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Quinta-feira, 23 de Julho de 2009
Allgarve?

A primeira vez que ouvi falar disto confesso que fiquei espantada. Pensei que não tinha percebido bem. Mudar o nobre nome de Algarve por Allgarve? Até que este ano voltei a ouvir este nome na rádio e até escrito num ecrã luminoso nos CTT. Um nome com um nobre passado histórico virou deturpação inglesa. Não há qualquer problema, os ingleses acabam por inglesar todos os nomes em que tocam e não conseguem pronunciar correctamente como O’Porto em vez de Porto. Há outros que eles não conseguem pronunciar ao contrário de nós que conseguimos ler e adaptar a nossa capacidade vocálica a qualquer nome, por mais estranho e difícil que nos pareça, com mais ou menos esforço. Da experiência que tenho, na visita a outros países, nunca vi ninguém preocupado com a minha (ou de outros) dificuldade em pronunciar esta ou aquela palavra, por muitos turistas que fôssemos. Toda as dificuldades eram encaradas com absoluta naturalidade, achando graça eles ao esforço que eu fazia para pronunciar correctamente um nome local. O esforço era geralmente acolhido com admiração e gentileza e com as espontâneas gargalhadas que acompanhavam o esforço evolutivo. Nunca a nomenclatura foi posta em causa por esta ou aquela razão. Era assim, nada mais. Nunca, nos mais variados sítios por onde passei, percebi que havia pessoas preocupadas com determinados turistas que, ao pronunciarem mal determinado nome, o tivessem baptizado a nível do próprio país. A província do Algarve, melhor do Allgarve, foi a primeira. Pôs de lado anos de história que caracterizam aquela região e o seu nome para lhe darem uma forma inglesada. Até porque, ao que se disse, esta região é assim conhecida no estrangeiro. Não sei. O que eu sei é que se vamos por esta ordem de ideias, deixamos a nossa identidade nacional e assumimos as mais variadas máscaras desde que se tire proveito económico disso. O que está mal. O Algarve, perdão, o Allgarve, é mais do que praias, sol e descanso. Há toda uma história que os turistas aprendem nas escolas e que mexe com a sua imaginação e que deve ser promovida junto deles. Até o nome tem uma razão histórica que teria todo interesse que se conhecesse, pese ou não a dificuldade da sua pronúncia. Já ouvi o nome pronunciado de muitas maneiras, mas nunca me passou pela cabeça apresentar-me pronunciando-o de outra forma que não aquela que sempre conheci. Ajudo as pessoas a pronunciá-lo correctamente, quando revelam alguma dificuldade, por outro lado é engraçado quando, em terras estrangeiras, alguns o reconhecem… sim, informo, têm razão, é de origem árabe! Tenho dois nomes: um deles de origem hebraica que convive pacificamente com outro de origem árabe! Aliás, como acontecia com estes povos, há muito tempo atrás. Todo o nome tem a sua legitimidade. Porquê adulterá-lo?



publicado por fatimanascimento às 21:52
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Terça-feira, 14 de Julho de 2009
Avaliação

Não se fala de outro assunto! É bem real. Está aí! É uma avaliação diferenciadora que vai ao pormenor para distinguir quem trabalha verdadeiramente de quem não faz nada. Desde que entrei no ensino sempre me lembro de colegas a queixarem-se que faziam tudo enquanto outros nada faziam. Mais tarde ou mais cedo já se adivinhava este desfecho. No que respeita às actividades, e o que é estranho, é que as queixosas geralmente tratavam de tudo e só no fim se queixavam! Eu sempre me lembro de pessoas a queixarem-se… Mas a sensação que tenho é a de que estas pessoas queixam-se de tudo e se não tiverem nada de que se queixar, inventam. Não quero com isto dizer que não haja pessoas que fujam ao trabalho… Talvez haja. Eu não conheço. Desde que entrei para o ensino sempre constatei que qualquer actividade resulta de um conjunto de esforços e ainda assim é. Ninguém consegue nada sozinho. Mas, ainda assim, há pessoas que se queixam, dando a sensação que o esforço recai sobretudo sobre elas. O que acontece em qualquer actividade é que há sempre aquela ou aquelas que assumem papéis mais relevantes, enquanto outras assumem papéis mais discretos, dedicando-se a aspectos igualmente importantes, sem contudo se fazerem notadas. Trata-se, digamos assim, mais de uma acção de bastidores, e que não é, de forma alguma, menos importante que outros relacionados com as actividades extracurriculares. Depois, como já se vem repetindo, desde há muito, só chegamos até onde os outros nos deixam. E sabemos que há pessoas que se gostam de se fazer notadas, não se importando de assumir papéis mais visíveis socialmente falando. São estes os mais notados e, também, os mais queixosos. Os mais discretos não se importam, o que não gostam é de se ver espezinhados por aqueles que ajudaram a brilhar, vendo o seu trabalho diminuído com expressões despeitadas como “Trabalho tanto para no final sermos todos avaliados com bom!” Todo o trabalho numa escola é de equipa. Nunca o entendi de outra forma, talvez por nunca ter tido uma experiência diferente. Posso dar um exemplo muito simples que mostra como, no espaço escolar, estamos dependentes uns dos outros. Fiz uma pesquisa na net de imagens relacionadas com as várias regiões francesas, uma vez que temos de ultrapassar a ideia de que França é Paris, e consegui mapas que mostravam a posição de cada província dentro do hexágono assim como imagens que ilustravam as províncias lá representadas. As Auxiliares, tão poucas para tanto trabalho, não estavam disponíveis, pelo que consegui a ajuda de uma colega, na sua hora de descanso, que se disponibilizou a ajudar. As duas realizámos o trabalho rapidamente, num clima de harmonia e amizade. Foi muito bom. São pequenas grandes ajudas que contribuem para o sucesso das actividades. Uma noite, queria projectar os trabalhos dos alunos e a máquina teimava em não obedecer. Socorri-me da ajuda de um colega de informática que trabalhava na sala ao lado. Correu tudo bem, embora o aparelho estivesse com problemas. Se não fosse a disponibilidade do colega, não teria conseguido realizar a minha actividade. Durante o mês de Fevereiro, fiquei com uma turma de teatro. Era a primeira vez que dava a disciplina e uma parte ligada às técnicas de relaxamento e outros jogos que eu não conhecia. Uma colega de teatro disponibilizou-me todo o material na sua posse. Como se avaliam estes gestos discretos e tão determinantes da vida escolar? As minhas colegas riem-se com desprendimento. Mas é um assunto sério. Num tempo todo ele voltado para a avaliação do desempenho, onde se teima fazer sobressair a unidade da equipa, dando a ideia de que uns fazem tudo e outros nada, como se avalia este trabalho discreto mas tão necessário nas escolas? Será que há algum item que fala no envolvimento do trabalho de equipa? Como se distingue o que é importante do que não é? E será que algum trabalho, ainda que discreto, será menos importante que o daqueles que dão a cara? Depois, como diziam algumas colegas, dentro de um grupo, só chegamos até onde os outros nos deixam. É complicado… Quando o espírito deveria ser de entreajuda, porque, repito, só com uma verdadeira de equipa se consegue realizar seja o que for. Depois, não acredito em imposições, acredito no entusiasmo como estratégia para levar os alunos a participar nos projectos; não nos podemos servir deles para nosso proveito próprio. Mesmo partindo do princípio que eles poderão beneficiar com isso, temos de pensar que têm de ter prazer naquilo que fazem.



publicado por fatimanascimento às 20:41
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Sexta-feira, 10 de Julho de 2009
Exame de Português do nono ano

Não sabia o que esperar deste exame e, como todas as pessoas, fiz uma ideia que não se distanciaria muito dos conteúdos leccionados, quer no que diz respeito aos conteúdos gramaticais quer no que diz respeito aos autores estudados. E ao folheá-lo fiquei, a determinada altura, espantada, ao dar de caras com o texto dramático nele apresentado. Agora que já se realizou, já posso falar dele. Após a conclusão do mesmo, e passados alguns dias, tive oportunidade de o folhear, em casa, na presença dos meus dois filhos mais velhos. Ela, sem qualquer problema, resolveu esse exame com facilidade e com a atenção que a caracteriza; ele, um aluno que não gosta de estudar, mas que se esforçou para a realização dele, teve mais dificuldades. Dedicou-se à epopeia Os Lusíadas de Camões e ao Auto da Barca do Inferno de Gil Vicente. Um destes sairia no exame. Com a falta de atenção que o caracteriza, ele lá foi estudando o melhor que soube e pôde, com os muitos nervos que o dominam em situações de ansiedade. Para grande desânimo seu, o texto dramático, que deveria ser O Auto da Barca do Inferno de Gil Vicente, foi substituído por um que eles nunca tiveram oportunidade de ler. Isto, de certa forma, deixou-me também desanimada: para os alunos mais fracos, isto representou uma armadilha. Conhecedores do texto vicentino, eles conseguiriam sair-se muito melhor, creio eu. O texto já havia sido lido e analisado nas aulas e eles estavam mais familiarizados com ele, a linguagem, as personagens… Era mais uma oportunidade para eles, que, deste modo, terão visto logrado o seu objectivo – ter nota que os ajude a passar o ano e a concluir aquele que, para eles, representa a saída do ensino e a oportunidade de conseguirem optar pela aprendizagem de uma profissão que os possa ajudar a entrar no mercado de trabalho. Seria exigir muito, se pedirmos que, para bem destes alunos, tratem de respeitar os conteúdos da disciplina, aquando da realização destes exames nacionais? Seria mais justo para todos os alunos e, sobretudo, para aqueles que não gostam de estudar. (Porque há alunos que não gostam de estudar!) Ainda não percebi qual o critério que levou os elaboradores do mesmo a trocar o texto vicentino pelo outro, nunca antes visto pelos alunos… que será que lhes passou pela cabeça? Desçam à realidade, meus senhores, e tratem de perceber o que se passa no campo.



publicado por fatimanascimento às 14:49
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Quinta-feira, 2 de Julho de 2009
O problema dos políticos

Para além de serem sempre as mesmas caras, algumas das quais, e ao contrário do que muitos possam pensar não deixaram boa impressão. Talvez isto explique, em parte, a abstenção que continua a “ganhar” eleições. A indiferença perante um acto que elege pessoas que nada nos dizem, cada vez é maior. A surpresa veio do primeiro-ministro que, ao aceitar aparentemente, a derrota afirmou a sua determinação em lutar para as próximas eleições. Talvez fosse uma mensagem para as pessoas do seu partido ou para o eleitorado que ele julga estar insatisfeito. Uma questão, desde logo, me assaltou o espírito: Por que é que os políticos só se lembram de trabalhar durante as campanhas? Não é isso que os mantém no poder: é o seu desempenho como governantes. A ideia que as pessoas têm dos políticos é o de pessoas que querem um “tacho”, encontrando nesta ampla via um meio para o enriquecimento fácil. Não é de pessoas assim que o país precisa nem é de pessoas assim que o povo precisa. Precisa de pessoas que sabem o que fazem e não que entram no poder pela sua capacidade de convencer o próximo. Estas pessoas sabem convencer mas poucas vezes têm a razão do lado delas. Não podemos viver de aparências sem corrermos o risco de naufragar, até como país. O aparecimento de caras novas faz-nos também desconfiar que seguem o rasto do que lá passaram antes deles e aprenderam a pior lição. Estará a democracia em perigo? Se olharmos a indiferença dos cidadãos perante uma classe política amplamente desacreditada, em que tudo aquilo que parece dizer respeito ao povo é olhado com indiferença, não admira que os eleitores os olhem já também com descrédito. Mais do que nunca as pessoas perceberam que devemos olhar à pessoa que está por trás do político e não ao cargo que ocupa. Cada vez mais esta nos surpreende pela negativa. Logo, o risco é grande. Pergunto-me até que ponto a democracia não será uma fonte de cargos para uma clientela política e não passa disso mesmo. Talvez isto explique o marasmo em que o país caiu e que se reflecte no desânimo popular. O senhor primeiro-ministro vai-se voltar para aqueles que perderam tudo e, à semelhança de Obama, vai imitar o optimismo daquele, esquecendo-se de que não é ele. Vai também ele vomitar esperança, para as pessoas, depois das eleições, perceberem que elas não passaram de meios para ele atingir o poder e que tudo continua na mesma. Quem ocupa o poder não tem soluções. Como eu costumava dizer aos meus alunos que ficaram pelo caminho escolar, eles têm mais imaginação para resolverem problemas que aqueles que ocupam altos cargos. Porque não é só conhecer, é preciso imaginação. Depois, a posição dos políticos apontando o dedo aos aparentes responsáveis pela perda da maioria, indicando as classes profissionais responsáveis, segundo ele, pela perda de maioria, revelando despeito, não os fez cair nas boas graças de ninguém. Penso que ainda há liberdade para escolher as cores políticas sem que sejam apontadas armas… ou a liberdade não existe?

 

Fátima Nascimento

 



publicado por fatimanascimento às 21:01
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