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Sexta-feira, 13 de Março de 2009
A herança da culpa

Não a inventámos, mas cultivamo-la. Herdámo-la, mas não a interrogamos. Como tantas coisas herdadas da nossa sociedade, aceitamo-las sem nos darmos ao cuidado de pensarmos nelas. Fazemos algo como uma jovem estudante se justificava, aqui há alguns anos atrás, num encontro filosófico dizendo que acreditava porque os seus pais acreditavam e os seus avós antes deles também o haviam feito e assim sucessivamente. É isto que todos fazemos, de alguma forma com aquilo que nos é transmitido. A culpa não é excepção, e o que é mais grave é que ela é encarada como uma espécie de vergonha. Há quem defenda que vergonha é roubar e ser apanhado. Também está subjacente a ideia da culpa descartável. Esta é só uma das formas de lidar com esse conceito. Sempre que há um problema, a primeira reacção é a de se procurar um ou mais culpados. Nunca ninguém se interessa ou fixa a sua atenção sobre o que correu mal. Talvez porque seja mais difícil, uma vez que leva mais tempo e exige um outro procedimento ao qual não fomos habituados. Não interessa. Encontra-se um responsável, (ou responsáveis), e encerramos o caso, satisfeitos com o resultado. Até à próxima situação em que volta a acontecer um caso idêntico, sempre com a mesma resposta pronta. Assim, assistimos a casos que não deixam de ser caricatos já que não envolvem culpa alguma. Só que certas pessoas, pelo menos as mais atentas à sua imagem, e atentas a essas heranças, usam a culpa, para tentarem sacudir a água do capote. No divórcio procura-se sempre um culpado, porque não basta perceber e admitir que não se gosta já da pessoa, tem de se acrescentar argumentos, ainda que inventados, para explicar à sociedade a dissolução de um matrimónio. A igreja, neste aspecto, não ajuda, uma vez que ela se acha no direito de avaliar os argumentos apresentados, para se decidir sobre a dissolução religiosa do mesmo. Eu não acho ninguém de carne e osso capaz de julgar seja o que for neste campo. Se o amor acabou e é esse sentimento que une verdadeiramente duas pessoas e não a igreja que mais não faz do que abençoar a vontade dessas duas pessoas unidas pelo sentimento. Uma vez não sendo felizes juntas e logo que decidem pôr termo a essa convivência a igreja que reconheceu a união deveria ser a primeira a aceitar e respeitar essa determinação, uma vez que nunca é decidia de ânimo leve. Eu não quis um homem ao meu lado, sabendo que ele já não gostava de mim. Dei-lhe a liberdade tão almejada. (Ele já ma pedira antes, ainda era o meu filho mais velho um bebé. Depois, quando me decidi a enfrentar a situação, por razões que desconheço, desistiu da ideia.) A igreja não o faz. Se o conjugue consegue ter essa atitude generosa, porque não a igreja, que atrapalha tudo, com as averiguações aumentando a infelicidade das pessoas envolvidas, que desejam arrumar aquela situação para continuarem livremente as suas vidas. Esta situação arrasta mentiras e calúnias que nada prestigiam as pessoas envolvidas nem a própria igreja. E aqui outra questão pertinente se coloca: até que ponto a igreja tem o direito de se imiscuir na vida já inexistente do matrimónio desfeito? Eu caí no erro de casar pela igreja, e conhecendo a pessoa com quem casei, sei as calúnias que terei novamente de enfrentar, (e que afectaram tanto o meu filho mais velho!) e que requerem muito sangue frio e muita sensatez, para evitar um confronto desagradável. Assim, todas as mentiras e calúnias que ele escrever um dia no pape, eu irei corroborar, para me poder livrar definitivamente de tal pessoa e dar-lhe a liberdade de poder ser feliz, sem mais problemas. Pena é que a igreja leve tanto tempo a perceber algo tão simples quanto isto. Até lá, muita água correrá debaixo da ponte, (se esta não desabar primeiro), antes que ela reconheça um facto tão simples. Aqui, a culpa não tem razão de existir. Nem aqui, nem noutra situação. Temos que nos concentrar no que está mal e resolver a situação, nada mais. Talvez, assim, consigamos construir um mundo mais justo e menos cruel.



publicado por fatimanascimento às 08:39
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