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Quarta-feira, 30 de Setembro de 2009
Há pais… e pais!

O meu filho mais velho vai fazer dezoito anos em Novembro. Foi um garoto com uma adolescência de inseguranças e uma infância cheia de problemas de saúde todos relacionados com órgãos vitais que se reflectiu num percurso escolar irregular. Passou para o décimo ano. Como se isso não bastasse, há ainda aqueles problemas desnecessários criados pelo próprio pai. Há pouco contava-me, naquela insegurança que o caracteriza, que o pai lhe havia dito que aos dezoito anos já não era obrigado a dar-lhe o dinheiro que lhe era destinado. São cem euros a parte que lhe cabe e que não dá para pagar as despesas relacionadas com ele. Nunca me queixei. Não acho digno fazê-lo. Aceito o jogo com as regras que o caracterizam. Ora, continuando ele a estudar, e não tendo outro meio de sobrevivência, não sei bem a que se referia o pai. Senti uma onda de revolta invadir-me e repliquei que todos os pais casados sustentavam os filhos até ao momento de arranjarem emprego. Não sabia era que os divorciados não tinham o mesmo dever, só por serem divorciados. É claro que há muitos pais divorciados que continuam a apoiar os filhos mesmo depois dos dezoito anos até conseguirem singrar na vida por eles mesmos. É fácil de perceber o resultado da conversa no filho. O miúdo perguntou-lhe se não poderia colocar esses cem euros na caderneta, para ele poder juntar para as dificuldades que se lhe poderão deparar na vida, estilo pé-de-meia. Quase consegui imaginar a cena na minha mente: o rapaz atrapalhado na sua insegurança com medo do futuro, mendigando uns míseros cem euros mensais ao pai.

  Olhando para este e outros incidentes que tiveram como protagonistas os meus filhos, sei que o erro enorme cometido há muitos anos atrás, casando com um homem que nada tem a ver comigo, penso nas palavras de algumas colegas de trabalho que me diziam que a maioria das pessoas cometem um erro e emendam-no divorciando-se. No meu caso, e segundo elas, seria mais difícil, e que teria problemas até ao resto da minha vida, dado o ódio dele por mim, ainda por cima não tendo eu nada feito que justificasse aquele sentimento. Nunca lhes contei a minha vida, mas elas sabiam de muita coisa por “alguém” (há sempre um “alguém” nas nossas vidas que sabe mais delas que nós, uma vez que somos sempre as últimas a descobrir). Posso bem conviver com o ódio dele por mim, uma vez que aquele homem nada me diz. O que não consigo tolerar é a falta de sensibilidade que o leva a aproveitar-se da insegurança de um adolescente para o manipular em vez de o proteger como seria sua obrigação de pai. Sempre fez isto. Quem tem pais assim quem precisa de inimigos? Já há muito que desmistifiquei a imagem do pai reduzindo-o à sua imperfeita condição humana. Mas isso não justifica a maldade para com um filho.

 



publicado por fatimanascimento às 21:14
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