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Domingo, 8 de Junho de 2008
Mal eles sabiam…!

 

Provavelmente, os artistas plásticos, principalmente os mais antigos, nunca imaginaram o valor que as suas obras atingiriam uns séculos depois, no mercado legal, e não só, e, muito menos, a cobiça que elas despertariam nos ladrões de arte e no mercado paralelo. São muitas as obras que aparecem frequentemente em leilão nas grandes casas de renome internacional, pertencentes a colecções de arte particulares, cujos donos, por apuros financeiros ou outros problemas, tiveram de se desfazer delas. Estas irão ser compradas por outros amantes e coleccionadores com o objectivo de aumentar as suas colecções de arte. Alguns, porém, têm a sorte de se verem expostos num museu, onde podem ser apreciadas pelos inúmeros visitantes oriundos de todas as partes do mundo. Mas nem todas as obras de arte ficam por aqui, uma vez que muitas são roubadas, tanto a particulares como a museus (a estes, ao que parece, é mais difícil) para alimentarem todo um circuito comercial paralelo, destinado a satisfazer o ego de algum coleccionador privado maníaco. Quanto mais conhecido é o artista, seja ele mais recente ou mais antigo, maior cobiça desperta no mercado tanto legal como ilegal, estando, dessa forma, mais sujeito à procura e a um valor financeiro alto e, logo, à cobiça dos ladrões. É o que acontece com Picasso, por exemplo. Todo o artista precisa de vender, mas nem todos podem comprar, pois muitas das obras atingem valores incomportáveis para a bolsa de um cidadão comum. Isso torna, a meu ver, a arte plástica uma arte de elite, o que limita o reconhecimento público da obra do autor. Isto acontece com os artistas do nosso tempo. Quando penso naqueles que nos antecederam, também eles tiveram necessidade de vender, embora nem todos conseguissem o reconhecimento merecido ou o dinheiro necessário para a sua sobrevivência. Mal eles sabiam…! A maioria deles, tanto os contemporâneos como os antigos, são mais conhecidos de nome do que pelo conhecimento da sua obra e, quando parecem conhecer, esse conhecimento resume-se a uma ou duas obras, muitas vezes, aquelas que aparecem nas fotos dos manuais ou em livros de arte que resultam caríssimos à maioria das bolsas e que só se poderão encontrar em bibliotecas.

O roubo, para além de prejudicar o próprio proprietário, que muitas vezes evita divulgar a posse de certas obras para evitar tentações, prejudica toda uma cultura mundial que fica mais pobre, uma vez que muitas das obras de culto desaparecem para sempre, talvez escondidos nalguma colecção particular, nalguma parte do mundo, depois de terem sido adquiridas no mercado paralelo. Ora, toda a arte é feita para ser apreciada e, como tal, os museus públicos (ou mesmo privados) são o local ideal para uma obra de arte. Estes reúnem as duas vertentes – a cultural e a financeira. É uma forma de rentabilizar a própria colecção, se, ao pagar, (e estou convencida de que não precisa de ser um valor alto) tiver a recompensa para a manutenção e até uma forma de poder investir em mais obras e também de prestar um serviço cultural ao país e ao mundo. É que ver uma réplica da obra na foto de um manual não é o mesmo que apreciar a obra original. Eu lembro-me da emoção que senti ao ver o “Moisés” de Miguel Ângelo, no Museu do Vaticano, e ao seguir todas aquelas magistrais linhas esculpidas pelo pintor/escultor; sobretudo a força que se desprendia da figura parecendo que, a qualquer momento, ele se levantaria para gritar qualquer ordem. O mesmo senti ao ver a “Pietá” que reflecte bem o sofrimento, a resignação e a impotência de uma mãe face à morte de um filho querido. Todas estas emoções só se podem, quando se pode, sentir na contemplação da obra de arte. Talvez pelo peso e o volume de certas obras estas não estejam tão sujeitas à cobiça dos ladrões de arte! Depois, se se deixar de sobrevalorizar estas obras, ou outras, talvez acabe a cobiça e os roubos. As obras de arte têm de ser encaradas de maneira diferente como simples obras de arte que são e não como um elemento de prestígio pessoal. Talvez assim as obras sejam mais respeitadas.

 

Fátima Nascimento



publicado por fatimanascimento às 09:44
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