ditatorial da competência. Toda a gente quer mostrar-se competente. Como se isso não bastasse, existe a doença da avaliação de competência que parece dominar e assombrar todos os trabalhadores. O que é estranho - e já uma vez denunciei isto – é que esta doença só afecta as classes trabalhadoras de menores remunerações. E na escala social do emprego, os detentores de cargos mais estratégicos e portanto mais delicados não estão sujeitos à avaliação. Um dia falava com um amigo meu, gestor, e perguntava-lhe quem é que avaliava o seu desempenho e o dos seus pares. Respondeu-me que era a consciência deles e que se avaliavam a si próprios. E os que não têm consciência, como fazem? Ele calou-se. Ainda tentou rebater a minha questão, mas não foi bem-sucedido. Sabia perfeitamente que não estava certo. A responsabilidade das pessoas que ocupam estes cargos é elevadíssima. De nada vale pedir a um trabalhador de uma empresa que dê mais horas – gratuitas – à mesma, porque se esta não for bem gerida, de nada vale. São precisamente estes que ocupam cargos bastante importantes que deveriam ser avaliados. Mas, ao contrário do que se poderia esperar, estes não estão abrangidos por nenhuma espécie de avaliação. E o trabalho deles é extremamente vital para uma empresa. Não é mais importante do que a do trabalhador da oficina onde se realiza o produto que tem de ter qualidade. E só a qualidade deste faz a venda do produto. No mercado vende-se a maior qualidade ao menor preço. E uma empresa não vive só de gestores. Não percebo porque é que estes têm de ter um salário superior aos outros, uma vez que todos são importantes. E não percebo porque não são avaliados.

Um dia destes, recebi um email de uma loja de telemóveis, pedindo para fazer a avaliação de desempenho da loja, ou seja, ao atendimento dos seus empregados. Apaguei o mesmo, não vendo qualquer interesse em avaliá-los. Todos somos pessoas e umas vezes podemos estar melhores ou piores dispostos. Não vamos ao ponto de exigir a um ser humano que se livre da sua carga emotiva e se transforme num robô. E não é por um dia ou outro menos bom que se vai avaliar mais ou menos negativamente uma ou mais pessoas. Temos de ver a totalidade do seu desempenho. E nenhum dos clientes tem acesso a essa informação. O que se passa neste país tão pequeno, é que se dá mais importância a um dia em que a pessoa esteja menos bem podendo, a partir daí, uma pessoa mal-intencionada, estragar a vida a um excelente empregado. É sempre arriscado pedir-se uma avaliação externa. Acho que se têm de basear noutros critérios que não estes – as opiniões dos clientes. Quanto à avaliação interna, já não sei. Se houver boa vontade, ainda se consegue uma avaliação isenta, mas e se houver má vontade? Não vamos partir do princípio que, nesta selva onde vivemos (onde quase toda a gente anda a saltar por cima dos outros) tudo é um mar de rosas! Se for como a das escolas onde professores em pé de igualdade se vêem confrontados com avaliações díspares porque por decisão do ministério da educação só se pode atribuir uma certa avaliação a uma pessoa, deixando ao órgão de gestão a difícil tarefa de escolha. É fácil imaginar a guerra silenciosa que por aí grassa… E se tal acontecesse nos órgãos superiores das empresas públicas, por exemplo? Ou em diversos órgãos do estado? Não estaria o país melhor? Ou a cumplicidade seria tanta que a avaliação seria tudo menos isenta? É que nós temos a mentalidade do compadrio bem viva na nossa sociedade!



publicado por fatimanascimento às 11:23
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