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Domingo, 22 de Novembro de 2009
Decorar? Não, obrigado!

 Este ano lectivo, um aluno, muito admirado, contou-me que fora espectacular ao explicar uma matéria, tão complexa para ele, de uma forma tão simples. “Uma matéria tão complicada e a pessoa explicou-a de uma forma tão simples. Fiquei a perceber tudo!” Muito habituada a tiradas destas por parte dos alunos, não dei muita atenção. Fiquei contente por ele ter percebido, nada mais!

  Uns dias mais tarde, o mesmo aluno, na Sala de Estudo da minha disciplina, virava-se para mim, queixando-se que não percebia nada da matéria. Ora, se a matéria era a mesma? Como era aquilo possível? Tentei perceber imediatamente onde residia a sua dificuldade. Coloquei no quadro alguns exercícios estimulando-o a resolvê-los. Não percebia nada! Estava perdido! Num súbito rasgo de inspiração, abri o seu caderno onde estava a matéria em letra morta. Olhou para ela várias vezes e para os exercícios. Começou, então a resolvê-los acertadamente. Entreolhámo-nos! “Já percebeu onde reside a sua dificuldade?”, questionei-o. Ele ficou alarmado como se tivesse sido apanhado em falta. “Falta-me saber a matéria!”, reconheceu. Escrevi uma mensagem para a mãe no sentido de o ajudar a decorar a matéria. Ele não estava convencido de que isso resultasse. Ainda assim, ficou o registo na caderneta. Aproveitei o momento para lhes explicar, a ele e aos colegas, de uma forma simples, a importância da memória no processo de ensino-aprendizagem, escolhendo exemplos simples, e na vida em geral. Pareceu convencido, embora contrariado com o trabalho que isso lhe daria. Como não é o único aluno com este problema, contei a história a outras turmas. Perguntei a uma moça que se mostrava horrorizada com a palavra “memorizar”, (segundo ela, não conseguia decorar) que objecto era aquele. E apontei para um cortinado. “É um cortinado”, concluiu. “Como sabe?”, questionei. “Porque me ensinaram”, admitiu, “Porque aprendi.” Alguém acrescentou, “Porque memorizaste”. Grande parte do nosso conhecimento provém da memória. É ela que nos ajuda no raciocínio, agilizando-o. “Dois vezes três?, interroguei um aluno, “Seis”, respondeu. “Como sabe?” – voltei a interrogar. “Decorei”, foi a resposta honesta. Nós somos a nossa memória. Somos aquilo que retemos durante a nossa vida inteira de aprendizagem. E não é só na escola que aprendemos. Precisamos da memória para a vida. Sem querer, a nossa vida é uma aprendizagem constante. Aprendizagem que fica retida na memória… ou não! Se me questionam se se deve decorar sem perceber. Não é aconselhável. Mas pode acontecer memorizar sem compreender, na altura, e conseguir compreender mais tarde o que se decorou. Aconteceu comigo? Aqui defendo José Cardoso Pires quando afirma que “a memória é mais importante que o raciocínio”. Inteiramente de acordo! Sem ela, nada somos! Sem ela não há raciocínio! Basta olhar para um doente de Alzheimer! Se quiserem outro exemplo: o que acontece a um computador, se lhe retirarmos a memória? Depois, os alunos são suspeitos: conseguem decorar nomes de jogadores de futebol nacionais e internacionais, nomes de artistas nacionais e internacionais, mas não conseguem memorizar? Quase que se pode afirmar que a memória é aplicada àquilo que lhes convém!

 

Fátima Nascimento

 



publicado por fatimanascimento às 20:24
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