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Sexta-feira, 3 de Setembro de 2010
Transexualidade

A transexulidade se é confusa para quem a vive e não é menos para quem a observa. Desde pequena que toda a transformação, que não fosse natural, me fez impressão. Os palhaços eram um tormento. Detestava sentir aquela máscara atrás da qual transpareciam uns olhos verdadeiros. Seguindo esta ordem de ideias, também me fazia impressão reparar em mulheres onde se via ainda vestígios de traços masculinos e vice-versa: os seus rostos eram para mim uma máscara. Assim, sempre me foi mais fácil aceitar a homossexualidade desde que a pessoa correspondesse à pessoa que na realidade era: sem artificialismos. Detestava os modos afectados que muitos transexuais assumiam, pensando eu que não correspondiam à realidade. Apesar da repulsa sentida, nunca desisti da aceitação e da inteira compreensão do fenómeno. Não me forcei a nada. Dei-me algum tempo até conseguir compreender a situação. Conheci, também, na adolescência, um caso na terceira pessoa, de uma rapariga que não se sentia bem na sua identidade feminina. Era uma rapariga descontraída e de mente arejada. Gostei da pessoa, embora não compreendesse a sua aspiração à mudança de sexo, algo tão inesperado quanto novo para mim. Foi o meu primeiro caso de aceitação. Ainda hoje a recordo com simpatia. Lembro-me dos modos masculinos tão espontâneos que me levaram a esquecer, quase por completo, que era uma rapariga. Mas como fosse o único caso conhecido, depressa esqueci o assunto. (Erro! Mais tarde, teria de recomeçar todo o processo do início.) Depois disso, e já adulta, cruzei-me na rua com bastantes transexuais, sobretudo na capital, e tenho de confessar que me continuava a afligir sentir que o exterior não correspondia ao interior! Como estava enganada! Como mantive sempre a mente aberta à espera que a aceitação e compreensão se produzissem, e mantendo sempre intacta a vontade, consegui, finalmente, chegar à ambicionada meta. Percebi que essas pessoas não estavam a enganar ninguém, estando, muito antes pelo contrário, a ser sinceras consigo próprias e com os outros. Esforçavam-se para que o exterior reflectisse a sua maneira de sentir interior. Esta ideia agrada-me. Trata-se da verdade. O que sempre me desgostou foi a traição e a mentira, numa palavra, a falsidade. Pessoas que aparentam ser psicologicamente aquilo que não são: falo daquelas que mostram ser boas quando, no fundo, são um poço de maldade. (Isto é que me aflige verdadeiramente mas, num processo semelhante ao registado acima, pode ser que, com o tempo, consiga lá chegar também.) Como sempre dei mais valor ao interior da pessoa do que ao exterior, não me interessa minimamente aparência das pessoas, desde que tenham bom carácter, o que também me ajudou a conseguir ultrapassar aquilo que ameaçava ficar estagnado dentro de mim, limitando-me para sempre. É o carácter  a qualidade que mais aprecio numa pessoa, o resto não me interessa!

Ora, se eu consegui chegar a este ponto de evolução humana, abrindo a minha mente às mudanças sociais, tenho a certeza que outros também o conseguirão. Só com uma postura semelhante poderemos construir uma sociedade mais justa e mais feliz.



publicado por fatimanascimento às 23:42
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