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Quarta-feira, 18 de Janeiro de 2012
Aumento da carga horária lectiva

Algumas disciplinas vão passar a ter, à semelhança do Português e da Matemática, uma carga horária lectiva semanal aumentada. Não sei a que se deve tal decisão, mas posso ter uma ideia. Há já alguns anos atrás que venho dizendo aos meus alunos que a falta de estudo em casa iria fazer com que passassem mais tempo na escola. Eles riam-se, achando piada àquilo que achavam, muito simpaticamente, uma utopia minha.

- O tempo que não estudam em casa, vão passá-lo na escola!

- Não, professora!

- Deus queira que não! Deus queira que, até lá, os alunos percebam que têm de estudar em casa, quer queiram quer não! É uma obrigação vossa!

Claro que, com esta filosofia pedagógica que atribui toda e qualquer responsabilidade unicamente ao professor, cada vez mais os alunos se vão encostando! E quando se fala de ensino, fala-se sempre da obrigação do professor. Ora, esta não é exclusiva do professor. Isso toda a gente sabe, mesmo os que apregoam o contrário! O professor tem metade da responsabilidade cabendo, a outra parte, ao aluno. Este tem de ser responsabilizado pelo sucesso escolar. Tem de perceber que, depois das aulas, que se prolongam pelo dia inteiro, ainda têm de estudar, apesar do cansaço sentido! Quantas vezes, não ouvi esta queixa:

- Oh, professora, depois de um dia inteiro na escola, queremos é chegar a casa e descansar! Não quero pensar mais em escola ou em livros!

Esta era a resposta sempre que lhes dava uma solução para o seu fracasso escolar! Tentava fazê-los compreender que, e apesar dos dias inteiros na escola, era passar todo esse tempo lá e chegar ao final do ano e chumbar! Eles ficavam pensativos, mas alguns não mudavam.

Agora, passados todos estes anos, aí vem o aumento da carga lectiva disciplinar! Talvez assim se consiga, pela repetição, chegar ao tão ambicionado sucesso escolar!

O que não quero, nem desejo para eles, é que cheguem à escola e, cinco ou dez minutos antes do teste, tentem memorizar a matéria (que antes tinham percebido claramente nas aulas) para o mesmo! É preciso que entendam que tal não é a atitude correcta para se alcançar o sucesso!



publicado por fatimanascimento às 22:12
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Quinta-feira, 5 de Janeiro de 2012
Jornal aos pedaços

Todas as semanas vou à tabacaria comprar o jornal. Gosto particularmente deste. Entro e pego no saco. Avalio o peso. Sim, avalio o peso porque a minha ciática ensinou-me a livrar-me de toda e qualquer forma de peso! Saio e tomo uma direcção, geralmente aquela que me leva para junto do mar. Faço sempre este caminho a pé. Como o saco está pesado, abro-o ao mesmo tempo que me desloco. Vejo que existe de supérfluo naquele conjunto. Deparo com cadernos publicitários, muitos deles em fino papel fotográfico, e dou uma vista de olhos desinteressada. De facto, admiro a beleza dos produtos mas, ciente de que estão muito para além da minha capacidade financeira, logo me vejo livre do primeiro na papeleira mais próxima e assim por diante, e, quando chego ao fim do percurso, o peso diminuiu consideravelmente. Para trás as papeleiras foram todas presenteadas com aqueles folhetos publicitários. Cada qual com um ou mais exemplares. E não é a primeira vez que tal acontece. Sempre que compro este semanário, vou sempre fazendo a limpeza ao mesmo até chegar ao local onde é suposto sentar-me a ler atentamente as notícias que vão grassando neste país como a peste negra na Idade Média. Nada de novo. Alguns artigos interessantes que todos lêem e ninguém faz caso! Porque, neste país, há pessoas que pensam mas como o fazem de maneira diferente daquela linha seguida pelo governo, ninguém faz caso, uma vez que só existe, para ele, aquela maneira de pensar. E, em vez de ouvirem opiniões e arriscarem novos caminhos, insistem em seguir os que lhes traçaram, sem mesmo se questionarem se serão os mais adequados para o país. Como sempre tivemos uma cultura de submissão em relação ao estrangeiro, continuamos, sem protestar ou dar ideias (não interessam aos ditadores da Troika). Como é possível chegarmos a um ponto em que um país dominador (desculpem-me mas a França não manda nada, só o que a Alemanha a deixa mandar; diria mais, parece o animal de estimação da Alemanha, o que nada abona em seu favor, até a Alemanha não precisar mais dela, e só a vaidade de Sarkozy não deixa ver isso mesmo) se tenta impor aos outros obrigando-os a agir segundo as suas próprias ideias, sem respeito pelo povo afectado. Mas como ter respeito por um povo que se desrespeita a si próprio roubando-se a si próprio com políticas económicas que arruínam o país só para encherem os bolsos de alguns? Como é possível que, empresas públicas com tantos gestores executivos, gestores conselheiros e outros cargos inventados só para alimentar o clientalismo político (e bem remunerados) podem estar a dever dinheiro à banca? Quantos mais são, menos valem? Com tanta gente a ocupar cargos com nomes tão pomposos, não deveriam tornar estas empresas em pólos exemplares? Como é que se consegue gerir tão mal e sair impune dessa gestão ruinosa? E continuam, ainda assim, a ocupá-los? Eles não são os únicos culpados! Quem são os outros?


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publicado por fatimanascimento às 19:11
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Segunda-feira, 2 de Janeiro de 2012
Palavra vs imagem

Há alguns anos atrás, costumava recostar-me na cabeceira da cama para ler alguns contos à minha filha mais velha – a Maria. Eram variados e ilustrados. Acontecia, muitas vezes, repetir os da sua predilecção, por exigência dela. Eu lia as histórias e ela acompanhava atentamente a narrativa pelas ilustrações. Uma noite dessas, ela interrompeu a leitura para me dizer que não estava a contar tudo! Olhei-a, incrédula! Não sabia ler ainda! Andava no infantário! De facto, algumas vezes, o cansaço levara-me a resumir as narrativas à sua linha condutora principal, contando o essencial para que a história tivesse lógica. Nunca reclamara! A certa altura, sentindo-me mal com a batota realizada, chegara mesmo a explicar-lhe o motivo que me levara a resumir as mesmas.

Ora, nessa noite, quando calmamente lhe lia uma das narrativas que ela seguia fielmente a mesma através das imagens, como sempre acontecia. Ainda não sabia ler. A certa altura, disse-me tristemente:

- Oh, mãe, não estás a ler tudo!

- Por que dizes isso? – observei admirada.

- Olha aqui! – observou apontando com o indicador alguns aspectos da ilustração – Tu não contaste isto, nem isto…

Fitei os desenhos, com curiosidade. Tinha razão. O ilustrador tinha contemplado os desenhos com pormenores que não constavam do texto. Expliquei-lhe isso mesmo. Não pareceu muito convencida. Continuámos a nossa aventura pelas páginas da história quando, a certa altura, ela se mexeu visivelmente incomodada. Eu estava a saltar linhas! Como?! Eu, a saltar linhas? Como assim?! Uma página ilustrada com aspectos que não constassem do texto, ainda ia lá, mas tantas…??? Amuou. Eu, perplexa, não sabia como descalçar a bota! Voltei a explicar-lhe que os pormenores da ilustração não estavam do texto da história. Parecia não querer saber! Por fim, como não resultasse pedi-lhe para me apontar os aspectos que eu, supostamente, tinha saltado. E ela não se fez rogada.

- Olha, não contaste este… não disseste que fez isto…

Eu olhava para o omisso texto sem saber se me devia zangar com o narrador se com o ilustrador! Quando, depois de muita luta, ela lá compreendeu e sossegou, tive uma ideia: eu contava a história e ela acrescentava os pormenores inseridos nas ilustrações. Assim foi. Até que, alguns anos mais tarde, se cansou ficando-se pela narrativa.

Algum tempo mais tarde, num teste de poesia, apresentei um pequeno poema ilustrado. Qual não foi a minha surpresa quando, grande parte das questões estavam mal respondidas. Ao olhar para a ilustração, percebi o erro! Tentei, contudo, indagar junto deles a razão do seu insucesso. Tinha sido a ilustração! Em vez de ler, muitos tinham seguido a ilustração! Resolutamente, retirei estas dos testes! Nunca mais! Daí em diante, deixaria tudo à imaginação/interpretação dos alunos. Mais recentemente, quando lia, numa “Hora do Conto”, “O Bojador” de Sophia de Mello Breyner Andresen, um colega, acompanhou com imagens retiradas da net, a minha representação. Nada podia surtir pior efeito nos alunos! Num momento que se queria imaginativo, a atenção passou para as imagens! Estava engraçada, a ideia, mas eles dispersaram-se completamente! Atiraram para segundo plano a audição da pequena peça para se focarem unicamente nas imagens. Nas outras turmas, porém, foi um sucesso. Imagens? Talvez na preparação para a leitura da obra ou para uma possível pós-leitura, mas nunca durante a mesma. Lógico que esta ideia não é regra, só experiência!


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publicado por fatimanascimento às 18:09
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