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Sexta-feira, 27 de Julho de 2007
O valor da obra literária

Há algum tempo atrás, vi um programa que falava de obras literárias e as razões que lhes davam tal epíteto estavam em discussão. Uns achavam que a obra literária deveria ter a ver com a forma como estava escrita, isto é, o estilo, outros achavam que isso tinha ver com o sucesso de vendas. Enquanto se esgrimiam opiniões e se confrontavam nomes, eu perdi-me um pouco nesta discussão abalizada, cada um defendendo-se com argumentos e factos. Pareceu-me uma discussão inútil entre fundamentalistas e revolucionários... A obra vale por si, e é tudo. O resto tem de se deixar à consideração do leitor. Este é decisivo na escolha da obra, quer os peritos da língua estejam ou não de acordo. E é sempre a ele que vai caber a última palavra. Estas discussões poderão, eventualmente, despertar-lhes a curiosidade sobre este ou aquele autor e, na próxima passagem por uma livraria, abrirão e lerão algumas frases, parágrafos, páginas... e logo decidirão se o que lá está escrito lhes diz algo ou se, pelo contrário, nada lhes diz. Nós somos muito influenciados pelos colegas e amigos que nos recomendam este ou aquele título. Somos influenciados pelo entusiasmo deles quando falam de determinada obra ou autor. Aconteceu comigo, recomendarem-me vivamente uma determinada obra, que contava já um número invejável de exemplares vendidos. Na contracapa, ilustres personalidades dos diversos quadrantes da nossa sociedade, teciam altos elogios à obra e à forma como a tinham devorado... eu, que ao princípio, acompanhara a mesma com algum entusiasmo, não consegui passar do segundo capítulo, farta de andar às voltas no enredo... O que a mim não agradou, e deverei ser uma minoria, agradou a muitos outros. Ora, quem sou eu para contestar o valor da obra? Só porque eu não gostei, ela não terá valor? Onde reside o valor de uma obra? Na maneira como está escrita? Como leitor, eu posso gostar mais da maneira como este ou aquele autor se expressa e é tudo. Não há mais volta a dar ao assunto. Não podemos, nem devemos, criticar as metáforas deste ou daquele autor, ou a frequência com este ou aquele repete a mesma palavra dentro de um parágrafo, ou os pormenores com que se depara na narrativa, o leitor que se deixa embalar pela narrativa, não repara nesses pormenores, os que não entram nela, esses sim, repararão em tudo. Até se darão ao trbalho de dizer o que se deve deixar ou retirar da obra, porque se considera a mais ou violento... é a obra, e, enquanto leitor, o desafio está perdido para esse tipo de leitor, que terá de procurar um outro tipo de obra. Eu, por meu lado, entendo que a obra deve ser fiel ao seu autor, independentemente das críticas que recebe. Porque editar uma obra é expôr-se, é arriscar. Conheço muitas obras, por outro lado, que me agradam bastante mas que, por qualquer motivo que me escapa, permanecem na obscuridade, independentemente do seu valor literário. Não tem a ver com o autor, tem a ver com a escolha do leitor, que já de si é limitada, uma vez que ele só pode escolher o que lhe chega às mãos e que já foi sujeito a avaliação e selecção, por parte dos editores. (Pode também ter a ver com a forma como é ou não é publicitada.) Estes, enquanto leitores, também têm os seus gostos e, como tal, fazem as suas escolhas. Tudo é subjectivo. Qualquer escolha é subjectiva, embora teimemos em justificar racionalmente tudo o que fazemos, até as escolhas. Mas uma certeza podemos ter, há sempre um perfil de leitor para cada obra. Por isso a internet é um espaço maravilhoso, porque dá oportunidades a todos aqueles que escrevem e queiram dar a conhecer aos outros. E, nas minhas madrugadas de insónia, já encontrei muitas pessoas cuja escrita me disse bastante... a própria net é uma editora, mas mais democrática. Tudo quanto se escreve, salvo as excepções, com as quais devemos sempre contar, se encontra lá. E é óptimo. Tive conhecimento de um escritor de blog que publicou há pouco um livro de papel...  Mas a net pode ser o futuro. Já pensaram nisto?

 



publicado por fatimanascimento às 20:22
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