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Quinta-feira, 16 de Outubro de 2008
A maneira errada de chamar a atenção...

Já todos fizemos isso… já todos fizemos asneira com isso e já metemos os outros em sarilhos por causa dessa necessidade que todos nós, especialmente na infância, de querer chamar a tenção dos crescidos. O que alguns talvez não soubessem, ou não quisessem saber, era das consequências que essa maneira errada de chamar a atenção pode trazer sobre alguém… O que nos leva a tomar tais atitudes? Não sei… jugo que cada um encontrará a resposta dentro de si, por mais complexa que ela possa ser. Mas que existe esta forma errada de chamar a atenção existe com consequências mais ou menos graves ninguém duvida. Também há excepções: aqueles que nunca tiveram muita atenção e já perderam essa esperança de alguma vez virem a tê-la e que se remetem ao seu lugar onde permanecem esperando, muitas vezes, que os deixem passar despercebidos, uma vez que a atenção que lhes era atribuída estava longe de ser a ambicionada. Passou-se um caso destes comigo. Havia uma vizinha e ex-colega minha que era nitidamente a preferida do pai (era a mais nova de dois filhos) que esperava grandes feitos daquela filha. Era a melhor aluna, para mim, embora houvesse outras também muito boas, que muitas vezes, a ultrapassavam nas notas. Aquando da realização do exame da quarta classe, ela ficou doente, e pediram-me que lhe desse um recado sobre o artefacto manual, que deveria vir quase feito de casa, uma vez que o tempo disponibilizado para a realização do mesmo era pouco. Era a última prova, uma vez que todas as outras já haviam sido realizadas. Eu era e sempre fui muito distraída, pelo que me esqueci de transmitir a mensagem. Na véspera do exame, à noite lembrei-me, já tarde, e pedi para ir a casa dela. A minha mãe não deixou. No dia seguinte, eu esqueci-me como que por magia, e só quando uma colega nossa se juntou ao grupo eu aterrei. A aflição tomou conta de mim. Essa colega resolveu prontamente o problema emprestando à lesada um artefacto que começara a fazer, mas que deixara a meio. Tinha um defeito mínimo. Uma das professoras que fazia parte do júri notou, mas a minha professora diminuiu o efeito da descoberta. Fui trucidada pelos pais dela, quando estes descobriram que eu tinha tido uma nota superior à da filha. Acusaram-me de a ter prejudicado intencionalmente. Eu e umas colegas tínhamos ido a casa dela levar a notícia da passagem. Fui escorraçada logo seguida das colegas impressionadas com a cena. Até a minha mãe se viu envolvida no escândalo! Mais tarde, quando falaram com a professora, ela explicou-lhes e mostrou-lhes como a filha falhara, ingloriamente, na prova escrita de matemática. Os pais, passados de alguns dias, perceberam o que se passara e falaram com ela. O pai, que sempre me odiara, inexplicavelmente, explicou à filha que embora ela estivesse a passar por uma fase que necessitava de mais atenção, não tivera razões para arranjar todo aquele problema, que até eu sabia que ela era a favorita do pai e mostrou-lhe como ela falhara no raciocínio devido à insegurança de não se ter preparado devidamente para ela. Ela aproveitara-se da situação e do ódio do pai por mim para armar aquela cilada. Fui ilibada das acusações, mas foi difícil. Não foi a primeira e não foi a última que sofri, mas tive a sorte de a verdade vir sempre ao cimo, graças a pessoas preocupadas com a injustiça dos acontecimentos. Tive sorte! Foi graças a essas pessoas atentas que eu saí menos traumatizada dessa e de outras situações, mas esta maneira errada de chamar a atenção continua ainda e continuará pelo que há que estar atento para evitar que tanto os ofensores como os surpreendidos ofendidos possam ultrapassar com o mínimo de sequelas essas situações. Afinal, são só crianças… e estão a aprender a viver! A preocupação deverá estar na prevenção e correcção deste tipo de situações, evitando que elas cheguem à vida adulta. Não preciso de explicar a razão…

A minha filha mais nova é que tem razão quando diz “Mãe, mimo!” quando precisa de carinho. É tão mais simples!

 



publicado por fatimanascimento às 11:59
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