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Domingo, 25 de Maio de 2008
A máscara e a política

 

Ao subcomandante Marcos

 

Se olharmos para trás, não é a primeira vez que um herói popular usa máscara. Estou a lembrar-me do famoso Zorro, que, para fazer justiça, a tinha de utilizar, para se defender dos seus inúmeros e poderosos inimigos. E sabemos como esta figura lendária é famosa não só no seu país, como também além fronteiras, para se tornar numa figura lendária mundial, pela justiça dos seus ideais, que aquecem a imaginação, a esperança e a vontade de criar uma sociedade mais justa, onde todos possam ser iguais e felizes. O mundo, tal como nós o conhecemos, com todos os seus defeitos e qualidades, já se vem arrastando assim, desde os primórdios da civilização, o que mostra que nada ou quase nada evoluímos desde então, em termos de mentalidade. Há como que uma força que o puxa para trás, quando se dá uma brecha no muro da ordem ancestral. Uma curiosidade é o que se passa nos países latino-americanos, onde o povo parece permanecer um pouco ao lado do fenómeno político, olhando, antes, para o lado e observando cruamente a sua miséria e a dos seus vizinhos. São estes que lutam, à sua maneira, por uma vida que a política teima em lhes recusar, talvez por ter perdido esses ideais, talvez por os ignorar. São estes heróis anónimos, sem cor política, que, mais tarde ou mais cedo, conhecem a prisão, por reivindicarem direitos que há muitos já deveriam ter sido conquistados. É nestas circunstâncias que há lugar para pessoas como o subcomandante Marcos, (desde já todo um mito social actual, também ele de máscara, para se defender de possíveis perseguidores), e outros idealistas, que, (há falta de ideais humanos e sociais, só abordados pelos políticos tradicionais nas campanhas, e só com o fino intuito de angariarem votos que os conduzam ao poder), à falta de espaço no apertado cerco da política actual, enveredam por caminhos paralelos, procurando alertar as pessoas e o mundo para possíveis alternativas. A verdade é que o mundo está farto de política e de políticos cuja única qualidade é a da manipulação das massas, através da palavra, e que não têm soluções para nada, nem, muito provavelmente, têm a ideia de como resolver os simples problemas com que se deparam diariamente, recorrendo, invariavelmente, ao aumento dos impostos e à política de tapa buracos. A impressão que dá, é que o sistema político, tal como o conhecemos, sejam a democracia ou as ditaduras (sejam elas de que natureza forem), à falta de soluções, e para conservarem a ordem mundial, tal como a conhecemos, recorrem a tudo para nos fazer crer que essas soluções existem. Talvez existam e eu creio que sim, mas é preciso vontade de mudar um sistema pesado com muitos milhares de anos. Acredito que há pessoas que queiram tentar, pelo menos mostram publicamente vontade disso, e é preciso dar-lhes uma oportunidade também. É isso a democracia – a criação de uma sociedade com espaço para todos. Depois, a política, tal como está, com a dança dos políticos nas cadeiras do poder e à frente dos partidos, caras há muito desgastadas pela própria fama, que, muitas vezes, não vai além do aparecimento da cara deles na televisão, (não se sabe muito mais deles), a não ser que muda a cor política, para continuar tudo na mesma, levam as pessoas a alhearem-se da política o que constitui, só por si, uma ameaça à democracia, porque não há democracia sem participação popular. Dêem oportunidade às novas caras… e, talvez, quem sabe, a uma nova era.

 

Fátima Nascimento



publicado por fatimanascimento às 17:06
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1 comentário:
De Zé da Burra o Alentejano a 27 de Maio de 2008 às 16:17
A DEMOCRACIA QUE TEMOS: UMA VIRTUDE DO OCIDENTE.

Para além da liberdade de expressão sempre duvidosa. Lembro-me de recentes casos em que foram imediatamente punidos alguns responsáveis por críticas irrelevantes a membros do governo. Isto provoca o medo e serve de exemplo, evitando que outros casos bem mais importantes sejam divulgados.

Os eleitores podem realmente votar de tempos a tempos numa urna, mas pouco mais significa esta democracia. Os resultados eleitorais são sempre condicionados pelas opiniões que chegam aos cidadãos e que são, subtilmente, manipuladas pelos criadores de opinião, contratados pelas poderosas máquinas partidárias e pelas forças que dominam a comunicação social: a forma como são dadas as notícias ou até como não chegam a ser dadas as mais inconvenientes é um factor determinante quando chega a hora de escolher e votar. A censura prévia da época das ditaduras foi substituída pela auto censura actual. Quem não alinha com a linha traçada para o jornal, a estação de rádio ou de TV só poderá esperar a exclusão e ficar sem trabalho.

Que motivos levam a que determinados magnatas pretendam adquirir e dominar a comunicação social, uma actividade que é até economicamente bastante arriscada? As campanhas eleitorais e pré eleitorais começam aí, na comunicação social, e quem a dominar tem óptimas chances de chegar ao poder, directa ou indirectamente.

As contas das campanhas eleitorais de alguns partidos nunca correspondem aos reais gastos, mas o dinheiro teve de vir de algum lado....Talvez algumas notícias sobre corrupção não sejam alheias a tudo isto. A verdade é que nada se faz para prevenir novos casos. Quem é ajudado fica em dívida e as dívidas pagam-se.

As sondagens, que também deveriam ser proibidas, e são-no em alguns países, indicam as tendências de voto, condicionando também a decisão dos eleitores na hora de votar. Para quê votar em quem deverá ficar em 3.º, 4.º, 5.º lugares, i.e ., sem qualquer hipótese ganhar? Os eleitores acabam por escolher de entre o 1.º ou 2.º, mas, a única diferença entre eles é a critica ao opositor que está de momento no poder, e, depois, se o atingir, fazer o que entender, frequentemente, o que antes criticava, principalmente se conseguir uma maioria absoluta, o que é desaconselhável, porque gera o poder absoluto e a prepotência. O descontentamento dos eleitores que hoje constatamos deriva muito deste fenómeno: as promessas que alguns partidos fazem antes das eleições e que cativam e criam esperanças aos eleitores. Esses partidos ganham muitos votos com estes procedimentos.

Outra artimanha utilizada está na designação com que os partidos se apresentam aos eleitores e que não tem nada que ver com a realidade. As pessoas deveriam perceber que a designação é também uma opção estratégica para captar votos num determinado grupo alvo. Além disso, os próprios partidos evoluem com o tempo e hoje nenhum dos partidos do espectro português tem nada que ver com o que foi há 20, 30 ou 40 anos (os que já existiam).

Actualmente existe um chamado "centrão": dois SUPER PARTIDOS (PS e PSD) que não diferem muito um do outro e que se alternam no poder. O sistema eleitoral português (como os outros) já beneficia os partidos mais votados, tornando as eleições num jogo de “ping-pong”, a que chamam de “alternância democrática”, i.e : “agora ganho eu, depois ganhas tu”. Mesmo assim, há partidos que desejam "aperfeiçoar" o sistema eleitoral, tudo democráticamente. É claro que do “aperfeiçoamento” os dois maiores partidos são os beneficiados, pois vai facilitar-lhes a manutenção no poder, mesmo com resultados mais adversos, porque reduzem os poucos deputados dos partidos mais pequenos, ainda que tenham o mesmo número de votos. Calam assim algumas vozes incómodas no parlamento e acautelam o futuro, prevenindo-se de surpresas futuras.



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