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Sexta-feira, 1 de Março de 2013
Elitismo

O mundo é feito de elites de todas as espécies e mais algumas. Todos nós conhecemos casos ou já ouvimos falar deles. Para os mais distraídos, devo dizer que pensem um pouco para poderem tirar uma conclusão acerca deste assunto. Por exemplo, há clubes privados aos quais só as pessoas ricas podem aceder. Mas o elitismo não se restringe a esta ou aquela situação particular: estende-se a muitas outras. Todas as pessoas são livres de se associarem com quem pretenderem. O problema do elitismo é que não tem a ver com a vontade da pessoa mas com disposição do grupo onde pretendem entrar. Entrar num grupo destes é, quase sempre, uma questão de prestígio para as pessoas interessadas. Estes grupos são normalmente formados por pessoas que parecem abalizadas para se pronunciarem sobre um tema fazendo todos os demais tremer com o seu juízo. Pessoas a quem conferimos algum conhecimento e que agem como se fossem donos dele. Então, uma minoria de pessoas decide o que é bom e o que não é. Como todos os grupos elitistas, eles estabelecem regras, pelas quais se regem, como se delas dependesse a vida do que defendem. Estou a referir-me, neste caso particular, à literatura. Conheço muitos bons poetas desconhecidos que têm qualidade. O seu único problema é nunca terem tido oportunidade de chegar às massas de leitores. Editados por editoras com pouco suporte financeiro, as suas obras não ganham grande impacto, a não ser nas já acostumadas apresentações onde os livros se vendem a amigos, familiares e conhecidos. Existe entre nós um jornal ao qual é dado certo prestígio que faz recorrentemente, julgo eu, algumas críticas a obras consideradas dignas de notoriedade. Não é má ideia. É uma belíssima ideia. Só que, como em todas as situações da vida, um pequeno grupo de pessoas diz às outras o que é bom para os outros lerem. Se abrirmos outros meios de comunicação impressos, vemos quase sempre os mesmos nomes entrevistados, o que já não suscita interesse algum, a não ser aos seguidores daqueles determinados escritores. O que proponho é uma escolha alheatória dentro de uma biblioteca ou superfície comercial, abrir o livro para ver até que ponto suscita interesse e levá-lo para o “avaliar”. Detesto esta palavra porque a acho sempre tendenciosa. Pelo menos no que a gosto se refere. A literatura tem tudo ou muito a ver com a maneira como o escritor escreve - a sua voz - que poderá ou não familiarizar-se com a do leitor. Para mim, não é a história mais importante do que a voz de cada escritor. Ambas são importantes e ambas fazem parte de um conjunto que integral que é a obra. Não se pode dissociar uma da outra. São unas. E as pessoas sintonizadas com a escrita, familiarizar-se-ão com a história. Não consigo comprar um livro sem ler um excerto de uma ou mais páginas para ver se o conjunto me seduz. Se tal acontece, então, se tiver dinheiro, compro. Raramente me deixo influenciar pela opinião de outras pessoas pois já apanhei algumas deceções. E aprendi que o que agrada a uns não tem forçosamente que agradar a outros. Tem razão quem afirma que “cada livro tem o seu perfil de leitor” e vice-versa. Nós somos os críticos de nós próprios. Só nós poderemos eleger o que é mais ou menos agradável para cada um.  Acontece a nossa opinião coincidir com a do crítico mas nem sempre assim é. O que me causa alguma apreensão é a vontade, ainda que inconfessável, que as pessoas têm de ser aceites pelas elites para, então, e julgam elas, poderem ser consideradas “boas” e ter a projeção que qualquer escritor deseja. Como me dizia uma pessoa amiga “reconhecimento institucional já tem”, agora só falta o resto. E desejo-lhe o melhor porque é uma poetisa merecedora de notoriedade uma vez que tem qualidade para tal.


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publicado por fatimanascimento às 17:14
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