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Quarta-feira, 3 de Março de 2010
Maus-tratos a animais

Há uma imagem que nunca se apagou da minha memória. Ainda era pequena. Um cão vadio aproximara-se de um grupo de rapazes em busca de carinho e brincadeira ou até talvez companhia. Dispunha-me a entrar em casa quando percebi que havia algo de estranho. A aparente alegre brincadeira que presenciara desde que entrara no carreiro de acesso ao portão do quintal do meu prédio, tomava agora contornos desagradáveis. Observei o animal, no meio deles, de pescoço ligeiramente erguido com as orelhas em riste e a cauda encolhida entre as pernas, contemplando docemente os rostos cruéis que pareciam urdir um plano. O animal sentia o perigo, mas continuava imóvel como se esperasse uma milagrosa mudança de atitude dos humanos. Parei e esperei. Estaria enganada? Por instantes a cena pareceu ficar suspensa. Nenhuma das personagens daquela estranha cena se mexia. O meu receio aumentou até tocar a angústia. Parecia uma gata pronta a lançar-me sobre aqueles ratos humanos que continuavam imóveis com o animal no meio. O dócil animal não lhes fizera mal algum. Limitara-se a seguir o grupo que não conseguira sacudi-lo. O pobre animal pareceu arrepender-se da sua audácia. Estava prestes a sofrer as consequências e sentia isso mesmo. Os paus seguros nas mãos adolescentes, que, momentos antes, haviam torturado o pobre animal – foi um desses gestos que captou a minha atenção - pareceram ganhar asas voando a uma velocidade vertiginosa na direcção ao vasto olival. Olharam por cima dos ombros e de lado para a minha figura parada junto do portão, sem me decidir a tomar uma atitude. Medimos as nossas forças naqueles olhares trocados. Perceberam a minha intenção como se olhassem para uma peça de cristal. Tinham a minha altura, deveriam ser mais ou menos da minha idade ou um pouco mais altos. Não arredei pé. Estranhamente, não me sentia medo. A minha preocupação centrava-se no animal que parecia petrificado no meio daquela súbita ratoeira. Foi então que tudo se desenrolou a uma velocidade estonteante. Afastaram-se subitamente do animal, imóvel de receio, agarraram em pedras, enxotando-o como se fosse um criminoso! O animal, na sua confusão, como que libertado de correntes invisíveis, iniciou uma corrida cautelosa no sentido contrário ao local onde me encontrava, ganindo sempre que uma pedra o atingia. Os projecteis pareciam ter perdido a sua determinação. Raros foram aqueles que o atingiram.

  O grupo desintegrou-se como a massa de um planeta, cujos pedaços se espalham pelo espaço em redor. Reconheci alguns. Não me admirei. Era mesmo típico da sua natureza! O meu espanto foi encontrar um vizinho meu no meio deles. Poisou os olhos no chão ao passar por mim. Parecia arrependido! Não compreendia como pôde ter aquela reacção. Encolheu os ombros. Nem ele sabia! Uma lição tirei do que vi, basta uma ou duas más influências, para levarem as pessoas a descerem na escala da natureza humana. Raramente sobem! As más influências parecem ser mais poderosas dos que as boas. Não sei porquê, mas o meu amigo voltara a ser a mesma pessoa longe dos outros rapazes.



publicado por fatimanascimento às 04:02
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2 comentários:
De allungare il pene a 11 de Março de 2010 às 12:30
Obrigado por este post. a questão da crueldade contra os animais me interessa muito. Acho que os animais no mesmo nível de pessoas, e simplesmente não entendo esse tipo de assédio moral e crueldade.


De fatimanascimento a 12 de Março de 2010 às 13:55
Olá.
Os animais e as plantas, a natureza em geral, sempre foram uma companhia imprescindível para mim. Reconheço neles os meus maiores e mais fiéis amigos! Amo de todo o coração a natureza e tudo o que ela encerra. Pertenço e amo este planeta e cada ser, desde o mais ínfimo ao maior. Espero que o ser humano saiba reconhecer a sua verdadeira riqueza. Ainda vai a tempo, por enquanto...


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